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Chase History

Grand Chase - A Vilã Revelada


Eadryiel
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Eadryiel    74

Ola :D

Estava lendo alguma fics do forum e tive vontade de escrever uma. Me atrevi a criar uma historia, somente uma vez e ate hoje nao tem final kkkkkk, porem pensei em fazer algo relacionado ao gc. Ai vai uma pequena sinopse da historia. Postarei mais capitulos neste topico mesmo. 

Também postei a historia no Nyah!  e no Spirit.

Sinopse

A Grand Chase sempre teve o objetivo de desfazer as obras malignas de Cazeaje. Mas como será que ela realizou todas as suas façanhas? Como conseguiu tanto poder? Porque ela se tornou uma vilã? Ninguem melhor para responder estas perguntas do que a propria Rainha da Escuridao Cazeaje. 

                       kazeaje.jpg

 

                                                              Grand Chase - A Vilã Revelada

 

              Capitulo 1 -  Chegada em Vermécia

 

Minha vida não merece ser relembrada, mas a única forma de preencher o vazio deste lugar é com o que há em minha mente. “Ahh Anyu, como você deve estar agora?” pensei. Desde o fim da guerra entre Serdin e Canaban, quando eu não era mais útil, fui jogada nesta Fenda Dimensional.

- Cazeaje, tenho uma tarefa para você. Quero que esmague alguns vermes.

- Sim, mestre.

Não há nada aqui além de escuridão e vazio. Não consigo sair desta Fenda com minhas próprias forças. Esta prisão se tornou minha morada, sou jogada para este local quando termino minhas obrigações. A única maneira de sobreviver é fazer as vontades de Astaroth.

- Quem preciso derrotar? – perguntei.

- Os reinos de Vermécia estão procurando guerreiros para ir contra meus planos. Você não poderá deixa-los sair do continente.

Um portal se abriu. Passei por ele imaginando como realizaria a tarefa imposta a mim. Dor. Somente isto que eu sinto e sei que causo isso em outros. Mas não sinto dor física, meu corpo é frágil, porém meu poder o mantem vivo. Minha dor é mental, emocional. Sei de tudo que fiz e nem a morte me redimiria destes atos.

Ao atravessar o portal cheguei à Praia Carry. Faz muitos anos que vim aqui, com minha amiga, a Princesa Anyu. Um local ensolarado e bem quente. Ouço o som de ondas se quebrando e sinto a areia em meus pés. Mas a Praia esta diferente, cheia de monstros. “A influencia de Astaroth já chegou em Vermécia, quão poderoso ele é?”.

As criaturas não parecem se incomodar com minha presença, isso não pode continuar assim. Todos os Caranguejos, Gosmas e Harpias nem sequer me viam passar por lá. A Praia fica nos limites do reino de Serdin, preciso tornar perigoso este local para que ninguém consiga atravessa-lo. Continuei andando.

Avistei uma Harpia diferente das outras que cruzei, ela é realmente grande, parece mais poderosa do que as outras. Cheguei perto dela. Sei que a arrogância das Harpias também é seu ponto fraco. Apenas preciso persuadi-la a cooperar, e depois disso, ela conseguirá influenciar os outros monstro deste lugar.

- Harpia, pode me levar à seu rei?

- Harpias só possuem um líder e não há ninguém acima de mim. – ela berrou

- Posso lhe tornar rainha, terá grande poder e todos farão sua vontade. Em breve será criado um mundo de maravilhas, e você terá poder sobre tudo.

Neste momento criei uma ilusão. Grandes terras, todo o tipo de monstro, um trono. Ela se sentava neste trono, acima de todos os outros. Todos a seguiam e faziam suas vontades. Ela vê que tudo pertence a ela e sua ganancia foi aumentando em seu corpo. Ela tem sede de poder e eu posso lhe dar isso. Quando terminei a ilusão, ela já estava em minhas mãos, faria tudo para conseguir aquele poder, e assim eu passei a controlá-la.

Gritei para que todas as criaturas ouvissem:

- Não permitam que ninguém passe por vocês, todos causarão caos neste local. Esmaguem a TODOS que cruzarem seu caminho. – olhei para ela e falei – Agora você é a rainha, seja leal e eu lhe darei tudo o que desejar.

Ela concordou. Comecei a andar em direção á areia. Logo à frente consigo ver um deserto. Fica cada vez mais quente e mais isolado. Sei que não posso confiar naqueles fracos monstros. Eles nunca estiveram em uma batalha e não resistiriam muito em uma.

“Preciso de alguém mais forte”. Sendo assim me dirigi ao Templo Oak. Orcs são criaturas violentas e sem cérebro. Não será difícil comandá-los. Continuei andando e depois de poucas horas comecei a ver dunas. Uma tempestade de areia se aproximando. Estou quase chegando.

 Uma forte nuvem de areia cobriu todo o caminho, não é possível enxergar nada. “Como vou persuadir os Orcs?” penso um pouco e me dou conta, “Não seja ridícula Karina, não é possível persuadir Orcs”. Mas é possível se tornar sua líder.

Muitos orcs começaram a me cercar, me trazendo de volta a realidade. “Eles não sabem com quem estao lidando”. Posso acabar com eles em um estalo de dedos. Mas não é isso que eu quero. Senti a aura violenta deles, procurei a que possuía a maior sede de sangue. Encontrei.

Fui como um vulto ate ele, sim, o Lorde Oak, que estava poucos metros a minha frente. Não me atrevo a falar nada, a única linguagem que ele entende é a luta. Meu corpo humano não me permite usar todo meu poder, ainda assim, posso derrota-lo.

- Arrgh~! Como ousa invadir meu Templo? Vou acabar como você! - Ele veio correndo em minha direção.

- ESFERA ENERGÉTICA!

Ele não esperava meu ataque e ficou sem reação por alguns segundos, porém logo voltou a me atacar com sua arma. Desviei, indo para trás dele e comecei a puxa-lo com um campo de gravidade. Ele caiu de joelhos no chão. Aproveitei a oportunidade para ataca-lo denovo.

- ESFERA ENERGÉTICA! – gostaria de aprender mais ataques além desse, preciso melhorar minhas habilidades.

Ele caiu no chão com meu poder, não conseguia mais lutar. Andei ate ele, me abaixei ate seu rosto e apontei uma espada para sua garganta, sim, é uma ilusão, porém seu cérebro pequeno não conseguirá perceber isso. Sussurrei:

- Poderia te matar aqui e agora, mas você ainda me é útil. Seja leal e defenda seu Templo contra invasores humanos que estão por vir.

Me levantei e parti. Só queria sair daquele lugar. Sinto a aura poderosa que ele está emanando, graças a minha ajuda seu poder aumenta cada vez mais. Enquanto estou partindo ouço ele gritando aos seus subordinados ordens de ataque. Para que lado devo ir? Ao norte há o Calabouço dos Gorgos; ao leste há a Floresta Élfica.

Penso nas possibilidades. Nenhum humano seria tolo o suficiente para cruzar o caminho dos Gorgos. Se os humanos quiserem sair deste continente terão de passar pela Floresta. Pois bem, lá é o lugar que preciso encontrar agora. Inicio minha jornada que levará alguns dias.

Como poderia arruinar aquela Floresta? Sei que os elfos não irão aceitar os planos de meu mestre. Elfos são pacíficos, não posso elimina-los. “Se eu não der um jeito naquela Floresta, Astaroth dará, e sei que ele não terá piedade”. Penso em algum jeito de impedir que qualquer pessoa consiga atravessar a Floresta. Acabei de formar meu plano.

Sou boa no que faço, sim, por isso fui mandada pela Princesa Anyu para restaurar os laços entre Canaban e Serdin muitos anos atrás. E talvez seja por isso que Astaroth me escolheu para estas tarefas. “Infelizmente, sou muito boa no que faço”, penso com desgosto.

Começa a anoitecer e o céu fica em um lindo tom de laranja escuro que reflete na areia do deserto. Sinto uma grande paz, e, por poucos segundos, é como se não houvesse maldição. Como se eu não tivesse matado milhares. Sinto me junto de Anyu, nos jardins do palácio vendo o sol se por.

Já havia andado por muitas horas. Sinto-me cada vez mais livre e consigo perceber os poderes fluindo pelo meu frágil corpo humano. Comecei a observa-lo e vi que está se desgastando. Quanto mais usava meus poderes, mais meu corpo humano se feria. “Ele não aguentará muito tempo”. Preciso arrumar uma solução.

Começo a pensar que, mesmo morrendo fisicamente, meu espirito está cada vez mais vivo. “Se este corpo se fosse, eu realmente estaria morta?” Me perco em minhas memorias. Antes pensava que esta vida era tudo o que tínhamos, quando conversava com minha querida amiga Anyu. Sei que ela já deve ter se tornado Rainha de Canaban depois de todos estes anos. “Será que ela ainda pensa em mim?” Mesmo que não pense, sei que logo ouvirá falar de mim novamente.

- Arrgh~!

Um grande rugido ecoa pelo horizonte alaranjado me tirando de meus pensamentos. Vejo uma sombra passando por mim. Olho os céus. É ele, o tão famoso Gorgos Vermelho. Ele pousa suavemente na areia, cerca de 20 metros a minha frente. Uma criatura de tamanho e força impressionantes, sempre foi temido pelos homens devido ao seu enorme poder. O que será que o levou a sair de seu Calabouço?

              Capitulo 2 -  Lute por seus Objetivos

 

O Gorgos Vermelho está parado diante de mim. Imponente, nem tenta esconder sua força. Suas escamas alaranjadas se confundem com o céu do pôr-do-sol. Me recordo das lendas que ouvia sobre esta poderosa criatura. Poucos foram atrevidos a invadir seu Calabouço, e ninguém voltou com vida. Fico nervosa.

“Por que estou nervosa, sei que posso derrota-lo”. Será que posso? Nenhuma criatura até agora se impôs diante de mim com tanta confiança. Ninguém ousou me desafiar como ele está fazendo. Devo atacá-lo? Sinto que meu corpo humano está fraco, não quero desgasta-lo tão rápido. Resolvo falar:

- Saia da frente criatura. Não ouse ficar em meu caminho!

- É você que esta alterando o equilíbrio desta região? – ele berrou furioso.

- Isso não lhe diz respeito! – respondi com autoridade, não gostaria de enfrenta-lo. Todas as lendas que eu ouvi quando era humana ainda provocavam medos em minha mente.

- Dizem que você fortaleceu algumas criaturas, se for verdade, vá para meu calabouço. Temos assuntos a tratar. – disse ele com muita arrogância em sua voz.

Após isso ele começou a voar. Quando vi ele já estava voltando por onde veio. “O que foi aquilo?” Não parecia que ele queria me prejudicar, porém sei que criaturas tão poderosas como estas gostam de uma boa luta. Meu corpo humano não aguentará outra batalha. Preciso fazê-lo descansar.

 De qualquer forma, mudarei meus planos, pois, não é todo dia que o Gorgos te convida para seu Calabouço. Sei que gastarei um dia de viajem ate lá, mas, como estava escurecendo, deitei para que meu corpo recuperasse energia. Não consegui dormir. Meu espirito não está cansado, deve ser por causa de meus poderes. “O que será que consigo fazer com meus poderes?”

Lembrei-me do Gorgos voando, livre pelo mundo. “Será que eu consigo voar também?”. Comecei a sentir meus poderes em meu corpo. Vi que conseguiria fazer muitas coisas, mas parecia que parte de minha força estava inativa. Definitivamente algo me impede de usa-lo por completo. Com o poder que restava consegui flutuar, não era muito rápido e nem muito longe do chão, mesmo assim, conseguia ir mais rápido do que se estivesse andando.

 Comecei a fazer o caminho de volta, flutuando. “Nunca mais vou andar!”. Pela primeira vez em muitos anos, me senti realmente empolgada. Ate pouco tempo atrás tinha muito medo de meus poderes, eles causaram tantas mortes. Porém comecei a me acostumar com eles. Acho que estou pronta para testar meus limites. Mesmo assim sinto que meu poder foi selado. Deve ter sido Astaroth, mas porque será que ele faria isso?

Durante toda a noite flutuei pelo deserto. Amanheceu. O dia ficou com um lindo tom avermelhado da manhã, e depois o sol subiu ao ponto mais alto no céu. Nesta hora eu me aproximei do Calabouço e vi o cenário começar a mudar. Um grande vulcão decorava o horizonte, o chão com rachaduras em um tom vermelho brilhante se estendiam por todo o chão e colunas de pedra. Encontrei a caverna e entrei.

Muitos gons e gorgons voavam pelo local. Por dentro as paredes tinham rachaduras brilhantes e alaranjadas. Todos me encaravam, mas não tentavam atacar. Adentrei cada vez mais fundo pela caverna, o calor era insuportável, ate que cheguei ao local onde o Gorgos estava. Uma parte alta da caverna, cerca de 20 metros de altura. Muitos gorgons estavam em rochas, descansando nas paredes da caverna, observando a mim e ao Gorgos.

- Você veio a mim. Então realmente deu poder às Harpias e Orcs? – não respondi, ele fez uma pausa e depois continuou a falar – Gostaria de desafiá-la para uma batalha.

- Se quisesse somente uma batalha poderia ter me atacado no deserto. Quais são seus verdadeiros objetivos? – disse de forma confiante, realmente estava intrigada. O que essa criatura iria querer de mim?

- Se você se provar tão poderosa, serei seu servo. – isso me impressionou. Ter o Gorgos Vermelho, a criatura mais poderosa de Serdin, como servo?

Acenei em aprovação com a cabeça. Fico feliz de ter descansado meu frágil corpo humano para que ele aguentasse esta batalha. Comecei a pensar em estratégias, pois não estou acostumada a lutar. Teria que acabar com esta batalha logo, não sobreviveria a vários ataques do Gorgos.

A batalha começou. Estamos um na frente do outro, cerca de 3 metros nos separam. Ele lança uma rajada de fogo em minha direção. Eu desvio para a direita e chego mais perto, enquanto ele percebe que não me atingiu eu aproveito para atacar.

- ESFERA ENERGÉTICA! – quase não causa arranhões em sua pele. Preciso de um plano B. Vou assusta-lo com minhas ilusões.

Ele corre em minha direção para me atingir com uma pancada corporal. Tenho que agir rápido. Projeto uma ilusão em meu lugar enquanto corro para a direita. Ele está focado e não percebe a ilusão, e acaba batendo com o corpo na parede.

- Arrgh~! – ele ruge nervoso, a batida o machucou bastante.

Enquanto o Gorgos Vermelho se prepara para jogar outra rajada de fogo em minha direção, eu uso meu poder para fazer com que os gorgons, que estavam observando a luta, voem em sua direção e comecem a atingi-lo com suas caudas. Dezenas de gorgos o atingem, bloqueando sua visão. Então eu crio uma espada em minhas mãos. Corro ate ele, espantando os gorgons e surpreendendo ele. Quando ele vê, já estou com a espada em seu pescoço. “Ganhei!”. Fico parada nesta posição ate ele se pronunciar.

- Você me mostrou seu poder, nunca nenhum humano conseguiu se aproximar de mim. – ele estava cansado, o ataque dos gorgons devem tê-lo machucado – Esta luta acabou! Serei seu mais leal servo, em troca quero poder para me tornar mais forte.

- Lhe darei meu poder, e como meu servo, exijo que destrua qualquer um que se oponha a mim, e queira me deter. Voe por essas terras eliminando as ameaças que encontrar.

- Terá a mim e todos os meus subordinados para realizar sua vontade. – disse ele abaixando sua cabeça em respeito.

O fortaleci e depois sai daquele local. Fui flutuando ate a saída e percebi que todos os gons e gorgons me olhavam e abaixavam suas cabeças em sinal de respeito. “Então isso é ter poder e subordinados”. Sempre persuadi outros oferecendo-lhes poder, mas nunca senti isto antes. É uma sensação boa.

Eu vou o mais depressa possível em direção à Floresta Élfica. No meio do caminho percebo que não teria poder suficiente para realizar meu plano. “Preciso liberar meu poder”. Mas como faria isso? Penso um pouco e percebo, se foi Astaroth que selou meu poder, ele poderá liberá-lo. Concentrei-me para poder chamar Astaroth, mesmo com os olhos fechados, pude perceber meu corpo emanando energia.

- Astaroth!.......Astaroth!.......Mestre!....

- Já completou sua missão? – disse ele de forma arrogante e impaciente.

- Fiz grande progresso, porém preciso invocar criaturas neste continente. Libere meus poderes para que eu consiga fazer isso.

- Mal completou sua missão e já pede mais poder? Se não consegue nem esmagar vermes, você não me é útil.

- NÃO! – exclamei – Não quero mais poder, sei que já tenho o suficiente. Porém também sei que você selou parte dele.

- Você não sabe o que fala! Não posso perder meu tempo com você.

- Você tem medo de meu verdadeiro poder! – Gritei – Se não tivesse medo, não o teria selado!

- Você nunca me causaria o mínimo de temor. Não ouse falar comigo deste jeito. Pois bem, lhe darei o que deseja. – Disse ele de forma convencida e logo depois berrou - E SEJA MAIS RÁPIDA!

Sinto meu poder aumentando, tenho muito mais forças do que antes. Concentro minhas energias. Agora sim tenho certeza de que posso fazer tudo o que quiser.. “Vamos dar um jeito nesta Floresta!”.

Duas semanas depois......

 

Estou agora me aproximando dos portões do Castelo de Gaicoz. Depois de dominar toda Vermécia, este é o último local e, ouso dizer, um dos mais importantes. Ter o Guerreiro Gaicoz como ao meu lado será de grande valia nesta jornada. Mas não será fácil. Preciso provar meu valor através de batalhas, só assim terei chances de consegui-lo como aliado.

No horizonte vejo os céus se enegrecendo. Em minha frente há um grande pátio, que leva às portas do Castelo ao fundo. Vejo com dificuldade varias silhuetas vagando pelo pátio. Sinto a aura de dor, ódio e sede de vingança que domina este local. Atravesso os portões que estão abertos.

Ando poucos metros e vejo que todos os guerreiros fantasmas percebem minha presença. Eles exalam fúria. “Como alguém ousa invadir o Castelo do lendário Samurai Gaicoz?”. Sei que farão tudo para me deter. Porém minha missão não tem a ver com eles. Preciso chegar à Gaicoz.

Eles correm em minha direção por todos os lados. Guerreiros, sacerdotes e outros vêm ate mim com o objetivo de me matar. Sinto um frio na espinha. Concentro meus poderes e crio varias ilusões minhas em vários locais do pátio. Meu objetivo é confundir estas criaturas e chamar a atenção do Samurai. Aproveito a distração para andar furtivamente até o Castelo.

Quando me aproximo das portas do Castelo, sou surpreendida por um Grande Samurai Esqueleto, com certeza ele possui mais poder do que os outros que estão aqui, e não será facilmente enganado por minhas ilusões. Creio que Gaicoz o enviou para me deter, então ele já me notou. “Está na hora de lhe revelar minhas intenções”.

- Leve-me ao seu mestre, o Lendário Samurai Gaicoz. Tenho uma proposta a lhe fazer. – Digo de forma autoritária. Espero conseguir chamar sua atenção.

A criatura me ataca, percebo que ela não pode entender o que eu falo. “Como poderei chamar a atenção de Gaicoz?”. Sinto uma energia muito forte se movimentando alguns metros atrás de mim e que não ataca nenhuma de minhas ilusões. Seu poder é grande, assim como sua sede de vingança. O que mais chamaria sua atenção do que uma batalha?

- Quero desafiá-lo Gaicoz. Se me provar digna, seja meu aliado na busca por vingança. – O guerreiro à minha frente me ataca com vários golpes frontais de suas duas espadas. Enquanto desvio, continuo falando alto - Prometo trazer um futuro brilhante. Onde poderei trazer de volta tudo aquilo que lhe falta, até mesmo pessoas amadas.

Aquela forte energia que estava atrás de mim se movimenta rapidamente. O grande Samurai Esqueleto para de atacar-me, sei que algo está errado. Sinto repentinamente uma presença em minhas costas, um brilho de lâmina. A criatura parou poucos centímetros atrás de mim. Eu sabia que era Gaicoz. Virei-me como se não sentisse medo algum. Olhei em seu rosto. Somente ossos haviam sobrado deste Grande Guerreiro. Suas vestes, porém, estavam intactas e possuíam grandes marcas de batalha. Seus olhos vermelhos irradiavam fúria.

- Aceito seus termos. – disse ele, seu tom de voz era grave e ameaçador - Porém se não se provar digna, destruirei seu corpo humano e esmagarei seu espirito. Será humilhada por ousar me desafiar.

Ele gritou uma palavra a seu exercito, não compreendi o que ele disse, porém todos os guerreiros pararam de atacar e entraram no Castelo. Eu desfiz minhas ilusões. Ele começou a andar para o centro do pátio, eu o segui. Ficamos a cerca de 2 metros de distancia, um olhando para o outro. No horizonte, o tom alaranjado dava seu último folego, antes do breu total assumir os céus. Esperei o sinal para começar a batalha. Até que ele colocou as duas mãos em sua espada, me preparei para lutarmos.

Como estou lutando contra um Samurai, eu devo me manter sempre longe dele. Não quero ser atingido por sua lâmina. Uso meus poderes para amaldiçoar o solo, tentando dificultar seus movimentos. Rapidamente coloco as mãos no solo e ele fica com um tom esverdeado. Percebendo isso, Gaicoz atinge o chão com sua grande espada, retirando pedaços de rochas amaldiçoadas e os jogando contra mim. Desvio para a esquerda.

Ele corre em minha direção com sua espada à frente. Tão rápido como a luz ele me atinge no braço direito. Meu cérebro sente o sangue escorrendo, porém não há sangue nenhum. Meu corpo não possui mais vida, ele é apenas um meio de meu espirito se expressar. No fim, eu e Gaicoz não somos realmente diferentes. Ele está atrás de mim, e me viro rapidamente. Não posso hesitar nesta batalha.

Vejo que ele está prestes a lançar ondas de choque com sua espada. Como um raio eu flutuo alto, desviando de seus ataques. Minha vantagem nesta batalha é minha capacidade de flutuar. Aproveito a oportunidade para atingi-lo de cima. Criei muitas ESFERAS ENERGÉTICAS e o atingi com varias seguidas.

Ele foi atingido por algumas esferas em seu rosto e peito, logo em seguida ele sumiu em uma nuvem de fumaça. Quando menos esperava, ele apareceu atrás de mim e me golpeou nas costas. Cai no chão. Eu não sentia dor. Porém consegui perceber que meu corpo humano estava machucado.

Gaicoz aproveitou que eu estava me levantando e convocou dois guerreiros para me atacar. Levantei-me do chão. Vi os dois guerreiros correndo em minha direção. Aproveitei e também invoquei dois guerreiros esqueletos para me proteger destes ataques.

Meus guerreiros estavam atacando os guerreiros dele, assim pude me concentrar em Gaicoz. Neste momento a luz do sol já se extinguiu e estamos sendo banhados pela luz da lua cheia. Vi que para derrota-lo deveria ser mais rápida do que ele, atingindo-o varias vezes ate ele cair no chão, sem poder reagir.

Comecei a me mover muito rápido pelo pátio, e criei várias ilusões minhas que apareciam e desapareciam, tudo para confundi-lo.  Invoquei mais esqueletos para ataca-lo, enquanto eu me movia. Ele lançou ondas de choque de sua lâmina e destruiu os esqueletos. Me foquei comecei a lançar varias ESFERAS ENERGÉTICAS por todos os lado em sua direção.

Mesmo sendo atingido ele parou e moveu cuidadosamente sua lâmina, era como se ele estivesse se preparando para um grande golpe. Isto chamou minha atenção. Fiquei paralisada por um instante, sabia que algo ruim iria acontecer, e isso quase custou minha vida. Tudo o que o ouvi dizer foi:

 Gaicoz_atk.png

“Inevitável”

Senti centenas de golpes atingindo meu corpo. A força dos golpes me levantou. No fim, vi como em câmera lenta o Gaicoz terminando seus movimentos e parando ao meu lado, meu corpo cheio de cortes de sua espada e a gravidade me puxando ao solo. Bati com força no chão. Teria de terminar logo esta batalha, pois se levasse outro golpe dele, com certeza não poderia mais lutar.

Caída no chão, percebi que ele está parado ao meu lado. Sei que está se sentindo confiante, crendo que a batalha havia acabado naquele momento. Aproveitei para reunir minhas forças, teria que usar toda minha energia. Sinto que meu corpo não vai aguentar, mas preciso atingi-lo com todas as forças que tenho. Meu corpo começa a brilhar, iluminando todo o Castelo.

Sei que Gaicoz está pensando que essa luz vem de meu corpo se desfazendo, por isso ele não reage. Acumulo toda minha energia, e assim, lanço uma enorme onda energética em sua direção. Atingido de surpresa ele cai ao chão. Meu corpo não consegue nem mesmo se levantar. Vejo Gaicoz lentamente se levantando e vindo em minha direção. Mesmo sentindo que perdi esta batalha, vejo que o feri bastante. Fico pronta, esperando o golpe de misericórdia dele e já aceitando meu fim.

- Nunca fui derrubado durante uma batalha. – diz ele num tom de voz grave e sombrio, sinto que ele está um pouco ofegante  – Você se provou uma guerreira com muita força e determinação. Aceitarei servi-la, pois aguardo o futuro brilhante que você está prestes a nos trazer.

Não tenho forças para me levantar. Estou esgotada. Pela primeira vez, ate mesmo meu espirito está fraco.

- Você tem muito poder, eu admito. Mas precisa treinar para poder utilizá-lo da melhor maneira. – disse ele se virando e voltando ao seu Castelo.

Me esforço para levantar do chão. Fico de pé, somente repassando as palavras que acabaram de ser ditas por Gaicoz. “Isso foi um conselho?”. Se o Samurai Lendário está dizendo que preciso melhorar, com certeza vou treinar para conseguir utilizar todo o poder que tenho.

Saio de seu Castelo e descanso meu corpo e espirito num local próximo. Batalhar com o Samurai Fantasma com certeza não seria fácil, porém não achava que me desgastaria tanto. Isso só fortaleceu a ideia de que precisava aprender a lidar com meus poderes. Enquanto descanso, penso onde seria o melhor local para aprender sobre magia. De repente a resposta fica clara em minha mente. “Como pensei nisto antes? Já sei onde vou treinar”. Depois de descansar, me dirigi o local com maior informação sobre magia de toda a Vermécia.

 

 

               Capitulo 3 – Treinamento Sem Fim

 

No horizonte posso ver as muralhas de Serdin. O dia está quente e o sol está a pico. Enquanto me aproximo do Reino, várias memorias me assombram. Começo a reparar em minhas roupas e aparência. Até o presente momento, só me importei em vencer batalhas, e, vendo-me agora, minhas roupas denunciam isso. Uso um vestido longo púrpura, de mangas compridas e um razoável decote. Este um dia já foi uma vestimenta real, porém agora está com muitos rasgos e bem sujo.

Paro em uma fonte d’água. Banho-me para tentar apagar as marcas das batalhas que enfrentei.  Lavo minha roupa, mesmo assim seu aspecto continua deplorável. Quando saio da água percebo que meu corpo ainda possui muitos hematomas e arranhões. “Será que consigo me curar?”

Não sei bem como fazer, porém me esforço muito, fechando os olhos para me concentrar. Logo vejo que luz está irradiando de meus ferimentos e eles se curam, porém continuo com hematomas. “Talvez meus poderes não sejam somente destrutivos”.

Com esta aparência não posso andar pelo Reino. Chamaria muita atenção indevida das pessoas, talvez causando suspeitas. Decido que vou entrar nas cidades à noite, para que ninguém note a mim nem minha aparência. Sigo meu caminho em direção ao Reino.

Naquela mesma noite chego aos portões da muralha. Vejo que o Reino é próspero, porém percebe-se que ainda está muito desolado. Faz tantos anos que vim aqui, nesta época eu ainda era humana. Desde então a aparência de Serdin mudou muito, tudo devido à guerra contra Canaban que eu provoquei. Sinto uma grande dor em meu peito. Nem mesmo posso explicar as minhas amigas Princesa Anyu de Canaban e Princesa Enna de Serdin que tudo que fiz foi contra minha vontade. Vejo que estou prestes a chorar e resolvo mudar meus pensamentos, focando apenas ao local que devo ir.

Sei onde fica e vou flutuando furtivamente para meu destino. Aproximo-me das muralhas do Castelo de Serdin com cautela, não quero chamar a atenção dos guardas do local. Enfim chego a um prédio, sua aparência é rustica, em algumas janelas vejo uma fraca luz. É tarde da noite, e a luz da lua me dá certeza de que cheguei ao local certo. Entalhado acima da porta de entrada vejo símbolos muito conhecidos por séculos.

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Subo hesitante os poucos degraus e bato na porta. Vejo a luz acendendo e a porta, rangendo, se abre. Fico nervosa, sinto meu corpo tremer. Um senhor idoso me olha de cima a baixo. Preciso dizer algo, penso um pouco.

- Olá senhor, pode me ajudar? – digo num tom de voz calmo e baixo.

- Minha jovem, o que faz na rua há esta hora? Está ferida! O que lhe trouxe aqui? – disse o idoso parecendo estar muito preocupado.

- Vim de um local muito distante e passei por varias criaturas muito poderosas. Fiz tudo isso por que quero me aprofundar no estudo da magia em sua renomada escola. – disse quase chorando. “Talvez chorando ele me deixe entrar”.

O velho ficou comovido com minhas palavras. Fez um gesto para que eu entrasse e, calmamente, fechou a porta atrás de mim. Colocou a mão em meu ombro esquerdo e me conduziu naquele local.

- Venha, te levarei para seus aposentos. Você deve ser realmente apaixonada por magia, enfrentando tantos perigos somente para chegar aqui! – disse ele ainda preocupado – Qual seu nome minha jovem?

Fiquei apreensiva, não poderia revelar meu verdadeiro nome, porém no impulso acabei dizendo:

- Ca....Karina senhor. – depois de tantos anos acabei me acostumando com o nome imposto a mim “Cazeaje” e isso quase custou meu disfarce.

Andamos alguns minutos através de vários corredores e escadas. Fiquei perdida com aquele labirinto escuro, até que paramos em frente a uma porta feita de madeira com entalhes em cor dourada. O velho abriu a porta e me vi em um pequeno cômodo. Apenas uma cama simples e um armário, ambos feitos de madeira rústica. Ele entrou e abriu o armário, revelando varias peças de roupas dentro.

- Pode se acomodar e usar as roupas que estão aqui. De manhã mandarei uma de minhas professoras te acordar e te guiar por esta Academia. Se não precisar mais de mim, lhe deixarei em paz para descansar. – disse ele com um tom amável.

Agradeci e ele saiu. Deitei na cama. Como sempre não dormi, apenas meu corpo descansava enquanto minha mente vagava em pensamentos. Após algumas horas senti meu corpo totalmente descansado e não aguentava mais ficar deitada. Levantei, peguei o candelabro que iluminava fracamente o ambiente e me dirigi ao armário.

Ao abrir a porta vi dúzias de roupas, todos em tom roxo. “Academia Violeta, o que mais poderia esperar?” Sorri. Peguei um em minhas mãos, ele era bem trabalhado, com faixas douradas e tinha detalhes de pedras vermelhas que lembravam rubis, achei muito bonito. “Graças aos Deuses esta não é a Academia Verde Limão” Abri um sorriso largo. Pelo menos eu gosto da cor roxa. Joguei o vestido na cama e olhei no fundo do armário, havia vários sapatos lá. Fazia tantos anos que eu andava descalça, não me sentiria bem com algo apertando meus pés. Resolvi ignorar os sapatos e colocar o vestido.

 Vasculhei cada gaveta do armário, vi todas as roupas e analisei bem todos os sapatos. Como eu não tinha mais nada pra fazer resolvi ir ate a janela e olhar a vista. A luz avermelhada do sol da manhã enchia o quarto. Poucos minutos depois ouvi um bater na porta. Abri a porta e encontrei uma mulher, baixa, com cabelos brancos trançados, seus olhos e roupas eram violetas, seu vestido possuía desenhos de estrelas amarelas.

- Olá, sou Elena, veterana da Guilda dos Magos Violetas. Sou professora na Academia. Fui informada de que você chegou de madrugada, e minha função é orienta-la por hoje. – ela parou, talvez esperando uma resposta, como eu não me pronunciei e ela continuou a falar. – Serre me contou que você se chama Karina. Você dormiu bem esta noite?

- Sim, obrigado. “Então o velho de ontem se chama Serre”.

- Venha comigo, vou lhe mostrar o jardim desta Academia. Lá faremos um teste para ver como são seus poderes e assim poderemos começar a ensiná-la. – seu tom de voz parecia amigável, porém, sinto que tinha algo mais por trás desta jovem.

Passamos novamente por muitos corredores e escadas, vários alunos vestidos com tons de roxos passavam por nós. Tomei cuidado para não flutuar naquele local, não queria chamar atenção indevida. Chegamos a uma porta nos fundos do local que levava a um jardim espaçoso, cheio de grama verde e ao fundo podia ver crianças mostrando suas habilidades a seus mestres. Segui Elena até o centro do local, longe de todos os outros aprendizes. “Talvez ela tenha medo que eu machuque as crianças”. 

- Fique ai parada que eu vou me afastar um pouco. – sim, definitivamente ela tem medo de se machucar, sinto certa graça nisto. Ela parou há cerca de 10 metros e voltou a falar – Agora vamos testar suas habilidades. Consegue criar uma esfera de energia em minha direção?

- Sim, mas não quero machuca-la. – falei apreensiva.

- Não se preocupe, sei me proteger. Jogue com o máximo de poder que você conseguir.

-ESFERA ENERGÉTICA! – ela rapidamente chegou à maga que se abaixou para não ser atingida em cheio.

Sua expressão mudou, ficou mais seria. Ela materializou um cetro que possuía uma grande gema em sua extremidade. Olhou firmemente em minha direção. Não consegui entender sua expressão e fiquei preocupada.

- Vamos, jogue uma rajada de fogo em minha direção – disse ela confiante, segurando firmemente seu cetro.

Não hesitei e uma forte rajada foi em sua direção, porém foi absorvida pelo cetro. E assim foi a manhã toda, ela me mandando jogar rajadas, esferas, bolas de todos os elementos, que por fim eram sugados pelo seu cetro que a protegia de meus ataques. Após este teste fomos almoçar no refeitório e logo ela me levou para outra parte da Academia. Paramos em frente a uma grande porta, cheia de belas decorações que lembravam todos os tipos de golpes mágicos.

Ao abrir a porta vi um enorme salão. No fundo grandes janelas eram responsáveis pela iluminação do local. Penduradas nas paredes havia os mais diferentes objetos mágicos, cetros, cajados e outras ferramentas dos mais variados tamanhos, formatos e cores. No centro do local havia grandes cúpulas de vidro que abrigavam, cada uma, uma arma magica diferente. Pelo seu aspecto percebia-se que eram muito antigas e deviam ser motivo de orgulho para a Academia.

- Vamos arrumar alguma arma que lhe sirva. Venha comigo. – ela andou para dentro do salão. – Esses equipamentos servem pra fortalecer sua magia e ajudar a controla-la. Temos de achar algum que combine com você, se não combinar com seus poderes ele ficará acinzentado.

E assim se passou a tarde toda. No fim, não conseguimos achar nenhum equipamento que não acabasse com a aparência acinzentada e nos cobrindo completamente com sua fumaça. Quando Elena me levou de volta ao meu quarto o céu já estava escuro e era possível ver o cansaço em seu rosto. Ao chegar a meus aposentos ela me disse de forma breve que o dia de hoje foi muito produtivo e que no dia seguinte iriamos continuar com o treinamento.

Mais uma noite se passou, eu me perdi em pensamentos enquanto meu corpo descansava e quando não aguentava mais ficar na cama, olhei pela janela. Vi os muros e edifícios do Castelo de Serdin e prestei atenção na movimentação dos guardas em cima dos muros. O céu se tornou avermelhado e depois alaranjado e enfim ouvi a batida na porta. Ao abrir a porta vi Elena novamente, com um sorriso ela disse:

- Hoje vamos conhecer a biblioteca. Lá você aprenderá novas magias e feitiços. Venha comigo.

Percorremos outros corredores e escadarias. Vários alunos passaram por nós. Enfim chegamos à enorme entrada da Biblioteca. Havia inúmeras estantes lotadas de livros. Varias mesas onde alunos se recostavam para estudar. Não era possivel ver o fim do local, somente mais estantes e mais livros. Elena me guiou ate uma mesa próxima e sentei-me. Ela trouxe uma pilha de livros para mim, sentou-se e falou:

- Eu me encarreguei totalmente de sua instrução. Normalmente os alunos possuem vários instrutores, porém depois de muito argumentar com Serre ele permitiu. – falou ela um pouco magoada com Serre - Faremos assim: de manhã aprenderemos as técnicas nos livros e de tarde treinaremos no jardim. Fiz um cronograma, cada dia aprenderemos um estilo de magia diferente.

- Entendi, faz anos que você está nesta escola, por que ainda não é a diretora? – disse provocando suas emoções.

- Bom, creio que certas pessoas que estão no comando não sabem valorizar as pessoas. – disse ela bem irritada e evidentemente se referindo a Serre, diretor da Academia – bom, hoje gostaria de saber mais sobre você e também vou lhe contar mais sobre esta Academia e este Reino. Diga-me, seu nome é Karina, você tem sobrenome?

- Prefiro ser chamada só de Karina – nunca poderia revelar que sou Karina Erudon, senão todos saberiam que fui eu que causei tantos sofrimentos em Vermécia.

- De onde você veio?

- De uma aldeia de camponeses, além da Terra de Prata.

- Não sei se alguém já lhe disse, mas estamos em Vermécia. Este continente abriga dois Reinos, Serdin e Canaban. Eles estão se recuperando de uma guerra que nos assolou por 5 anos.

Enquanto ela falava da historia dos Reinos eu assentia com a cabeça. Sei exatamente tudo o que aconteceu, eu estava por trás de tudo. Esforço-me para não demonstrar nenhuma reação, porém estou muito triste, meu peito se aperta diante das palavras da maga.

- Por enquanto estamos em paz, mas há rumores de que o mal está retornando, obra de Cazeaje. As más línguas dizem que ela possui fortes aliados, como o poderoso Dragão Gorgos Vermelho e ate mesmo o Lendário Samurai Gaicoz. Sem contar que ela invocou poderosos monstros, como Orcs e Harpias na Floresta Élfica, terríveis Drillmons no Vale do Juramento, um monstro no Pântano Esquecido que todos andam chamando de Elizabeth e um Lich no Cemitério. E isso é só o que sabemos, ela pode ter causado muito mais caos nos Reinos, tanto no de Serdin quanto de Canaban.

- Ó Deuses, quanta destruição! – disse fingindo-me surpresa.

- Sim. Mas não precisa se preocupar, os Reinos estão tomando providências. Já chamaram muitos guerreiros renomados de toda a Vermécia e, pelo que sei, eles já estão passando por testes. Pretendem criar um grupo de elite para erradicar toda a maldade. Até mesmo uma aluna prodígio desta Academia foi convocada, ela se chama Arme.

- Ela deve ser realmente forte para ter sido convocada. – disse com real admiração.

- Ah sim, ela é! – senti certa ironia em seu tom de voz e rapidamente ela mudou de assunto - Bom, vamos nos concentrar em seus estudos. Por hoje você se aprofundará no estudo das diferentes magias e suas utilidades. Amanhã teremos o treinamento pratico.

Durante o dia inteiro fiquei fascinada ao aprender sobre os tipos de magia: branca - usada para curas, fortalecimento e proteção - e negra - usada de forma ofensiva. Também existem os três elementos principais: fogo, gelo e raio.

Há varias formas de canalizar os poderes, através de equipamentos mágicos. Os frequentemente usados são: cetro para magos iniciantes, cajados para magos poderosos, potes para os que são primariamente ofensivos, e raramente vemos os magos peritos nos três elementos usando suas lâmpadas.

Foi um dia de muito aprendizado. Fiquei muito feliz lendo os livros e ouvindo Elena falar sobre a magia e a Academia. Nem percebi o tempo passar. Há muitos anos não me sentia realmente satisfeita como me senti neste dia. No fim da tarde perguntei a ela:

- Elena, gostaria de fazer uma pergunta, se me permitir.

- Claro, você não me perguntou nada até agora, pode falar – disse ela entusiasmada.

- Você é perita em que tipo de magia?

- Eu me familiarizo mais com os três elementos, principalmente o fogo. Porém me sinto mais a vontade usando meu cetro, sei que não é o melhor equipamento para esse fim, mas ao usa-lo me sinto confortável. – disse ela sorrindo.

- Entendi, obrigada por responder. Pode me dizer por que não consegui usar nenhum equipamento ontem e por que todos ficaram cinza?

- Bom, esses artefatos servem para aumentar o poder dos magos, canalizando-os. Raramente há magos que possuem tanto poder, que quando canalizado se torna demais para o equipamento suportar. Creio que isso aconteceu, mas não se preocupe isso só mostra o quão forte você é. – disse com um tom de orgulho na voz, porém sentia algo estranho, parecia que no fundo ela estava triste. “Será que ela inveja meus poderes?”

Acenei com a cabeça mostrando que entendi sua explicação.

- Vamos para seus aposentos, já está tarde e você precisa descansar. Farei um treinamento puxado com você amanhã. - disse retirando os livros da mesa para guarda-los.

O mesmo caminho da noite anterior foi feito ate meus aposentos. Já deitada em minha cama, um pensamento de prendeu em minha mente. “Sinto algo estranho em Elena”. Ela é amigável, uma ótima instrutora, porém há momentos que ela exala uma energia ruim, cheia de inveja e ganância. Sinto que não poderei ficar muito tempo nesta Academia, porém gostaria de tê-la ao meu lado por toda a jornada que terei de enfrentar.

 

              Capitulo 4 - Treinamento Sem Fim Parte II

 

Mais um dia se inicia. Olhando pela janela só consigo pensar em tudo o que aprendi no dia anterior. Ate que o bater na porta me traz de volta à realidade. Abro a porta.

- Bom dia Karina, hoje será o primeiro de vários dias de treinamento intenso que programei especialmente para você. – disse ela mais entusiasmada do que o normal.

Primeiro dia - Magia Branca

Na biblioteca, dezenas de livros empilhados sobre a mesa me tampam a visão. Todos possuem a aparência de velhos e gastos.

- Há varias possibilidades para a Magia Branca. Desde escudos individuais ou em grupo, aumento de ataque, de defesa, curas e todo o tipo de fortalecimento.

- Que tipo de fortalecimentos? – disse curiosa.

- Estes são mais usados em objetos, tais como armaduras e acessórios. E para cada equipamento é necessário um ingrediente diferente. Por exemplo, eu sou especialista em Fortalecimento de Colares e para isso pode-se usar gemas, ou em alguns casos, um chocolate especial muito raro de ser encontrado.

- Você deve ser boa mesmo nestes fortalecimentos. – disse animada.

- Sou a melhor! – disse Elena com um ar convencido. Eu dei uma risada tímida e ela continuou a falar – É de suma importância para um mago saber se proteger, e por isso, a primeira coisa que todos aprendem é feitiços de proteção.

Comecei a ler vários livros que explicavam formas de criar escudos e barreiras magicas. Aprendi a melhorar atributos como força, vitalidade, defesa, entre outros. Fiquei surpresa ao ver que é possível paralisar e petrificar os oponentes, diminuir sua defesa, ataque. Não sabia que esta magia, considerada “branca”, pudesse ter tantas possibilidades.

De tarde fomos ao jardim colocar em prática tudo o que eu tinha visto. Posicionamo-nos no mesmo local que ficamos há dois dias. Elena começou a me dar instruções.

- Eu vi que você conjura suas magias somente com sua mente, porém você verá que será mais fácil se você fizer movimentos com o corpo e falar em voz alta os feitiços. Agora tente fazer um escudo em si mesma.

- Não entendi bem esses movimentos que quer que eu faça. – disse confusa.

- É só expressar o que o feitiço fará, por exemplo, se o escudo é em si mesma pode fazer um movimento envolta de seu corpo. Se for um escudo para o grupo, poderá fazer um movimento apontando aos membros do grupo. Só faça algo que se sinta a vontade.

Ao conjurar o escudo magico, pronunciei seu nome bem alto e fiz os movimentos que Elena mencionou. Incrível como realmente era mais fácil realizar feitiços assim. Tive certa dificuldade em conjurar magias para o grupo, porém depois de poucas horas eu já estava conseguindo realizar as magias mais facilmente.

- Bem, fico feliz que já está conseguindo conjurar tudo o que aprendemos hoje. Porém os escudos e barreiras que você criar devem ser fortes, se não de nada adiantam. Vou ataca-la com magias e você deve se defender, não tenha medo, não irei machuca-la.

Ela jogou uma rajada de fogo em minha direção, tentei me proteger com um escudo, porém ele se desfez rapidamente. Enquanto ela me dava dicas de como aperfeiçoar meus feitiços eu fazia progresso e no fim conseguia conjurar rapidamente barreiras de proteção razoáveis.

Quando o sol se foi no horizonte e a lua se mostrava tímida no céu nublado Elena encerrou nosso treinamento. Fui ao meu quarto relembrando tudo o que realizei durante o dia. Comecei a perceber algo diferente. Meu espirito somente se cansava quando meus poderes eram usados. Essa é a primeira noite, em muitos anos, que senti certa sonolência ao me deitar na cama. “Mais um dia se passou, o que será que me espera amanhã?”

Segundo dia – Magia Elemental Raio

 

Já havia virado rotina: levantar, olhar pela janela, ver o dia nascer, me perder em pensamentos e voltar à realidade pelas três batidas na porta dadas por Elena. Ao abrir a porta, ela sempre estava radiante e entusiasmada para me ensinar novas magias.

Passando por labirintos de corredores e escadas, desviando de jovens alunos violetas que passavam por nós nos estreitos corredores chegamos à imensa Biblioteca. Livros e mais livros, todos empilhados em nossa pequena mesa madeira.

- Magias de raio são mais limitadas, mas muito poderosas. Limitadas no sentido de não ter muitas variações de feitiços, mas seu poder de ataque é enorme e é possível ate mesmo causar choques no inimigo por certo período de tempo.

Li em diversos livros sobre como controlar as enormes forças dos raios. Vi como se proteger ao conjurar raios e como não atingir aliados. É possível conjurar raios a partir de sua arma magica e também diretamente dos céus, e neste último, eles ficam significativamente mais poderosos. Aprendi as melhores situações ao se usar raios – contra inimigos aquáticos – e também quando ele se faz inútil – contra inimigos petrificados.

Já no jardim Elena me instruiu sobre a forma de se conjurar raios. Explicou que ao conjurar raios em linha reta eu deveria ter cuidado redobrado, pois o ataque não sairia de minha arma e sim de meu corpo. Ela demonstrou como conjurar raios dos céus. Ela apontou seu pequeno cetro para cima e ele começou a brilhar, varias nuvens escuras iam se aproximando e se juntando em nossas cabeças e em um instante ela abaixava rapidamente seu cetro luminoso, invocando assim poderosos raios em volta de si.

- Realmente magnifico! – disse após aquele ataque.

Ela me ensinou e rapidamente eu já conseguia conjurar vários raios, porém não tão poderosos quanto os dela. Mas ela sempre me dizia “A força de suas magias é só questão de prática”. Neste dia terminamos o treinamento mais cedo. Elena logo pediu para conversarmos a sós, eu concordei e ela me levou para uma sala cheia de pinturas e nomes de magos. Havia uma grande mesa no centro da sala, como se esta fosse frequentemente usada para reuniões. Sentamo-nos.

- Gostaria de conhecer mais sobre você e sobre seus poderes Karina. – Senti uma aura estranha a envolvendo, essas palavras escondiam mais do que simples curiosidade – Você não é uma maga de nascença, não é?

- Por que está me perguntando isso? – disse cautelosa.

- Não sei se você percebeu, mas os magos possuem certa característica. Normalmente tem estatura mais baixa e seu poder só aumenta conforme praticam a magia. Você, porém, é bem alta e seu poder é inigualável, mesmo um mago experiente precisa de décadas de treino para chegar a este patamar. – havia certa admiração e dúvida em seu tom de voz.

- Tudo bem, lhe direi a verdade. Este poder foi concedido a mim. – ela arregalou os olhos.

- E quem lhe deu? – havia presunção em sua voz.

- Elena, diga-me a verdade, você deseja se tornar mais poderosa, não é mesmo? – em um gesto espontâneo ela concordou com a cabeça, continuei a falar – Você não merece ser uma simples professora nesta Academia, você deveria ser a própria diretora, mais ainda, deveria comandar seu próprio Reino. - Sua expressão mudou, ela estava vidrada em minhas palavras, perdida nos pensamentos de tornar-se Rainha, ter imenso poder.

- Fique ao meu lado, e se me ajudar a fortalecer meus poderes, posso lhe dar tudo o que desejar e tudo o que você merece, mas não pode contar a ninguém de nosso acordo. – meu tom de voz era calmo e sério, gostaria muito de ter uma poderosa maga como aliada.

- Aceito seus termos e estarei ao seu lado onde quer que você vá. – havia segurança em suas palavras, sei que ela jamais me abandonaria.

Continuamos conversando sobre o futuro brilhante que nos aguardava. Algumas horas depois voltei ao meu quarto, feliz por ter conseguido me aliar a Elena.

Terceiro dia – Magia Elemental Gelo

De volta à rotina. Levanto, olho o dia nascer, penso sobre a conversa que tive no dia anterior com Elena, ouço a batida na porta, abro a porta e sou recebida com as felizes palavras da maga de cabelos brancos:

- Bom dia Karina, vamos aprender muitas coisas hoje, espero que tenha descansado bastante, pois pegarei pesado com você. – me agrado de suas palavras.

Chegamos à Biblioteca. Cada dia que entro neste local ele parece aumentar em tamanho. Há tantos livros em minha mesa que ate mesmo bloqueiam a luz do sol.

- Magias de gelo são muito versáteis. Podem-se criar resistentes barreiras com elas, conjurar poderosas nevascas, paralisar o inimigo e tudo isso de diversas formas diferentes. Então se prepare para ler muito hoje.

Li tantos livros naquela manhã que não vi o tempo passar. Vi tudo sobre conjurar gelo. Vi formas de proteção, ataques em área e até mesmo li sobre congelar pessoas. Também aprendi que não é sábio utilizar este elemento contra magos de fogo. Por fim almoçamos e fomos para o jardim. Elena começou a me treinar.

Fiz barreiras, flocos de gelos gigantes, ate mesmo consegui conjurar fracas nevascas. E por fim ela me ajudou a fortalecer minhas magias, para que fosse difícil de quebra-las ate mesmo usando fogo. Num último momento ela me surpreendeu:

- Agora me congele - fiquei assustada, sei que poderia mata-la com o congelamento.

Joguei um floco de gelo em sua direção, pequeno e fraco. Era evidente que eu não queria fazer aquilo. O floco foi indo lentamente em sua direção e quanto mais chegava perto, mais eu ficava apreensiva. Por fim ele tocou na mão direita de Elena, e ela ficou paralisada, sua pele começou a ficar rígida e com um ligeiro tom esbranquiçado. Corri para perto dela. Não sabia o que fazer. Depois de infindáveis minutos, o gelo começou a derreter e Elena voltou ao normal, então sorriu e disse:

- Muito bem, para uma primeira vez foi ótimo, seu poder é realmente enorme.

Continuei praticando, criando flocos de neve e nevascas até que a sombra da noite nos cobriu. Voltamos ao quarto, exaustas. Deitei na cama e pela primeira vez em muitos anos eu consegui cochilar por algumas horas.

Quarto dia - Magia Elemental Fogo

 

Abro os olhos. Fico pasmada por ter cochilado. Levantei num pulo da cama, estou realmente animada. Fui ate a janela, vi o céu avermelhado da manha. Não importa quantas vezes eu o veja, sempre me surpreendo por seu esplendor. De repente uma sensação de arrepio percorreu meu corpo, senti estar sendo observada. Aquela sensação de calma e frescor da manha passou como num estalo.

Olho em volta, apreensiva. Vejo os guardas do castelo fazendo sua patrulha rotineira em cima e envolta das muralhas do Castelo. Olho as ruas da cidade, poucas pessoas transitando, como de costume. Observo atentamente meu quarto, tudo está normal, todos os móveis em seu devido lugar. Porém tenho certeza de que há uma presença muito poderosa a me observar. Ouço as batidas na porta, que me trazem de volta a realidade. Abro a porta.

- Bom dia Karina. Hoje será um grande dia, espero que esteja pronta. – disse Elena entusiasmada.

Percorremos o labirinto ate a Biblioteca. É incrível que mesmo fazendo o mesmo caminho durante dias, eu ainda me perca totalmente nele. Sento-me a mesa da Biblioteca e incrivelmente vejo apenas 3 livros em minha frente. Com certeza minha expressão facial revelou minha dúvida referente à quantidade de livros, pois ao me observar Elena falou:

- Hoje aprenderemos sobre o Elemental Fogo. Não se preocupe, por ser minha especialidade lhe ensinarei tudo o que sei. Não vai precisar dos livros. – ela sorriu, estava dizendo com um ar de arrogância.

Li os poucos livros, depois passei toda a manha ouvindo Elena explicar sobre o Fogo. Um tipo de magia muito ofensivo, sendo possível criar bolas de fogo, barreiras de fogo, brisas de fogo e ate mesmo itens relacionados ao fogo, como invocar meteoros e esferas flamejantes. Por fim almoçamos e fomos ao jardim.

Comecei jogando bolas de fogo pequenas, depois grandes esferas de fogo. Consegui criar brisas de fogo e fui repetindo estas magias até que ficassem realmente poderosas. Por fim chegamos ao ponto alto de meu treinamento.

- Agora que você já consegue controlar bem o fogo, vamos tentar algo mais poderoso. Quero que você crie uma chuva de meteoros flamejantes. Criarei uma barreira de proteção em nossa volta, assim eles não atingirão o solo. – disse Elena.

- CHUVA DE METEOROS! – disse bem alto, focalizando minhas forças e concentrando meus pensamentos. Fiz um movimento vertical com o corpo, agachando ao solo, de olhos fechados e ao fundo pude ouvir barulhos de objetos descendo dos céus. Por fim houve o forte impacto contra a barreira criada por Elena.

Não sei dizer quantas vezes repeti os mesmos golpes, fechei os olhos, ouvi barulhos de impactos na barreira magica, ou ouvi Elena orgulhosa me aconselhando. Mas sei que, eu estava tão cansada, que realmente não me lembro de ter chegado ao meu quarto.

Quinto Dia – Magia Negra

 Quando abri meus olhos no meio da noite, senti novamente a presença poderosa me observando. Meu tempo aqui nesta Academia está acabando.

- Tudo bem Karina? Bati varias vezes na porta e você não respondeu, fiquei preocupada. – Disse Elena com o semblante aflito.

- Sinto que não poderei ficar mais tempo nesta Academia. – disse enquanto começamos a fazer nosso caminho ate a Biblioteca. – Alguém me observa.

- Se acalme Karina, hoje lhe ensinarei a ultima parte essencial da magia, a Magia Negra. Nos próximos dias focaremos em aprimorar o que você já conhece.

- Elena, se eu precisar de sua ajuda em tempos futuros, poderei contar com você? – disse receosa, não sabia nem o que o futuro aguardava e nem se Elena aceitaria ficar ao meu lado.

- Serei sua aliada, não importa pelo que passemos ou o que nos aconteça. – ela falou confiante, havia muita sinceridade em sua voz.

Fiquei aliviada com suas palavras. Enfim chegamos à Biblioteca e desta vez não havia livros na minha frente e sim vários frascos com líquidos dentro e alguns pergaminhos com aparência muito velha.

- Achei que teríamos aula de magia e não de ciência – disse em tom de piada.

- Querida, magia é uma ciência. – disse Elena rindo - Quero que você aprenda tudo sobre venenos - disse apontando pros frascos – e também sobre maldiçoes – disse apontando para os pergaminhos.

Na “aula” Elena me contou tudo o que podia ser feito, desde envenenamentos, ate mesmo maldiçoes, tais como, Amedrontar o inimigo, diminuindo seu ataque ou sua defesa, ate ao ponto de conseguir cegá-lo ou fazê-lo perder forças rapidamente. Prestei muita atenção a tudo que saia de sua boca, com certeza me identificava com este tipo de magia.

A tarde, no jardim, não treinei meus poderes em Elena. “É muito perigoso, se for mal feita, pode causar danos permanentes em quem é afetado pela magia” disse ela. Então ela fez uma Boneca, sim, uma Boneca de palha para que eu treinasse minhas magias nesta. Ao proferir um feitiço arcano, ela se ligou ao boneco, podendo assim sentir minhas magias e podendo me instruir. “Ah não, tem como isso ficar pior?” pensei, rindo, ao ver a Boneca.

 

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Após algumas poucas horas de treino, chamei Elena próxima a mim. Gostaria de perguntar-lhe algo que me atormenta desde que fui amaldiçoada por Astaroth e desenvolvi estes poderes. Cheguei perto de seus ouvidos e sussurrei:

- Com Magia Negra, é possível criar Fendas Dimensionais? – disse com certa preocupação na voz. Ela pensou por alguns instantes, que pareceram décadas.

- Nunca vi ninguém que consiga fazer isto, mas há rumores de Magos muito poderosos que conseguem abalar o equilíbrio entre Dimensões. Mas são só lendas. – disse também sussurrando, havia certa incerteza em sua voz – Bom....você é poderosa, talvez se treinar muito e aumentar seus poderes, até consiga.

Guardei bem suas palavras. Talvez esta fosse a forma de sair de meu cativeiro, onde Astaroth me jogava depois de eu ter realizado suas vontades. Continuamos com o treino e nada mais sobre este assunto foi mencionado.

No inicio da noite, ao fazer o caminho para o quarto, Elena parecia incomodada. Até que, depois de longos minutos, ela quebrou o silencio.

- Hoje eu também senti a presença nos observando. – disse ela preocupada - Se algo lhe acontecer, saiba que lhe seguirei para onde for. Não estará sozinha. – ao ouvir suas palavras eu sorri, senti muito conforto e alivio.

Entrei em meu quarto e como sempre deitei na cama. Ate que a escuridão cobriu o ambiente. Uma forte luz apareceu em minha frente e pude ouvir sua voz.

- TRAIDORA! – vociferou – Dou-lhe mais poder e é assim que me retribui? Brincando com maguinhas?

- Estava aprendendo sobre magia! – gritei – aprendendo a lidar com a MALDIÇAO que VOCÊ me jogou.

- Eu lhe fiz aproveitar a vida medíocre que você tinha como humana – havia raiva na voz – você nada mais devia ser além de grata a mim pelo Dom que eu lhe dei, garota insolente!

- ISSO NÃO É VIVER! Você só me trouxe desgraça e dor! – respondi a altura – Tudo o que me aconteceu depois de receber este seu “Dom” foi sofrimento, para mim e aqueles que eu amava. Devo lhe agradecer por ser causadora do maior caos que Vermecia já viu?

- Pois bem, já que despreza tudo que lhe dei. - sua voz estava carregada de maldade – A vida e o poder que muitos matariam para obter, você não mais terá uma vida. – sua voz soou grave e a ouvi como que no fundo de meus ossos.

Neste momento o chão desapareceu. Sim, novamente estava sendo enviada a uma Fenda Dimensional, porém me sentia como que caindo. Tudo estava em câmera lenta. A luz forte perdia cada vez mais seu brilho. A escuridão me abraçava. Não havia pensamentos em minha mente. Caindo.

Ate que um forte impacto me atingiu nas costas, como se tivesse atravessado paredes de vidro. Neste momento eu soube que não era uma simples Fenda Dimensional. É muito mais. Continuei caindo. Depois de vários momentos, poderiam ser instantes, poderiam ser horas, finalmente atingi o chão. Ao olhar em volta somente um pensamento estava em minha mente:

“Certamente não estou mais em Ernas”

 

              Capitulo 5 - A Outra Dimensão

 

Olho em volta. Tudo escuro, com um tom azulado. Vejo poucas nuvens no céu que dão destaque e uma grande e esbranquiçada Lua. Tudo está calmo, um silêncio toma conta do lugar, é um silencio apavorante. O chão é feito de rochas, mas parece que tudo foi ou está sendo despedaçado lentamente. Densa neblina se estende, me impedindo de ver a paisagem ao longe. Percebo certas formas suspensas por entre a névoa, como correntes. No horizonte há fracos pontos de luz em tom roxo azulado, ao vê-los sinto arrepios em meu corpo.

Porém algo em mim está mudado. Olho para meu corpo, ele está diferente. É possível enxerga-lo, porém sei que ele não é mais um corpo físico. Do meu lado se encontra um cristal, tem forma triangular e está flutuando em uma espécie de pedestal feito de rochas. Ele brilha no mesmo tom roxo azulado que vi antes. Sinto uma ligação com ele, tal como se ele e eu fossemos um só.

Sinto presenças se movimentando a certa distancia de mim. Começo a flutuar naquela direção, totalmente alerta. Depois de andar alguns minutos vejo nos céus, imensos dragões. Sim, dragões voando ao longe e jogando rajadas de fogo em direção ao chão. Fico curiosa. Vou rapidamente naquela direção.

Ando por algum tempo, mas quanto tempo, exatamente, não consigo dizer. O tempo se move de forma diferente neste local. A lua fica imóvel no céu, somente há uma leve brisa do vento que movimenta lentamente as nuvens. Quanto mais me aproximo vejo com mais frequência os dragões voando e atacando o chão, com seus horripilantes rugidos furiosos e o insistente bater de suas enormes asas.

Começo a ouvir vozes, gritos e ordens sendo dadas. Lembro-me da Guerra de Vermécia que eu provoquei, no mesmo momento me falta o ar e fico ofegante. Presto atenção nos sons que chegam aos meus ouvidos, ouço barulhos de tiros, mais gritos. A densa neblina que me impede de ver o ocorrido começa a se dissipar. Uma luz alaranjada brilha fortemente, são as chamas jogadas pelos dragões que dançam freneticamente ao serem estapeadas pelo forte vento lançado pelas asas das criaturas voadoras.

Começo a ver as formas das criaturas que lutam contra os dragões. Humanos. Aproximo-me, começo a sentir o calor do fogo, o incessante barulho de tiros. Há tantos gritos ao meu redor que não consigo entender o que é dito, o vento forte me empurra para o centro da batalha. Estou há poucos metros, posso ver os imensos dragões que se revezam entre atacar os humanos do chão e do céu. “Mas essas criaturas não são humanas!”

Estou há cerca de trinta metros da batalha, me segurando para o vento forte não me levar longe e desviando das labaredas ardentes. Vejo que os “humanos” possuem características únicas. Sua pele tem um tom rosado, a grande maioria possui olhos vermelhos que parecem brilhar de acordo com a fúria que estão sentindo. A maioria tem cabelos castanhos, porém os que dão ordens a eles possuem cabelos louros.

Estes seres humanoides lutam com determinação, porém os dragões estão se sobrepondo contra eles. Vários soldados são atingidos pelas chamas, alguns caem durante a batalha pelo forte vento, outros são esmagados pelas gigantescas patas ou abocanhados pelos dragões. Sinto meu coração acelerar. Destaca-se no meio dos soldados um ser grande, o dobro da altura dos outros, creio que seja o General. Ele também entra na guerra, prova de que seu exército está em apuros. Ele empunha uma espada, quase de seu próprio tamanho, e sem hesitação atinge os dragões com golpes certeiros.

Ele faz um movimento com o braço e logo vários meteoros caem, pegando de surpresa os dragões, forçando vários a pousar. Um deles pousa cerca de 20 metros a minha frente. Vejo que sua pele escamosa tem varias falhas, muito sangue escorre. Suas asas possuem muitas perfurações de balas, ele anda cambaleante, certamente está cansado. “Os soldados não estão em tanta desvantagem assim” pensei. O General desaparece do campo de batalha e segundos depois reaparece ao lado do Dragão que está a minha frente.

Ele crava sua espada no chão e profere palavras impossíveis de se entender, sua voz é alta e bem grossa. Olho para cima. Os poucos dragões que ainda voavam estavam agora nos rodeando nos céus. Sinto um frio na barriga, um arrepio na espinha. O General termina de falar e em poucos instantes, o Dragão cambaleante à nossa frente é petrificado. Ele vai triunfante em direção à criatura, quando ele começa a golpeá-lo com sua lamina ouço barulhos acima de nós. Neste momento não pensei, agi por instinto.

- ESCUDO MÁGICO! – conjuro em nós dois uma das magias de proteção que aprendi com Elena. No mesmo momento uma coluna de fogo cai em nós.

Concentro-me para não deixar que o escudo acabe, mas o fogo é poderoso. Sinto minhas forças saindo de meu corpo e no último instante sou abraçada pelo calor das chamas. Não consegui manter o escudo por tempo suficiente. Ate que em um instante o alaranjado em volta de mim some. Com a visão turva e sentindo meu corpo arder. Vejo que o General olha em minha direção. Escuridão.

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Recobro os sentidos. Meu corpo ainda arde. Ouço em volta barulhos, assemelham-se a pessoas conversando, andando, não sei ao certo. Minha cabeça dói. Abro lentamente os olhos. Uma luz forte invade minha visão. Vejo vultos se movendo. A luz diminui de intensidade e minha visão se torna mais nítida. Me encontro deitada em uma cama.

Estou em uma sala, com paredes claras e varias camas ao lado da minha, cerca de dez. Vários outros seres estão deitados nestas camas. Creio que são os soldados que eu vi lutando contra os dragões. Todos possuem cabelos castanhos e estão dormindo. Enfaixados em varias partes do corpo e com sangue em suas roupas, seus lençóis e manchando suas ataduras. Tento me mover, porém sinto fortes dores em todas as partes de meu corpo, solto um grito de dor e logo volto a posição que estava.

Uma garota se aproxima de minha cama. Ela possui as mesmas características dos homens, porém seus cabelos são compridos e ela usa um vestido com um avental manchado de vermelho. Ela olha em meu rosto, possui um olhar calmo, porém preocupado.

- Consegue me ouvir? – diz ela calmamente.

- Sim – minha voz sai falha, como em um sussurro.

- Tudo bem, não tente falar nem se mexer, você ainda está muito fraca. Você teve varias queimaduras pelo corpo e acabou desmaiando. Vamos cuidar de você e em poucos dias já estará curada. – logo após isso ela se afastou de mim.

O quarto era iluminado pela luz fria que provinha das janelas. Percebi que em certos períodos havia uma luz forte e esbranquiçada e em outros uma luz fraca e azulada. Como não consigo distinguir as horas e nem períodos diurnos e noturnos, adotei a fase com luz mais clara como “dia” e a mais escura como “noite”. Passaram-se cerca de três dias e a jovem garota me alimentava com líquidos, a maioria com gosto terrível e trocava frequentemente minhas ataduras. Por fim, a dor diminuiu e, com muito custo, consegui sentar em minha cama.

Estava perdida em pensamentos, lembrando-me da Guerra que presenciei quando algo chamou minha atenção. Atravessando a porta está o General que eu protegi na guerra. Possui cerca de 2 metros, usa mascara e uma armadura larga que cobre todo o seu corpo. Ao se aproximar vejo que ele não está armado de sua espada e percebo que possui asas em suas costas. Ele anda lentamente em minha direção, seu porte impõe respeito. Ate que para ao lado de minha cama, fico apreensiva.

- Fiquei impressionado pelo que fez por mim. – sua voz era baixa e grave – me chamo Gadosen e sou o Comandante do Exercito. Qual é seu nome?

- Cazeaje. – minha voz soou baixa e fraca.

- Cazeaje! Estou em divida contigo. Você salvou minha vida. Posso saber quais foram suas intenções ao fazer isso?

- Não queria morrer. – não havia realmente intenções ocultas por trás de meus atos.

- Entendo. Sei que você não é um Haro. Diga-me de onde veio e como acabou neste local. – disse de forma autoritária. Estava fraca demais para contestar, então comecei a explicar.

- Eu era uma humana, vivia em Vermécia. Fui literalmente jogada neste local, porém ainda não sei onde estou. – digo pausadamente, ainda sinto-me bem fraca.

- Vermecia? – diz ele pensativo – Deve ficar em Ernas. Pois bem, ao me salvar você tomou partido na batalha. Como você nem deve saber do que se trata vou explicar a situação. – ele faz uma breve pausa esperando minha resposta, eu faço um sinal afirmativo com a cabeça e ele continua a falar – Estamos em Hades. É neste local que a alma dos mortos vem para serem julgadas. Se elas forem boas, tem a permissão de se tornarem Haros. Nós Haros mantemos a ordem do Submundo. E há um grupo de Elite, chamado de Caçadores de Recompensa. Eles são responsáveis por impedir que os espíritos ruins saiam de Hades e, quando saem, os Caçadores vão atrás deles em qualquer dimensão que eles estejam.

No momento que ouvi a palavra “dimensão” lembrei-me de Astaroth. “Ele consegue abrir Fendas Dimensionais” pensei. Agora tudo fazia sentido, fui jogada neste local através de uma Fenda Dimensional criada por ele. Repentinamente uma fúria toma conta de mim. “Aquele maldito me jogou no Submundo” somente conseguia pensar em me vingar de Astaroth.

- Tempos atrás - continuou Gadosen – os Dragões, que eram aliados dos Caçadores, se rebelaram. Eles queriam ser independentes e iniciaram uma guerra contra os Haros. Seu líder, Berkas, conseguiu escapar de Hades, mas os outros continuaram na batalha. Você chegou numa destas batalhas e como me protegeu conseguimos vencer. Os poucos dragões que sobreviveram voltaram aos seus ninhos e, com certeza, logo voltarão para outra batalha.

O assunto é serio, mas não posso continuar nesta guerra. Gadosen se retira dizendo que, quando eu estiver completamente curada voltaremos a conversar sobre o assunto. Cerca de sete dias depois meu corpo voltou ao seu perfeito estado. Fui convocada por Gadosen ao Quartel General. Atravesso algumas ruas da pequena vila. As casas são feitas de rochas escuras, todas com aparência semelhante. Ate que entro em uma destas casas e sou guiada à sala onde Gadosen se encontra.

Atravesso a porta e olho o local. Há uma janela na parede a minha frente, uma mesa no canto direito da sala, cheia de papeis, Gadosen parado perto da porta, provavelmente me aguardando, e percebo que na parede oposta à mesa está encostado um Haro. Sua postura é arrogante, parece ter em torno de 20 anos e está distraído ao limpar suas armas de fogo, seus cabelos são loiros e sua franja cobre um de seus olhos. O outro olho, vermelho como rubis, está olhando em direção à sua arma e demonstram frieza e amargura.

Gadosen anda em direção ao garoto, vira de costas para ele e começa a falar comigo. Sua voz é seria e sua postura autoritária.

- Cazeaje, temos assuntos a tratar. Receio que minha conversa contigo no hospital não foi clara, pois você não estava em sua plena consciência – ao falar esta frase virou-se levemente em direção ao garoto, este nem se moveu, havia rispidez em sua voz – então vamos retomar o assunto. Pode me dizer por que estava no campo de batalha?

- Fui lançada a este mundo. Não sabia onde estava e comecei a andar, vi dragões voando e atacando e fiquei curiosa. Ao chegar perto da guerra, fiquei observando, paralisada.

- E porque você me salvou? – perguntou Gadosen

- Vi o Dragão ferido pousando poucos metros a minha frente e logo você veio ataca-lo. Porém percebi que dragões estavam voando acima de nós, você não havia notado e, por instinto, nos protegi do ataque. – disse de forma seria quase indiferente.

- Agora você pretende nos ajudar na guerra contra os dragões? Seu poder certamente seria muito valioso.

- Me desculpe, mas já me envolvi em guerras antes e não pretendo passar por isso novamente. Nunca quis tomar lado algum na Guerra de vocês e minha única intenção é sair do Submundo. – disse de forma confiante.

- Criaturas que estão em Hades nunca poderão sair. Se você tentar sair os Caçadores irão a sua procura para te trazer de volta. – disse Gadosen, o garoto encostado na parede só ouvia, não parecia se importar com o assunto.

- Você havia me dito que aqui são trazidas almas dos que morreram. Porém eu não morri, fui trazida por um ser que creio que não pertence a este local. E sinceramente só quero poder voltar. – disse em um tom suplicante. Gadosen olhou levemente para o garoto que continuou com sua expressão fria.

- Peço que se retire. – disse Gadosen - Logo a chamarei novamente.

Esperei do lado de fora da sala. A porta fechada me impedia de ouvir a conversa. Longos minutos se passaram. Raramente Gadosen se exaltava na conversa e eu podia ouvir alguns de seus gritos raivosos. Ate que por fim fui chamada novamente para entrar. Desta vez Gadosen estava de cabeça baixa e apontou para o garoto. Este havia guardado suas armas de fogo, estava de braços cruzados ainda encostado na parede e seu olhar exalava ódio.

- Me diga a verdade – sua voz era baixa, grave e causava arrepios – você não pertence ao Hades?

- Não! – disse com confiança

- Entendo. – sua expressão mudou, estava agora com um sorriso orgulhoso nos lábios - Sei que você não é desta dimensão. Por não ter morrido, sua alma não está sendo julgada e por isso seu corpo está entre o espectro e a carne. Logo, por ser um espectro, se voltar para Ernas não terá um corpo lá e, se ficar, devido ao seu corpo ser, em parte, físico não sobreviverá muito tempo, pois ele irá se decompor e você será extinta – aquilo me arrepiou, não quero morrer, ainda preciso me vingar de Astaroth que me jogou neste fim de mundo.

- Não há alguma coisa que posso fazer? Desejo trazer para cá o maldito que fez isto comigo. – disse enfurecida

O garoto olhou para Gadosen, este imediatamente se retirou da sala, com a cabeça abaixada e fechou a porta. Fiquei impressionada, um General com o poder como o dele sendo subordinado a esta criança. O jovem se aproximou de mim com um olhar serio, não parecia ter emoção alguma.

- Vou esclarecer as coisas. Sou Lupus Wild, líder da tribo dos Haros. O que lhe aconteceu nunca ocorreu aqui no Hades, porém, estamos no meio de uma guerra. Sua situação é a ultima coisa com que preciso me preocupar. – ele fez uma pausa, senti meu coração acelerar. “Passei por tantas coisas para acabar presa no Submundo?” Uma fúria tomou conta de meu corpo, inúmeros pensamentos de dor e vingança invadiram minha mente. Até que Lupus voltou a falar, me tirando do meu transe.

- Porém - disse ele com desgosto – consigo sentir que você tem um grande poder, que seria muito útil na guerra, sem contar que você mencionou que possui experiência em batalhas. Se você concordar em apoiar os Haros, estou disposto a encontrar um modo de voltar a sua dimensão para vingar-se do ser que te trouxe para cá. – nesta ultima frase havia ódio em sua voz, ele também tem sede de vingança, posso sentir.

- E se eu concordar e você não conseguir encontrar um jeito de eu sair daqui?- disse séria.

Ele me olhou nos olhos. Encarou-me como se eu o tivesse desafiado. Senti medo. Um ser que, mesmo tão jovem já lidera um povo e um exército, com certeza ele não tolera ser desafiado. Em um reflexo, vi sua mão direita ir de encontro a uma de suas armas que estava guardada em seu cinto. Meu coração disparou. Minha respiração ficou ofegante. “Vou morrer aqui e agora”. Institivamente inclinei levemente meu corpo para trás.

- Dou-lhe minha palavra que você sairá do Hades. Apenas não nos decepcione, senão eu mesmo matarei você. – suas palavras baixas e aterrorizantes entraram por meus ouvidos e ressoaram em meus ossos. Fiquei apavorada. Sabia que ele estava falando muito serio e se não houvesse uma guerra com certeza já teria me matado.

- Entendo – disse e abri um sorriso presunçoso – quais são minhas instruções?

              Capitulo 6 -  Um Novo Ser

 

 

A guerra entre os Haros e os Dragões era feroz. Eu me encontro ao lado de Gadosen, que dá ordens aos seus subordinados. Os soldados a minha frente atiram contra os Dragões que voam acima de nós. Olho tudo atenta, aguardando o momento de usar meus poderes. Os Dragões rugem alto para tentar superar o barulho de tiros que inundam o local. O vento de suas asas que é jogado contra nós nos empurra violentamente.

- Fique atenta. Logo os Dragões começarão a soltar rajadas de fogo, esteja pronta para agir – Disse Gadosen olhando para frente, prestava muita atenção no campo de batalha enquanto segura firme sua espada.

Eu estou totalmente alerta. Os Haros atacam sem piedade. Posso sentir os respingos de sangue que caem do céu, das feridas de bala que os Dragões recebem. O cheiro de sangue fresco é forte, o barulho da batalha é ensurdecedor. Logo vi um Dragão abrindo a enorme boca, sabia o que devia fazer.

- Agora! Proteja-os! – gritou Gadosen. Enquanto ele ainda falava, eu já havia conjurado uma BARREIRA MÁGICA acima de todos os soldados.

Concentrei-me para conseguir manter a Barreira. O fogo veio rapidamente ao nosso encontro. A Barreira não estava muito acima de nós. As chamas se espalharam, a visão era maravilhosa, labaredas vermelho alaranjadas nos rodearam, pareciam dançar acima de nós. Depois de poucos minutos, o fogo cessou e eu desfiz a magia.

Os Dragões pareciam enfurecidos. Cerca de três dezenas rugiam de raiva, seu objetivo é nos amedrontar, e, sinceramente, eu estou agradecendo as Deusas por não estar na frente de batalha. Cinco das enormes criaturas pousaram para nos atacar por terra. Os soldados correram para não serem esmagados por suas patas.

- Agora você deverá prestar atenção a todos os Dragões em terra, impedindo que eles firam nosso exército. – ordenou Gadosen, ainda concentrado na batalha a nossa frente.

Sinto-me aflita. Devo prestar atenção a tantos lugares ao mesmo tempo. Meu coração começou a bater forte em meu peito. Eu teria que conjurar rapidamente uma série de magias poderosas e ainda mantê-las por algum tempo. “Essa situação com certeza me fará mais forte e aumentará meus poderes” pensei, tentando ser positiva. O primeiro Dragão girou seu enorme corpo com o objetivo de derrubar os Haros com sua cauda.

- ESCUDO MÁGICO! - Criei escudos em todos próximos ao local, para que não sofressem muito dano.

Outro Dragão ameaçou jogar uma rajada de fogo contra os soldados. Criei uma BARREIRA MAGICA em volta do Dragão, assim ele levaria dano do próprio ataque.

Um terceiro Dragão levantou sua enorme pata dianteira, pretendia esmagar os soldados a sua frente. Ele estava mais distante de onde eu me encontrava. Teria de agir rápido.

- PARALISAR! – exclamei e no mesmo instante o Dragão ficou imóvel com sua pata a poucos metros do chão.

“Não vamos ganhar agindo assim” pensei. Apesar de os Haros serem poderosos, seus ataques demoravam algum tempo para debilitar os dragões, afinal: pequenas balas contra Dragões de Ferro! Parece algo injusto. Olhei para o lado e vi Gadosen. Sua mão apertava cada vez mais sua espada, ele sabia que logo deveria começar a atacar para equilibrar a batalha. Repentinamente uma ideia surge em minha mente. Isto pode significar nossa vitória.

Fecho os olhos e começo a recitar palavras que li em um dos pergaminhos que Elena me mostrou. Eram poucas palavras, mas nestes instantes um Dragão abocanhou alguns soldados, isto fez Gadosen perceber que eu não estava prestando atenção à luta.

- CRIATURA INSOLENTE!!  - gritou para mim furioso – Os Haros precisam de sua ajuda e você fica ai de olhos fechados? – eu estava nas palavras finais do feitiço – FAÇA ALGO!

- MURMÚRIO SOMBRIO! – Estas palavras selaram a Maldição. No mesmo momento abri os olhos.

Todos os Dragões rugiram de dor ao mesmo tempo, fazendo Gadosen desviar o olhar. Vi que vários soldados se assustaram com o enorme estrondo repentino. Também vi vários caídos no chão, alguns inconscientes.

- CURAR! – disse algumas vezes seguidas, direcionando aos que estavam mais feridos.

Naquele momento a batalha estava a favor dos Haros. Os Dragões continuaram urrando de dor. Tinham dificuldade de atacar. Aproveitando essa diminuição momentânea da tensão, Gadosen me olhou por alguns instantes.

- O que você fez com eles? – disse se referindo aos Dragões. Sua voz estava baixa, como que tentando esconder dos outros oficiais sua admiração e curiosidade.

- É uma maldição – disse seria olhando a batalha a minha frente – Faz com que a vitima sinta continuamente profundas dores, assim, diminuindo sua força e concentração.

Ele não respondeu, apenas se virou novamente para frente. Mais Dragões começaram a pousar. Eles ficaram nas bordas do campo de batalha, cercando os Haros. Todos em conjunto começam a andar em direção ao centro da batalha. Um grande Dragão pousou atrás de nós, rugindo alto e andando rapidamente em nossa direção. Neste momento Gadosen percebeu a estratégia deles.

- Malditas lagartixas! – falou num sussurro e logo bradou ordens ao seu exército - Eles querem nos encurralar! – gritou.

Ao ouvir isso os sub oficiais começaram a gritar ordens aos seus subordinados. “Que plano ótimo!” pensei. Eles estão com dores, em desvantagem e sofrendo muito dano, então resolvem nos ajuntar em um único local e nos atacar ao mesmo tempo. “Eu preciso agir antes que eles nos ataquem”.

- Gadosen, os Haros tem fraqueza a gelo? – disse com a voz baixa.

- Não! – disse ele sem entender minhas intenções.

- NEVASCA! – densas nuvens se juntaram acima de nós e um vento frio nos atacou.

Vários flocos caem rapidamente e são empurrados pelo forte vendo. Sinto o gelo batendo em meu rosto. Olho em volta e vi que os Dragões não estão sendo afetados, porém os Haros  começam a se encolher de frio.

- De que lado está?! Isso prejudicará meu exército! – disse Gadosen furioso.

- Não é forte o suficiente! – disse num sussurro, como se estivesse pensando alto, ate que me virei para Gadosen e gritei – Vocês tem alguma forma de se esquentar? – havia urgência em minha voz.

- Não fale asneiras! – repreendeu ele.

- Preciso fazer uma nevasca forte. Ela vai congelar os Dragões! – estou quase gritando, os Dragões se aproximam mais e estamos totalmente encurralados, não há tempo a perder – Me diga: Vocês têm como se esquentar aqui?

- Temos as chamas azuis – ele disse hesitante, sei que ainda não entendeu meu plano.

- Rápido! Conjure-as no meio dos soldados para nos esquentar – logo após dizer isso eu fechei os olhos, me concentrei mais.

Os ventos aumentaram, vêm em todas as direções. A neve cai violentamente em nós. O chão começa a criar uma fina camada fofa que aumenta cada vez mais. Os dragões estão andando mais lentamente. “Está funcionando”.

O frio aumenta a cada segundo. Começo a me perguntar se Gadosen entendeu a ordem de “criar chamas para nos esquentar”.  Olho em volta, os Dragões estão parando de andar, em suas escamas forma-se uma leve camada de gelo. Ainda é possível ouvir urros de dor, porém fracos. Vejo de relance uma luz azul se aproximando. Fico tensa. Sinto o frio diminuir. “Devem ser as tais chamas azuis”.

Ouço os barulhos de tiros aumentando. Os Dragões estão a poucos metros, congelados. É possível ver várias marcas de balas em suas peles. O sangue começa a escorrer, frio, apenas pinta de rubro a fina camada de gelo que está nas escamas. A neve em volta dos Dragões também recebe o tom escarlate.

 Lembro-me da Guerra de Vermécia. Corpos espalhados pelo chão, inertes, sem vida. O tom vermelho de sangue ainda fresco pintando o solo. O cheiro forte da carne começando a se decompor. Meu coração começa a acelerar novamente. Começo a tremer.

- Gadosen... – digo num sussurro, há nervosismo em minha voz. Ele, que analisava a batalha a nossa volta, se vira em minha direção – Vocês vão.... matar os.... Dragões?

- Ganhar uma batalha não significa matar o inimigo. – disse de forma séria – Apenas vamos humilhá-los para que não se atrevam a se rebelar novamente.

Fico mais calma. Pouco tempo depois a batalha foi dada como encerrada. Vencemos. Mas desta vez eu não sentia um gosto amargo, com na Guerra de Vermécia. Sentia orgulho de ter participado nesta luta, sentia satisfação de sair vitoriosa e feliz de ter testado meus limites e aumentado meus poderes. Voltamos ao Quartel.

Acompanhei Gadosen até a sala onde conversamos alguns dias antes. Ele entrou, fechou a porta atrás de si e eu esperei do lado de fora. Estava tão exausta que poderia dormir ali mesmo. Já estou lá há algum tempo. Provavelmente Gadosen estava conversando com o garoto loiro, o tal de Lupus. “Ele não estava na batalha!” pensei.

O som da porta abrindo me tira de meus pensamentos. Gadosen saiu e fechou a porta atrás de si. Ele andou dois pequenos passos e parou em minha frente. Não consegui ler sua expressão, parecia calmo e sério, como sempre. Ele falou e sua voz saiu grave e baixa.

- A batalha de hoje foi bem sucedida. Os Dragões ficaram muito fracos e vamos nos aproveitar disso. Nos próximos dias atacaremos seu Ninho e acabaremos com esta disputa. Você deverá permanecer aqui por mais algum tempo, até termos confirmação sobre o fim da Guerra. - Assenti com a cabeça – Agora vou preparar os soldados.

Ele saiu. Voltei para meu quarto, no qual havia permanecido desde que “cheguei” em Hades. A porta rangeu quando a abri. Este é simples, feito de pedras negras, das quais são feitos todos os edifícios desde local. Possui uma cama, um guarda roupas e um pequeno banheiro. Deito em minha cama. Abusei de meus poderes hoje, cheguei ao meu limite! Isso me deixa exausta. Fecho os olhos. Começo a sentir meu corpo, frágil, magro.

O sono vence minha mente. Acordo com a luz forte e fria da lua cheia invadindo meu quarto. Levanto-me e vou ao refeitório. Grandes mesas de pedra são ocupadas por Haros famintos. Alimentos estranhos são atacados e devorados. Sento-me no canto mais isolado que encontro, porém, não como nada.

 Logo vários Haros saem do refeitório e vejo que Gadosen, que estava na outra extremidade do cômodo, também se levanta. Ele vem em minha direção e para ao meu lado. Levanto-me em respeito e ele faz um sinal para acompanhá-lo. Começamos a andar pelos corredores escuros.

- Gostaria de informar que sua presença seria de suma importância na invasão ao Ninho que acontecerá hoje. – disse com a voz autoritária – Porém, meu superior me impediu. Na verdade ele te proibiu totalmente de ir às próximas batalhas. – fez uma pequena pausa - Mesmo assim deverá permanecer neste Quartel.

Não respondi nada, somente o encarei. Estava confusa e, com certeza, minha expressão revelava isso, pois ele continuou a falar.

- Ele me disse que é parte de um acordo. – disse Gadosen sem entender o significado daquelas palavras e logo continuou – Ordens são ordens, todos devem segui-las.

Paramos em frente a uma sala. Ele se despediu brevemente e entrou, fechando a porta atrás de si. Voltei ao meu quarto, ainda processando suas palavras. Sentei-me na cama, ainda em transe, e, depois de certo tempo, consegui compreender aquela frase, que me soou como uma sentença de morte.

- Eu vou morrer... – disse num sussurro para o vento.

Sim, agora estava claro. Não poderia ir a batalhas e não poderia mais usar meu poder. Lembrei-me das palavras de Lupus, que meu corpo está entre a carne e o espectro. Agora percebo como esta afirmação é verdadeira. Meu corpo estava morrendo e, em pouco tempo, eu estaria totalmente extinta. Uma dor se apoderou de meu peito. A cada minuto que passa sinto que meu corpo morre um pouco. “Recuso-me a morrer”. Não sem antes me vingar de Astaroth.

 “O garoto tem palavra” pensei. Para ele eu seria muito mais útil lutando a favor de seu exército. Porém possuíamos um acordo. Começo a pensar em como eu poderia ser tirada de Hades. Também crio planos de vingança contra Astaroth. “Aquele verme maldito, bastardo, filho de Orcs”. Uma raiva preenche meu peito. Todas as imundices que ele me obrigou a realizar voltam a minha mente.

Ate que relembro dos meus últimos dias. Os aliados que fiz. Lembro-me da semana que passei na Academia. Elena. “Será que sua promessa de estar ao meu lado, também inclui vir a Hades?” pensei em tom de brincadeira. Depois de varias horas sentada em minha cama, o tedio toma conta de mim.

Não posso ir a batalhas, não posso usar meus poderes e nem sair deste Quartel. Distraio minha mente relembrando e decorando as centenas de feitiços e magias que aprendi. Não quero esquecer-me de nenhum. O tempo passa. Muito tempo passa.

Passo alguns dias sentada em minha cama, inerte, sentindo apenas meu corpo se definhar, minha mente concentrada em feitiços que não posso treinar. Até que ouço batidas na porta. Levanto-me e a abro. Em minha frente se encontra um ser loiro, seu único olho visível brilha em um tom vermelho sangue, são frios e intensos. Suas armas reluzem em seu cinto. Fico parada, apenas encarando sua postura autoritária. “Porque ele consegue me paralisar desta forma?”

- Tenho assuntos a tratar contigo – disse de forma fria, sua voz não expressa nenhuma emoção – vá até minha sala depois do almoço.

Apenas assenti com a cabeça. Lupus se virou e sumiu por entre os corredores frios e escuros. “Este garoto é um grande mistério”. Vejo que o almoço está para começar. Vou ao refeitório pela primeira vez desde que conversei com Gadosen. Poucas dezenas de Haros preenchem o local, que está quase vazio. Não sei o motivo, mas devido ao garoto vir falar comigo e poucos soldados estarem presentes imagino que a Guerra deve ter acabado.

Ando lentamente ate a sala de Lupus. Meu corpo fraco resiste em obedecer meus comandos. Fico em frente à porta. Meu coração acelera e meu corpo treme. A ansiedade transborda em meu peito. “Será que finalmente poderei sair daqui?”. Bato cuidadosamente na porta. Ela se abre, rangendo, e me deparo mais uma vez com aqueles rubis inexpressivos.

Entro na sala. A luz fria da lua preenche o local. Lupus está parado de costas para a janela. Ele faz um sinal para que eu feche a porta. Obedeço. Não me atreveria a desobedecer qualquer ordem sua, só de pensar nas consequências fico apavorada. Ele dá alguns passos em minha direção, ficando frente a frente comigo. Então fala lentamente, sua voz sai forte, porém num sussurro, creio que ele não quer que ninguém nos ouça:

- Há um jeito de você sair de Hades. – fico mais nervosa, minhas mãos tremem violentamente – Porém há algumas restrições.

- Diga, por favor – há desespero em minha voz.

- Eu encontrei seu cristal. Ele está muito instável. – fiz uma expressão de dúvida, que ele logo entendeu – Cada alma que vem pra Hades é contida em um cristal. O seu já está se quebrando e, por isso, você tem pouco tempo. A forma que eu encontrei de você voltar a Ernas é encontrando um novo corpo. Os únicos seres que possuem corpos físicos no Submundo são os Haros.

- Então deverei possuir um Haro? – disse confusa.

- Isso seria impossível. – um sorriso orgulhoso surgiu em seu rosto – os Haros são criaturas fortes, que tem o objetivo de supervisionar Hades, você não tem poder suficiente para se apoderar de um.

- Mas enta... – disse nervosa, porém fui cortada por ele.

- Porém, conheço um ser fraco do qual você poderia se aproveitar. Ele está preso. Mostrar-lhe-ei o caminho, não será fácil, ele possui carcereiros poderosos. Se for derrotada será extinta. Poderá sair ao anoitecer.

Logo após isso ele me deu instruções para encontrar a “prisão” onde este misterioso ser estava. Perguntei sobre suas características, para poder identifica-lo, porém só recebi como resposta um “você saberá quem é quando o ver”. Voltei ao meu quarto, apenas esperando a lua se tornar menos luminosa. Nesta hora eu estava autorizada a sair do local. Com as instruções bem decoradas em minha mente, fechei a porta de meu quarto.

Atravessei a cidade dos Haros lentamente. A luz opaca da lua me guiava. Depois de me afastar da cidade, fui abraçada pela densa nevoa. Andei, somente pensando no que faria quando encontrasse meu hospedeiro. Após certo tempo o ambiente clareou, a luz da lua se tornou forte novamente, a neblina se tornou mais leve. Começo a ouvir sons, bem fracos, ao longe. Logo depois vejo fortes luzes, vindas de algo que não consigo identificar.

Aproximo-me rapidamente, apenas sendo movida pela ansiedade. Vejo tendas enormes montadas no chão rochoso. Uma grande placa tem escrito “Circo”. Quando leio este nome sei que estou no local certo. Repasso mentalmente as instruções de Lupus.

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Vou para os fundos. Escondo-me de vários pequenos palhaços que saltitam pelo local. Eles não notam minha presença, estão concentrados em fazer malabarismos com bombas... bombas? Presto atenção em tudo, não posso vacilar. Ando pelas diversas barracas, procurando a mais suja e abandonada. Após alguns minutos de busca eu a encontro, vou a sua direção sem produzir nenhum barulho. Entro na barraca.

Um cheiro pútrido invade minha respiração. Somente um fio de luz ilumina o local. Vejo uma pequena jaula, toda enferrujada e muito suja. Há um ser ajoelhado dentro dela, quieto, imóvel. Aproximo-me da lateral da cela, o cheiro me deixa com tontura. Olho dentro, tentando identificar o ser ali presente.

- Um garoto? – meu pensamento se solta como um inaudível sussurro.

Neste momento o garoto olha em minha direção. Sinto arrepios. Olhos azuis, opacos se encontram com os meus, seu olhar transmite tristeza, cansaço. Marcas profundas decoram sua pele pálida, dando arrepios aos que o observam. Logo seu olhar se direciona novamente ao chão, como se me observar tirasse suas forças.

“Como vou tirá-lo dali?” este pensamento se recusa a deixar minha mente. Analiso a jaula com cuidado. Encontro um grosso cadeado, situado na direção que o garoto está ajoelhado. Vou até ele, o pego vagarosamente em minha mão, evitando qualquer tipo de barulho. O menino olha de relance para mim e se encolhe. Resolvo jogar uma pequena ESFERA DE ENERGIA concentrada no cadeado. O mesmo se quebra ao meio.

Deposito-o levemente ao meu lado, ainda evitando qualquer ruído. Abro cuidadosamente a porta da jaula. O garoto não se move, continua olhando o chão. Estico meus braços em sua direção, indicando para sair da jaula. Ao ver meu gesto o garoto se encolhe mais.

- Vamos fugir... – disse num sussurro.

O garoto passa a me olhar nos olhos, sua expressão demonstra dúvida. Ele não confia em mim. Preciso sair logo deste local. Começo a ficar nervosa, sinto o suor frio se formando em minha testa.

- Acredite, vamos fugir... – há urgência em minha voz e por isso acabo falando mais alto do que gostaria.

Ouço rugidos de animais ao fundo. Uma voz rouca dá ordens fora desta minúscula tenda. Meu corpo começa a tremer involuntariamente. O menino me olha profundamente nos olhos, como que tentando analisar minhas intenções. Por fim ele começa a se esgueirar lentamente para fora da jaula. Ambos nos levantamos com dificuldade do chão. Vejo que seu corpo é magro, fraco. Não consigo dizer qual de nós está se definhando mais depressa.

Pego sua mão e começamos a andar para fora da tenda. Nenhum de nós consegue correr. Meu corpo dá passos pesados e lentos e o dele tem forças só para manter-se de pé. Coloco minha mão livre na lona, abrindo a passagem para fora do local. Sou surpreendida por uma voz maligna, aterrorizante.

- Ó Lass, meu adorável “irmão”, pretende dar uma volta pelo picadeiro?

              Capitulo 7 -  Memórias

 

Meu corpo paralisou diante daquela poderosa criatura. Um homem gordo, cerca de dois metros de altura, apoiado em uma bengala, possuía um sorriso maligno no rosto, seus olhos brilhantes o deixavam mais horripilante.

Fiquei parada, sem reação, diante daquela temível criatura. Meu corpo estava em arrepios. Senti algo tremendo, porém não era eu. A mão do garoto, Lass, tremia violentamente. Olhei em sua direção e vi seus olhos arregalados, tomados pelo pavor.

- Não, não Lass.... – disse lentamente o homem, seu sorriso aumentou e sua voz se tornou ameaçadora – Você tem que ficar para o show!

No mesmo momento ele fez um movimento lateral com sua bengala, tentando atingir o rosto do garoto. Puxei-o para baixo, conseguindo desviar do golpe. Em seguida andamos dois passos à frente. O homem chutou Lass, que não tentou se proteger, apenas recebeu o golpe no estomago, se encolhendo de dor.

- REAJA GAROTO! – disse repreendendo-o. Estou ao lado do homem. – PETRIFICAR!

Sua pele lentamente é envolvida em uma camada rochosa, porém fina. Temo que meu corpo não aguente o uso de magias mais fortes. Devemos aproveitar os poucos instantes de vantagem que temos. Lass começa a se levantar lentamente e o puxo pela mão, andamos o mais rápido que conseguimos em direção a saída do Circo.

- Você não deseja sair daqui? – perguntei de forma irônica. – Se sim é bom que comece a agir de acordo. – falei enquanto dávamos passos pesados.

Após nos afastarmos cerca de 5 metros ouço os grunhidos atrás de nós. “Logo ele vai se libertar do feitiço”. Repentinamente um leão pula em minha frente. Paro subitamente diante do susto. Ele não nos ataca, apenas nos impede de prosseguir. Ao lado do garoto surge uma mulher, alta, montada em um enorme leão.

Ela está vestida com roupas provocantes. Sua pele albina contrasta com os cabelos rosados. Seus olhos são tão brilhantes e horripilantes quanto os do homem que nos atacava anteriormente. Estava com um chicote na mão.

- Ó Lass, não pode nos deixar – disse com uma voz provocante.

Olhei para o garoto que estava logo atrás de mim. Sua postura estava mais confiante, seus olhos já estavam com certo brilho. Sinto a coragem do garoto crescendo dentro dele.

- Saia de meu caminho, Ortina. – sua voz era fraca, mas transmitia a nova determinação do garoto.

- Lass.... você cresceu, estou orgulhosa. – suas palavras eram sinceras – Mas devo te impedir. – esta ultima frase soou maligna, como uma ameaça.

Neste momento ela jogou seu chicote em nossa direção. Apenas me preparei para receber o golpe, não havia tempo para reagir. Após alguns instantes não senti o ataque. A única imagem que meus olhos viam era o garoto cortando o chicote ao meio com uma adaga, que estava escondida em sua roupa, fazendo-o cair ao chão sem nos ferir. Seus olhos brilham cada vez mais, sinto uma grande fúria crescendo no rapaz.

- Era meu chicote favorito. Nunca vou perdoá-lo. – disse novamente de forma provocante e ameaçadora.

- Pagará por sua rebeldia – uma voz grossa nos falava atrás de nós.

Como eu temia aquele homem maligno já havia se libertado de minha magia. Olhamos em sua direção. Os olhos de Lass faiscavam. Sua aura se tornava violenta. Estamos cercados. À nossa frente Ortina e seu leão barravam a saída. Atrás de nós o ser nos ameaçava. Em nossos lados vários palhaços se aproximavam com suas bombas em mãos. Comecei a concentrar meus poderes.

- Ah! Seu verme. – gritou Lass se dirigindo ser maligno atrás de nós.

- TEMPESTADE DE RAIOS! – Conjurei rapidamente com a esperança de enfraquecê-los.

Tentei usar o máximo de minha força para causar fortes danos em nossos adversários. Todos levaram vários golpes por alguns segundos. Quando a magia terminou somente os pequenos palhaços demonstraram ter recebido o golpe.

Um arrepio percorreu minha espinha. “Vamos morrer aqui!”. Senti meu corpo começando a tremer. Os pequenos palhaços atingidos começaram a inchar. Não sabia o que iria acontecer, até que um forte barulho de explosão atingiu meus ouvidos. Abaixei-me para me proteger da dezena de explosões que estavam tão perto. Uma leve fumaça nos envolveu, atrapalhando a visão.

Ouvi um grito de raiva. Conforme a fumaça se dissipava pude ver que os olhos do rapaz exalavam fúria. Seu corpo tremia em busca de vingança. Sua aura se tornava mais negra a cada segundo. Em instantes seu corpo foi envolto em chamas azuis. “São como as chamas dos Haros”. Os olhos de Ortina se arregalavam em espanto. O homem maligno apenas assistia a cena, como se desejasse ver todo o poder do garoto, como se isso fosse um desafio que ele iria superar.

- Não serei mais seu prisioneiro, Mestre de Cerimônias. – sua voz soava baixa e quase tão maligna quanto a do Mestre.

As chamas aumentavam cada vez mais. Tornavam-se mais poderosas a cada segundo. Elas se expandiram em todas as direções. Só tive tempo de me proteger com um ESCUDO MÁGICO, e logo o tom azulado invadiu minha visão. A claridade nos cegava.

Quando as luzes diminuíram e as chamas começaram a se dissipar pude ver os estragos feitos. Todas as barracas pegavam fogo, sendo deterioradas rapidamente. O Mestre de Cerimonias era cercado de fogo, tanto em suas roupas quanto em sua pele. Ortina conseguiu se proteger atrás de seu enorme leão, e por isso foi poupada de um dano maior. O garoto continuava com os olhos em fúria, ofegante por causa da liberação repentina de poder.

Ele tomou minha frente, me puxando pelo braço. Senti sua aura se tornando mais amena, a raiva diminuindo. Saímos do Circo, correndo sem parar, com forças que não sabia de onde vinham. Após varias horas de caminhada não conseguíamos mais ver as luzes do Circo, já estávamos longe o suficiente e, assim, deitamos no chão rochoso, ofegantes.

Meu corpo doía, latejava e queimava. Grandes feridas se formavam cada vez que utilizava magia. Isso somado ao tempo que passei correndo só fez piorar o estado de meu corpo. Olho para o lado, fitando o jovem rapaz. Referiam-se a ele como Lass, deve ser seu nome.

Claramente ele não é um Haro. Com a pele clara, grandes olhos azuis e cabelos acinzentados seria considerado um rapaz atraente. Só não era por causa de suas marcas, escuras, horripilantes, que cobriam boa parte de sua pele. Ele está de olhos fechados, apenas respirando fortemente. É possível ver seu peito se movendo dentro do enorme macacão listrado onde se encontra seu minúsculo corpo.

- Por que....me tirou....de lá? – sua voz fraca e falhada cortou o longo silencio que havia se formado.

- Preciso de um favor. – minha voz também soava fraca.

- Quem é....você?

- Me chamo Cazeaje. Sou uma humana.

- Em Hades? – havia ironia em suas palavras.

- Eu posso lhe explicar, porém não tenho tempo. Preciso que me tire do Submundo.

- E por que eu faria isso?

- Posso lhe dar qualquer coisa que quiser. Apenas me diga e eu darei. – tentei soar o mais confiante possível.

Ele bufou. Ainda deitados no chão frio, comecei a sentir meu corpo relaxar. Não é uma boa sensação, é pavorosa. Senti meu corpo desfalecendo rapidamente. Cada segundo que o garoto ficou calado, pensando, me deixou mais nervosa. Quando pensei em apressa-lo ele finalmente falou:

- Pode tirar estas marcas de meu corpo? Deixar minha pele com aparência normal? – ele estava hesitante, como se isso fosse algo muito intimo.

Olhei em sua direção, como se analisasse as marcas. Aproximei lentamente minha mão, pedindo permissão para tocar em sua pele. Ele fez um leve sinal afirmativo com a cabeça e eu encostei meus dedos. Vi que era áspera, fria, porém ele nem pareceu sentir meu gesto. Parecia como uma anomalia, um tipo de maldição talvez? Não, não senti presença de magia naquelas marcas. Lembrei-me de todos os feitiços que Elena me ensinou, até que por fim achei a resposta.

- Sim, posso te ajudar! – tentei parecer feliz, mas meu corpo não respondia mais aos meus comandos.

Creio que quase vi um sorriso brotar em seu rosto. Seus grandes olhos brilharam mais do que a Lua de Hades. “Consegui! Vou sair do Submundo!”. Se meu corpo tivesse forças, sei que choraria de felicidade, porém, mal conseguia mexer meus lábios para falar.

- Preciso que fique calmo e relaxado. – disse colocando a mão em sua testa. É minha chance de conseguir um corpo.  

Sabia muito bem o que fazer. Já havia feito antes com o jovem Erudon, para causar a Guerra de Vermécia. Sem contar que brevemente tomei o corpo de alguns serviçais do Castelo. Adentrei no corpo do jovem e em sua mente podia ver e sentir sua felicidade. Comecei a proferir palavras de uma maldição. Sim, eu o amaldiçoaria para que ficasse com uma pele normal. Essa foi a única forma que encontrei de ajuda-lo, e sei que daria certo.

Após terminar as palavras o disse mentalmente para sentir seu novo corpo. Ele olhou para suas mãos e sentiu seu rosto. Um sorriso se esboçou em seus lábios ele foi me agradecer. Porém ao ver meu corpo, inerte, se decompondo rapidamente ficou confuso.

- Fique calmo, preciso de seu corpo para sair de Hades – disse em sua mente.

- O que!? Sua.... – eu o interrompi. Ainda não possuía total controle de seu corpo, porém não me demoraria.

- Preciso fazer isso. Apenas gostaria de mostrar-lhe que cumpri minha parte do acordo. Prometo que não vou lhe machucar. – ao dizer isso comecei a vasculhar sua mente.

Era necessário conhecer todas as memorias antes de ter controle sobre o corpo. Sentir todas as dores, traumas, alegrias e descobrir todos os segredos. Creio que é o preço a se pagar. Um fardo a carregar eternamente, pois, não é possível retirar essas impressões de sua mente. Sentir no corpo da pessoa tudo o que ela passou é algo doloroso para ambos. Comecei por sua primeira memoria.

- Mamãe, por que não posso ir brincar com as crianças? – disse choramingando

- Ó querido, podemos brincar juntos aqui em casa.

- NÃO! Quero ir lá fora! – lágrimas se formam.

- Lass, - disse mamãe séria – você não pode sair de casa. Nós já conversamos sobre isso. As pessoas não entendem porque você tem essas marcas no corpo e podem querer fazer coisas ruins com você e comigo. Agora venha, vamos comer alguma coisa! – a ultima frase foi dita de forma mais alegre.

“Porque sou diferente? Porque iriam querer machucar eu e mamãe?” pensamentos que se passaram na cabeça da criança, de cerca de 3 anos, resumiam seus sentimentos de tristeza, frustração e raiva.

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- Mãe, me diz a verdade, por que eu tenho essas coisas horríveis na minha pele? – disse de forma muito séria.

- Querido eu já lhe disse, são marcas de nascença.

- Eu sei, mas ninguém tem marcas de nascença desse jeito, por que eu tenho?

A mãe bufou, sabendo que não iria conseguir fugir do assunto. Sentou-se ao lado do garoto, encarando-o nos olhos. Uma expressão preocupada tomou conta de seu rosto.

- Sinto muito que você tenha que passar por isso tão jovem, você só tem 5 anos! Mas vou lhe contar o motivo. – fez uma breve pausa, como que escolhendo as palavras a usar – Você sabe que nós somos humanos, não é?

- Claro, mamãe! – disse impaciente.

- Bom, mas seu pai, Regis, não era humano. – os olhos do garoto se arregalaram – Ele veio de outra dimensão, como se fosse um outro mundo, totalmente diferente do nosso. – ela fez uma pausa para que o garoto pudesse digerir as informações.

Um turbilhão de pensamentos invadia a mente da criança. Estava chocado demais para sentir qualquer emoção. Parte de si duvidava das palavras da mãe, mas, ela nunca mentiu para ele.

- De onde ele era? – disse totalmente atônito.

- Chamamos o lugar de Hades, ou Submundo. Ele era um Haro.- fez outra longa pausa – Você se parece muito com ele. Também tinha a pele branquinha como a sua, nunca arrumava o cabelo – disse em tom de piada enquanto bagunçava com a mão os cabelos do pequeno. – Também era muito teimoso, e ficava com o rosto sério o tempo todo.

Ela sorria enquanto relembrava do homem. O garoto começou a imaginar o pai, e ficou feliz de saber que eram parecidos. Até que se lembrou do motivo da conversa.

- Mas o que isso tem a ver com minhas marcas de nascença? – disse inquieto.

- Bom, os Humanos não foram feitos pra ter filhos com Haros. É como se nossos corpos não combinassem. Mas você é uma mistura dos dois, e por isso tem essas marcas.

- Eu odeio elas! – falou com raiva.

- Não querido! – enquanto falava o pegou em seu colo e o abraçou – você é especial. Suas marcas são lindas. Eu te amo do jeito que você é, e não mudaria nada. – deu um carinhoso beijo na testa do garoto.

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Estava de mãos dadas com sua mãe. O local era rodeado por montanhas, o chão era rochoso e o céu estava avermelhado. A escuridão da noite cobria cada vez mais aquele lugar.

- Mamãe, não quero ir com ele. – lágrimas começaram a escorrer.

- Lass, você não pode mais ficar aqui, tem que morar com seu pai. Esse homem vai te levar até ele. E sabe, você tem um irmão lá, vão poder brincar juntos.

- Quero ficar com você. – disse enquanto agarrava a perna da mãe. A tristeza era cada vez maior e as lagrimas não paravam de cair.

- Filho... – disse de forma séria enquanto se abaixava na altura da criança. – sei que uma criança com 7 anos de idade quer brincar e se divertir, mas onde moramos as pessoas só falam mal da gente. Não quero mais que isso aconteça. Para onde você vai as pessoas vão ser boas com você, vão brincar muito com você, e, quando for mais velho você vai poder me visitar.

Ela abraçou forte seu filho. Sussurrou um “Eu te amo” no ouvido dele. A criança não parava de chorar. Ao se separarem do abraço ela disse:

- Querido, seja bonzinho com esse homem, e diz pro papai que eu amo ele, ok?- O garoto foi levado até o homem que olhava a cena sem expressão nenhuma.

- Tem certeza que esta Ponte Infernal leva ao Hades? – disse a mãe ao Homem.

- Com certeza – disse sério.

Ultimas palavras foram trocadas entre a mãe e este homem, um tal de Mestre de Cerimônias. Este guiou o garoto por uma ponte estreita e sinistra. Ele olhava para trás, para sua mãe, enquanto chorava e era arrastado pelo caminho. Quando o vulto de sua mãe, ao longe, não era mais visível, passou a caminhar fitando o chão, que era molhado por suas lagrimas.

- Chegamos Lass. – disse o Mestre com uma voz maligna.

Ao observar o local tudo ficou confuso. Algo estava errado. Seu pai morava aqui?

- Mas é um Circo!

- Não garoto... – sua voz era grave e maligna - é seu pior pesadelo!

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Após vários anos preso na jaula suja. Levanto acoites em todas as apresentações, apenas por ser um mestiço, Lass já havia se entregado a tristeza. Pequeno, fraco e sem nenhuma vontade de viver. Tão solitário que até as lagrimas o abandonaram. Perdido em suas lembranças de infância, o rapaz jovem, cerca de 12 anos de idade, foi repentinamente tirado de seus pensamentos.

- Você é o mestiço? – dizia uma voz baixa e rouca. Não era possível ver de onde vinha.

- Quem está ai? – um silêncio permaneceu por um tempo no local. Ao ver-se sem alternativas acabou falando novamente - Sim, sou o mestiço.

- Tão patético quanto o pai. – falou com desprezo.

- Você conhece meu pai? – a esperança surgiu novamente no coração do garoto.

- Sou seu meio irmão. – não havia emoção nenhuma na voz.

- Por favor, me tire daqui – suplicou o garoto ainda confuso.

- Não. Você é tão fraco que não consegue sair de uma misera jaula. Não é digno de portar o nome Wild.

- E como posso provar que sou? Dê-me uma chance, afinal, temos o mesmo sangue.

- Tsc – grunhiu com irritação – Prove que não é o verme inútil que aparenta ser.

Um objeto brilhante foi jogado na direção da jaula. Uma adaga. Lass rapidamente pegou a arma e começou a analisa-la.

- Não ouse usar o nome Wild até merecer, se o fizer eu mesmo o mato. – disse o ser oculto.

- Espera, não vá... – mas não adiantava ele já havia partido.

Um novo objetivo surgiu no coração do rapaz. Agora possuía motivos para sobreviver.

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Estava feito. Já poderia controlar o novo corpo. Este ainda deitado no chão, ofegante por reviver essas lembranças tão intensas, lágrimas escorriam de seu rosto. Eu sentia fortes dores em meu espirito. O jovem sofrera horrores em sua curta vida. Precisava mostrar ao Lass que eu não era como os outros.

- O que você fez comigo? – disse sua voz em nossa mente.

- Lass, preciso de seu corpo. Não vou machuca-lo, não quero lhe causar mais dor. – eu respondi.

Uma tristeza me consumia. “Eu não deveria fazer isso”. Este jovem sofreu apenas por ser quem é. Sinto que seu corpo é forte. Sinto sua mente, cheia de intensidade. Será difícil domar este ser. Mas não posso deixar que sua mente, que ainda luta para não ser possuído, me atrapalhe.

Começo a levantar do chão, lentamente, ainda me acostumando com meu novo ser. Ao meu lado não resta nada além de uma mancha avermelhada e trapos de tecido. Sinto um aperto no peito ao ver qual seria meu destino se não tivesse conseguido ajuda. Vejo que há uma forte energia obscura no garoto, recém despertada. Deve ser a parte do sangue Haro dele.

Demoro vários minutos analisando aquele tipo de poder. Com certeza foi dali que vieram as chamas azuis. Talvez seja por isso que o garoto suportou tamanho sofrimento, pela força vinda dessa energia. Recrio as chamas. Ao brincar com elas sinto algo perfurando meu braço.

Levanto as mangas e encontro uma adaga. Ela está coberta de sangue, e gotas do mesmo mancham levemente o chão. Vejo um corte, porém não sinto dor.  Fico impressionada com o que acontece a seguir. Pequenas chamas azuis cobrem o ferimento, o sangue para de sair do local e logo ele é totalmente cicatrizado. Este poder de cura é incrível. Não há nada parecido no mundo humano, nem mesmo entre os mais poderosos magos.

Aproveito que estou com a adaga em mãos e começo a fazer movimentos de cortes. Lass treinou bastante nos últimos anos. Suas habilidades com as adagas são boas. Continuo a realizar os golpes, relembrando também da experiência que Ronan tinha com o Gladio.

Tentei utilizar meus poderes junto com os golpes, porém não consegui. “O que está acontecendo?”. Sinto que a energia obscura de Lass bloqueia meus poderes. Com certeza os Haros são muito fortes. Percebo que tenho que dominar o poder de Lass para conseguir sair de Hades.

Vasculho meu novo poder até que a Lua do Submundo se torne fraca. Preciso com urgência arrumar uma forma de sair daqui. “Os Haros caçam espíritos que fogem de Hades. Eles tem algum jeito de sair deste local”. Logo em seguida minha mente se lembra de Astaroth e seus Portais Dimensionais. Finalmente encontrei minha resposta.

Concentro-me em criar um portal. Logo meu corpo é envolvido em chamas e estas pairam no ar, à minha frente. Parecem dançar em círculos, e, após vários minutos, vejo uma forma ovalada, em tons de roxo e vinho.

“Finalmente” pensei satisfeita. Dou curtos passos até o Portal e o atravesso. Logo à frente vejo uma luz amarelada. O Sol. A felicidade toma conta de mim. Começo a andar lentamente. Apenas um pensamento está gravado em minha mente.

“Me aguarde Astaroth”

              Capitulo 8 -  Planejando a Vingança

 

Sentir o calor do Sol em minha pele é reconfortante. Pelo que posso perceber está entardecendo e, por isso, precisarei encontrar algum lugar para passar a noite. Nunca vim a essa região. Não devo estar em Vermécia.

Grandes rochas avermelhadas se estendem pela paisagem. Em meio ao calor que provém do solo e das pedras noto um grande vulcão incandescente no horizonte. Ando pelo local, até me deparar com uma pequena caverna. Preciso proteger meu novo corpo, e, como está escurecendo, este me parece ser um bom refúgio.

A caverna tem cerca de 5 metros quadrados, dois de altura, é escura, feita de rochas avermelhadas. Seu interior é fresco, em contraste com o calor vindo de fora. Deito-me em um dos cantos, próxima a parede, porém não consigo dormir. Um pensamento me atormenta: “Como me vingarei de Astaroth?”. Ele é extremamente poderoso. Um plano se forma em minha mente. Sem duvidas precisarei de ajuda. Penso em Elena. Sei que ela me auxiliaria neste plano, mas, como me comunicar com ela? Nem mesmo sei onde estou.

Continuo a testar os limites de meu novo poder, ainda pensando em como me comunicar com Elena. Até que uma ideia surge em minha mente. “É tão obvio, como não pensei nisso antes?”. Após ter treinado essas varias horas sei que consigo dominar melhor as chamas.  

Concentro-me totalmente em Serdin, mais especificamente em Elena, na Academia de Magia Violeta. Sinto as chamas azuis me rodeando, e, logo depois, dançando lindamente a minha frente. A pequena caverna é tomada por tons azuis e roxos conforme o Portal vai se formando.

Consigo ver através dele. Elena está em seu quarto, lendo um livro. Seus olhos logo começam a observar o portal que surge. Ela deixa o livro de lado e se aproxima cautelosamente.

- Quem está ai? – pergunta com autoridade.

- Elena? Sou eu, Karina.

- Mas você é um garoto! – pude ver que ela está confusa.

- É uma longa historia... – falei já atravessando o portal.

Logo desfiz o portal atrás de mim. Seu quarto é espaçoso, uma grande cama, guarda roupas, e ao fundo, uma enorme estante cheia de livros antigos e empoeirados. Elena se sentou em sua cama, ainda com a expressão confusa. Sei que desconfia de mim. Após me analisar por alguns segundos ela finalmente fala:

- Pode me contar essa tal historia, tenho bastante tempo. – sua expressão está séria.

Contei tudo. Desde a parte onde fui jogada por Astaroth no Submundo. A guerra dos Haros e Dragões de Ferro. Minha extinção certa. A batalha no Circo. Os poderes ocultos de Lass. E por fim minha volta a Ernas.

- Incrível. – Elena ficou admirada. Apenas sorrio em resposta. – E você sente que seu poder aumentou?

- Com certeza, mas não consigo usá-lo. A energia sombria deste corpo o bloqueia.

- Interessante – disse ela colocando a mão no queixo e analisando meu corpo, como se quisesse descobrir os mistérios dele.

- Me diga Elena, quanto tempo faz que eu sumi?

- Cerca de 4 meses.

- Tudo isso? – disse impressionada.

- Quando tempo você sentiu que passou em Hades? – ela falou curiosa.

- Cerca de duas semanas. Mas também percebi que o tempo lá passa de forma diferente. E nesse tempo que eu passei fora, aconteceu algo de importante em Vermécia?

- Foi criada a Grand Chase, um grupo inicialmente formado por 3 jovens: Elesis, espadachim de Canaban, Lire, elfo arqueira de Eryuell e Arme, maga de Serdin.

- Ah, sua aluna? Então ela conseguiu passar no teste?

- Sim. – Elena mostrava orgulho – Esse grupo foi criado para derrotar Cazeaje, uma bruxa maligna que prejudicou os dois Reinos anos atrás. Eles já atravessaram Vermécia derrotando o exército dela. Até recrutaram mais jovens para acompanha-las. Eles são muito famosos, quem sabe não virem uma lenda, como Sieghart? – nós duas rimos – Há rumores de que a Grand Chase está a caminho do Castelo de Gaicoz, pois as más línguas dizem que ele é aliado de Cazeaje.

Meu coração apertou neste momento. Saber que todos pensam que eu causei tanto mal. Sei que realmente o fiz, mas não pude evitar. Não sou eu que devo ser caçada, e sim Astaroth. “Devo contar a Elena quem eu sou?”. Ela diz ser minha aliada, então creio que entenderia. Não posso perdê-la neste momento, preciso de sua ajuda. Bom, algum momento ela vai descobrir de qualquer jeito.

 - Elena, preciso te contar algo muito sério. Por favor, ouça até o fim. – ela assentiu – Eu sou Cazeaje.

Seus olhos arregalaram e por um reflexo ela se inclinou para trás, enquanto colocava a mão em frente à boca. Fiz uma pausa para deixa-la digerir a informação e pensei melhor em quais palavras deveria usar.

- Eu realmente me chamei Karina, Karina Erudon. – sua expressão ficou mais aflita, com certeza ela conhecia minha historia – Fui amaldiçoada por Astaroth, que me deu o nome de Cazeaje. Ele me obrigou a iniciar a Guerra de Vermécia, matar o Rei de Canaban e outras muitas atrocidades contra as pessoas.

Uma lagrima se formou em meus olhos, comecei a ficar agitada de relembrar tudo aquilo. Tive de fazer uma breve pausa para me recuperar e conseguir continuar a falar. Elena somente me encarava com seriedade e absorvia todas as palavras que saiam de minha boca.

- Você deve saber que a Grand Chase não é o primeiro grupo a tentar me enfrentar. Lutei contra alguns soldados dos Cavaleiros Vermelhos de Canaban, eles resistiram bravamente, mas Astaroth, já cansado da longa duração da batalha, os enviou a uma Fresta Dimensional. Até mesmo enfrentei face a face a Lenda.

- Sieghart? – sussurrou, sua voz estava carregada de admiração, ela não acreditou no que ouviu. Apenas fiz um sinal positivo com minha cabeça.

- Sempre que terminava meus “serviços”, Astaroth me prendia em uma Fenda Dimensional. Mas quero deixar claro que eu não fiz todas aquelas maldades por vontade própria. Astaroth me obrigou.

O olhar de Elena está fixo em mim, me analisando a todo o momento. Lágrimas começaram a escorrer de meus olhos, não consegui evita-las. Tento impedi-las de cair, porém a angustia dentro de mim é muito forte. Os instantes de silencio pareciam não terminar. Por fim a expressão de Elena se amenizou e ela chegou a me abraçar levemente, com a intenção de me consolar.

- Acredito em você.

Quando suas palavras chegaram aos meus ouvidos senti como se um grande peso em minhas costas fosse retirado. Minha tristeza diminuiu. Logo ela me soltou do abraço e ficamos em silencio por um tempo. Talvez Elena estivesse analisando a enxurrada de noticias que eu joguei contra ela.

“Ela é uma grande amiga” disse Lass mentalmente.

“Sim. Não se preocupe, um dia a vida sorrirá e você encontrará amigos como ela” respondi, também em nossa mente.

Esse garoto tem uma força de vontade enorme, maior até mesmo do que o jovem Erudon. Mesmo o controlando, sua mente insiste em ser independente. Há certa beleza nisso, somente não posso deixa-lo atrapalhar meus planos.

- Sabe Elena, possuo um novo objetivo.  Vingar-me de Astaroth. Eu tenho um plano em mente, mas para realiza-lo preciso de sua ajuda. Quero que saiba que isso envolve abandonar esta Academia e talvez gerar uma nova Guerra.

Ela analisou bem minha proposta. Com certeza essa situação envolve muitos sacrifícios. Até mesmo a vi andando de um lado para o outro, com a expressão confusa. Apesar de tudo eu desejo tê-la ao meu lado. Ela deseja poder e eu posso lhe proporcionar isso.

- Eu aceito – seu tom era sério, Elena me olhava profundamente - mas tenho minhas condições. Quero que me torne tão poderosa quanto você.

- E você sabe alguma maneira de fazer isso? Afinal, não consigo usar meus poderes neste corpo.

- Eu andei estudando alguns livros de rituais antigos. – disse com um sorriso malicioso. –Somente magos muito poderosos podem realiza-los, e pelo poder que você possui creio que conseguirá. E sei uma forma de utilizar seus poderes, mesmo “bloqueados”.

- Se estamos de acordo, sugiro que nos “mudemos” para um lugar onde possamos avançar com meus planos sem interferências.

Ela assentiu, pegou uma mochila e colocou vários dos livros de sua estante nela. Deve ser um objeto encantado, pois não vejo outra forma de 20 livros caberem tão facilmente numa bolsa tão pequena. Quando ela pegou todo o necessário abri um Portal. Ao ver as chamas azuis vi que Elena me encarou com um misto de curiosidade e fascinação. Levei-nos de volta à caverna de onde eu vim. Ainda é noite, faltam poucas horas para o Sol nascer.

- Me diga, o que você precisará para sua vingança?

- Primeiro uma armadura para proteger este corpo, ele é muito valioso para mim.

“Obrigado por me proteger”

“Sempre o protegerei Lass”

- Segundo, um exército. E pretendo também arrumar alguns aliados poderosos, você é um deles. – ela sorriu.

Após entender meus planos, Elena começou a folhear um livro atrás do outro, como que procurando um assunto especifico. Eu apenas olhava para fora da caverna, vendo as estrelas no céu e logo depois o nascer do sol, enquanto meus planos eram repassados e aprimorados em minha mente.

Quando amanheceu Elena saiu da caverna, analisando cada local à nossa volta. Ao olhar para o vulcão ao fundo, seus olhos se arregalaram e um sorriso brotou em seu rosto.

- Você sabe onde estamos, Karina? - disse animada.

- Não. E, daqui para frente, pode me chamar de Cazeaje.

- Ok. Estamos próximas da Ponte Infernal, e ali – disse apontando para o vulcão – é o Templo do Fogo. Estamos em Ellia!

- Eu até conheço a Ponte Infernal, mas que Templo é esse?

- Ele foi criado, há muitos séculos atrás, para venerar o Deus Zig. Porém, com o tempo, Ellia ficou inabitada. – ela fez uma pausa, esperando alguma resposta, porém eu realmente não havia entendido qual a relevância desta informação. – Sabe.... é um vulcão......podemos forjar armas e um exército nele.

- Ah! Isso é ótimo. Vamos até lá? – com certeza fiquei mais alegre.

Andamos por alguns dias. O forte Sol nos castigava, o calor refletido nas rochas nos causava tonturas. A noite era iluminava pela Lua e pela lava incandescente brilhando na encosta do vulcão. A cada passo que nos aproximava do vulcão podíamos sentir o calor se intensificar. Até que, por fim, encontramos o Templo entalhado na encosta da enorme montanha incandescente.

Ao passar pelas grandes portas ficamos surpresas. É possível ver que, apesar de ter sido abandonado há séculos, o local está intacto. Largos rios de lava se estendem por todo o Templo. Estranhamente é um local fresco, apesar da lava presente. As passagens são decoradas por estátuas de monstros imponentes com olhos brilhantes, como se vigiassem o lugar. A iluminação é feita por grandes tochas nas paredes. Descansamos por algum tempo. Após se recuperar, Elena voltou a folhear seus livros, até que me mostrou um.

- Veja, esse livro tem os passos para forjar um exército.

- Você consegue sozinha? Pois não serei útil sem meus poderes.

- Faz tempo que não uso Magia Negra, mas, acho que dou conta. – disse de forma brincalhona.

Ela se levantou, com o cetro em uma das mãos e o livro em outra. Ao conjurar o feitiço não produzia nenhum som, apenas seus lábios se moviam. Seu cetro se iluminou. A lava presente no rio que nos cercava começou a ser lentamente atraída, flutuando no ar. Pude sentir o calor quando esta passou perto de meu corpo, parando logo em seguida na frente de Elena.

A lava começou a tomar forma e logo em seguida brilhou intensamente. Após isso um soldado vermelho foi formado, ficando imóvel, apenas aguardando instruções. O mesmo aconteceu ao seu lado, lava tomando forma, brilhando e formando mais um soldado. Elena continuou até que cerca de 30 soldados fossem forjados.

- Patrulha de Elite, vocês devem obedecer unicamente a seus mestres, Elena e Cazeaje – ordenou Elena aos soldados, que só escutavam imóveis – Devem, a partir desta magia, forjar mais soldados e armas até que lhes ordenemos parar. Vão!

 No instante em que estas palavras foram ditas os soldados adentraram ao Templo e continuaram a forjar mais deles. Todos trabalhavam em ordem, eram lentos e totalmente focados.

- Parecem marionetes! – falei ao vê-los trabalhar.

- Mas eles são. – Elena falou de modo indiferente, enquanto pegava outro livro.

Fiquei chocada com sua forma de falar. Normalmente era tão enérgica e feliz, mas agora está concentrada, indiferente e fria. Talvez seja isso que ela escondia, pude perceber algo errado enquanto estava na Academia, porém não consegui ver o que era.

- Por que está me encarando? Tem algo errado? – disse levantando os olhos do livro o olhando para mim.

- N-Não, não tem nada errado – Droga, não devia ter encarado tanto.

-Hum – ela estava indiferente – Eu encontrei uma forma de fazer uma armadura forte e única para você. Não pode entrar numa guerra usando esse macacão horrível.

Ao ouvir suas palavras olhei para meu corpo. Não havia percebido, mas ainda estou usando o macacão listrado de quando encontrei Lass no circo. Elena está certa, tenho de proteger este corpo, e isso significa fazer uma armadura. Meus pensamentos foram interrompido quando ela voltou a falar.

- Mas antes, preciso da ajuda de seus poderes. Magia Negra gasta muita energia. Vamos utilizar um desses cristais do Templo – disse enquanto retirava um pequeno cristal da parede. - Venha, faremos este ritual lá fora enquanto os soldados trabalham aqui.

Seguimos para a entrada. Elena mandou eu me deitar no chão rochoso enquanto segurava o cristal. Ela começou a proferir palavras em um idioma antigo. Não consigo vê-la, mas uma intensa luz chega aos meus olhos, deve ser de seu cetro. Pude sentir a energia fluindo de minha alma. Fecho os olhos, a dor é intensa, seguro forte o cristal.

- Você quer ir até o fim? – seu tom de voz exibe preocupação.

- Por quê? – pergunto confusa.

- As chamas azuis estão rodeando seu corpo. Não sei o que pode acontecer, talvez essa energia obscura também passe para o cristal. – abro os olhos e confirmo. É perigoso mas não podemos parar agora.

- É necessário para concluirmos nossos planos. Vá em frente, mas seja cautelosa.

Elena voltou a proferir o feitiço. Vários minutos se passaram. Pude sentir as chamas se intensificando, a dor continuava. Por fim o ritual cessou. O cristal saiu de minha mão e começou a flutuar acima de nós. Ele brilhou cada vez mais, uma luz branca que foi se tornando um brilho negro, até que Elena o pegou e ele parou de brilhar.

- Deu certo? Quanto tempo o poder vai ficar no cristal? – falei ansiosa enquanto me levantava.

- Bom, não posso negar que há poder no cristal, mas não posso certificar se está estável. Temos dois meses até que se quebre e o poder volte a você – ao ouvir isso eu assenti.

Entramos novamente no Templo do Fogo. Os soldados haviam se multiplicado e continuavam a forjar. Atravessamos diversas passagens e andamos em vários corredores, Elena me guiava, até que chegamos ao altar, na parte mais profunda. Os rios de lava provinham deste local. Elena pegou meu cristal e começou a forjar minha armadura.

A lava voltou a flutuar em direção ao altar, este tem o formato de uma mesa com um metro de altura, feito de pedras brancas. O liquido incandescente começou a tomar forma, entrando em contraste com as pedras alvas. Por fim ele brilhou intensamente e, quando a luz cessou, uma armadura com formato de um monstro, branco e verde, era visível.

- Que monstro é esse? – perguntei curiosa.

- Um ser lendário que guardava este Templo. Apesar de não existir mais, sua essência permanece neste local, então eu a usei para forjar esta roupa. Isso a tornará muito resistente – disse me entregando a armadura.

- Incrível. – falei e comecei a vesti-la. – Ficou perfeito!

- Pegue isto também – disse me mostrando uma adaga.

- Mais uma? – falei enquanto pegava o objeto.

- Duas armas são melhores do que uma – sorriu.

- Se é assim, poderia ter me feito uma arma decente, não essa mini espada. – disse em tom de brincadeira.

Passamos cerca de uma semana supervisionando a criação do exército e treinando os soldados. Em uma manhã, quente como sempre, fui ver o nascer do Sol fora do Templo. O céu naquela região era sempre avermelhado. Uma sensação de paz vinha sobre mim enquanto observava o horizonte alaranjado sendo iluminado pelo Sol.

“Gosto do amanhecer, me acalma. Nunca vi algo tão lindo em Hades” disse Lass.

“Sim Lass, é a única coisa que me faz esquecer toda a maldade que já causei”

- Cazeaje! – ouvi Elena ao longe, vindo em minha direção. Fui ao seu encontro. – Sabe, agora que já temos muitos soldados, podemos ir a outro lugar para realizarmos meu ritual.

- Ah sim! Mas não podemos deixar o Templo desprotegido.

- Já pensei nisso. Vou deixar meu Basilisco aqui.

- Basilisco? – falei impressionada.

- Sim, posso convoca-lo para nos ajudar.

- Mas mesmo assim creio que você precisará ficar por perto. E se fizéssemos seu Castelo naquela região? – disse apontando para o sul de onde estávamos.

- C-Castelo? – sua voz era carregada de espanto e cobiça.

- Sim, um só para ti.

Elena voltou rapidamente ao Templo, estava animada. Convocou seu Basilisco para comandar a criação de soldados e armas e logo voltou. Andamos vários dias e noites, cerca de duas semanas. Quanto mais nos afastávamos, mas a paisagem mudava. Agora era formada por rochas frias em tom arroxeado. No caminho Elena me explicou que tipo de ritual ancestral nós fariamos. 

Já estava começando a ficar irritada, não importa o quanto andássemos a paisagem era sempre escura e roxa. “Como ela pode demorar tanto para escolher se é tudo igual?”. Ficamos sem conversar nos últimos dois dias de caminhada. O clima entre nós estava muito tenso. Eu já estava cogitando a possibilidade de fugir para Hades novamente quando, enfim, ela escolheu.

- Aqui é perfeito. – falou com um sorriso.

- Graças às Deusas. Achei que nunca encontraríamos um lugar de seu gosto. – falei irritada, mas logo rimos para acalmar o clima. - E então, como é mesmo aquele ritual?

              Capitulo 9 -  Ajuda do Submundo

 

Resta pouco mais de um mês até o cristal perder a energia mágica. Eu e Elena estamos ao Sul do Templo do Fogo, o local escolhido por ela. Apenas há, ao fundo, o som dos nossos soldados trabalhando na construção do Castelo. Li como o ritual deveria ser realizado. Fizemos tudo como o livro especificou.

Esperamos alguns dias até um anoitecer de Lua Cheia. Nos afastamos dos soldados, pois era exigido que ficássemos sozinhas. Havia poucas nuvens no céu. O local possuía um tom arroxeado. Eu e Elena demos as mãos, em sua mão direita estava seu cetro e na minha, meu cristal. Fechamos os olhos. Recitamos juntas em voz alta as palavras do livro.

Unimos nossos energias

Somamos forças e poder

Uma na outra encontramos auxilio

Para invocarmos o ser celestial”

Nesse momento abrimos os olhos e pudemos ver o cetro e o cristal brilhando intensamente. Separamo-nos, deixando cerca de um metro de distancia entre nós. Já respirávamos pesado, um ritual ancestral demandava muita energia. Levantamos nossas mãos para o céu e voltamos a conjurar a magia.

“Ó poderosa Lua

Solitária nos céus

Única testemunha de nossa união

Dê-nos agora sua benção”

Mal pude acreditar no que estava diante de meus olhos. Uma forte coluna de luz esbranquiçada atingiu o solo na nossa frente. Pude sentir a enorme energia se movimentando. Logo passamos para a última parte do ritual.

Ó solo onde estamos

Torne-se, neste momento, sagrado

Conceda-nos seu vasto saber

Selando este rito celestial”

Grandes pedras arredondadas flutuaram do solo e entraram na coluna de luz. Abaixamos nossas armas, que ainda brilhavam, para contemplarmos a conclusão do ritual. Tudo estava como no livro, agora restava aguardar a criação da arma celestial.

Algo está estranho, talvez errado. Ao ver a formação da arma, dentro da coluna de luz, senti a alma dentro de mim ficar irritada, incomodada. Uma forte dor invadiu meu corpo, minha cabeça latejava. Respirava com muita dificuldade. Sentia queimar por dentro. Fiquei com minhas pernas fracas e tremia violentamente. Ate que o cristal em minha mão começou a soltar novamente a luz negra. Isto de certa forma aliviou minha dor, porém ainda sentia um grande incômodo.

No mesmo momento a coluna de luz à nossa frente se tornou escura, acinzentada. Vi que a arma continuou a ser formada dentro daquela luz negra. A dor em meu corpo cessou e senti meu ar voltando aos meus pulmões . O cetro de Elena parou de brilhar e ela estava atônita.

O cristal continuou a brilhar intensamente, cada vez mais. Só cessou quando a coluna de luz se dissipou. Pude ver as armas flutuando à nossa frente, negras, com pedras preciosas encrustadas. Eu sabia o que era aquilo. Bom, não eu Cazeaje, e sim o lado Haro de meu novo corpo, este sabia o que havia acontecido.

- Não pode ser! Por que não funcionou? – Elena estava furiosa.

- Deu certo. – respondi com satisfação.

- COMO ASSIM? Por acaso essas coisas são as lanças do Guardião Eterno? – ela começou a gritar, desesperada.

- Não. São os Chakrans de Kamiki. – ela me encarou, ainda furiosa. – Uma poderosa Feiticeira do Submundo. Creio que a invocamos.

- Mas não fizemos nada de errado. Como isso aconteceu? – seu ódio deu lugar à indignação.

- Não sei, mas acho que não podemos invocar uma criatura celestial com poderes de demônios – disse mostrando meu cristal.

Elena parecia não entender, ou não aceitar, o fato de o ritual não ter saído como ela desejou. Encarou profundamente os Chakrans com ódio. Se pudesse, colocaria fogo neles até sobrar somente cinzas.

“Foi culpa deste maldito corpo de demônio.” Elena pensou.  Como poderia pensar algo assim?   Não pude acreditar, fizemos tudo isso por nada? Elena não vai aceitar essas armas? Como pode por a culpa em Lass? Espera. Eu li os pensamentos dela?

Senti uma forte tontura, e sentei-me no chão. Minha cabeça parecia rodar. Minha visão ficou levemente turva e pude ver Elena ao fundo, como um borrão, ainda olhando os Chakrans.

- Elena.... – falei com desespero. “O que está acontecendo?”

Ela veio rapidamente ao meu encontro. Seu olhar ainda era serio, com uma leve expressão de preocupação. Ajoelhou-se a minha frente, me encarou por alguns segundos e finalmente falou.

- Esse ritual tem algumas consequências – sua voz não possuía emoção nenhuma. – sem contar que drena muita energia.

- Eu ouvi.....seus pensamentos... – disse ofegante.

- Eu sei. Esse é um dos requisitos. Podemos, além disso, podemos ver o que a outra vê. Até mesmo se a nossa ligação for muito forte, podemos sentir o que a outra sente.

- Como?......Por que?

- É um ritual de união. Tanto entre nós duas, quanto entre o Guardião Eterno. – como ela podia falar normalmente algo tão serio? – Se bem que, não conseguimos invocar ele.

Após isso Elena pensou por alguns minutos. Eu continuava ofegante e com a visão turva. “União?” Como assim? Por que ela não me avisou? E Lass? Ela não pode saber da mente independente dele. Já tenho um em minha mente, agora terei mais outra? Minha cabeça latejava. Até que Elena se levantou, me tirando do transe em que estava, pegou seu cetro e começou a passa-lo, de um lado para o outro, acima dos Chackrans. “O que ela está analisando?”.

Por fim voltou e novamente se ajoelhou a minha frente. Apontou seu cetro para mim. Este começou a brilhar fracamente. “O que está fazendo?” Não conseguiria reagir. Ela fechou rapidamente os olhos e abriu um leve sorriso. Abaixou seu cetro e depois de infindáveis instantes começou a falar.

- Já sei o que aconteceu. – falou com orgulho. Apenas a olhei, esperando ela continuar a falar – Somente deuses possuem o poder suficiente para realizar o ritual sozinhos. Por isso é necessário dois magos poderosos. Porém, esse poder de seu novo corpo entrou em conflito com o poder celestial, como você mesmo disse. Bom, resumindo, você quase gastou todo o poder demoníaco para fazer aquelas armas. Eu não ajudei em quase nada. Agora você está sofrendo as dores de ter realizado um ritual divino com esses poderes. Entendeu?

- Hm – gemi. Minha cabeça latejava e tudo rodava à minha volta. A voz de Elena foi se afastando, minha visão ficou turva. Tudo ficou escuro.

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Acordei num susto. Sentei-me, ainda com certa tontura, me acostumando com a luz do dia. Olhei em volta, os soldados passavam por mim, totalmente focados, levando enormes pedras arroxeadas. Eles também estavam roxos. Por quê? Continuei olhando, tentando me lembrar do que havia acontecido.

- Finalmente acordou.

- Elena? – virei e a vi sentando ao meu lado. – O que aconteceu?

- Você desmaiou. Mas também usou quase toda sua energia. Tinha que descansar. – falou séria porém sorrindo.

- Quanto tempo eu dormi?

- Umas 16 horas.

Como pode? Eu não durmo. Lass também não dormia. Devo ter realmente esgotado minhas forças. Eu ainda não controlo essa energia obscura. Acho que devo parar de usá-la, afinal, tenho que proteger este corpo. Como isso pôde acontecer? Não posso derrotar Astaroth sem meus poderes. Não posso apenas observar meu exército em uma batalha, sem fazer nada. Pelo menos tenho Elena para me ajudar, ainda mais agora que ela está mais forte. Espere! Ela aceitou Kamiki?

- Cadê os Chackrans? – perguntei, minha voz ainda estava fraca.

- Eu treinei com eles.– ela correu e logo voltou com as armas em mãos - Veja.

Elena parou em minha frente e após alguns segundos vi a luz negra emanar das armas e cobrir seu corpo. Esta bloqueou minha visão por certos minutos. Ouvi-a soltar gritos de dor e logo depois respirar ofegante. Quando a névoa se dissipou pude ver que ela se transformou em um ser alto, de pele roxa azulada, com grandes olhos brilhantes. Possui também dois grandes chifres, um rabo e duas asas brancas, tão claras e contrastantes com seu corpo que pareciam ter luz própria.

- Como se sente? – disse encarando sua nova forma.

- Forte, poderosa. – sua voz era grossa e rouca.

- Consegue voar? – falei apontando para suas asas, ela encarou-as por algum tempo, como se não tivesse percebido que estavam ali. Depois de analisa-las bem, mexer seu corpo, respondeu com uma expressão séria.

- Não. – fez uma longa pausa, pensando - Creio que são resquícios do ser celestial que tentamos invocar.

- Quais são seus poderes? – perguntei curiosa.

Ela começou a fazer movimentos circulares à frente com as armas. Depois passou a se teleportar pequenas distancias. Falou que conseguia conjurar os elementos da natureza, devido aos orbes cravados nos Chakrans. Mas o que mais me impressionou é que ela consegue convocar nossos soldados, trazendo-os para perto dela, não importando onde estivessem. Depois de me mostrar suas novas habilidades, Elena soltou os Chakrans e novamente a luz negra a envolveu, fazendo-a voltar a sua forma normal.

Finalmente me senti melhor e consegui levantar. Fui em direção às novas armas. Ao me aproximar, pude sentir o enorme fluxo magico que provinha dos objetos. Tão negros que pareciam cintilar. Elena se aproximou apenas me observando. Por instinto direcionei meu braço aos Chakrans, gostaria de sentir todo esse poder pelo meu corpo.

- Não mexeria se fosse você – Elena falou apreensiva. Isso me tirou de minha hipnose e me fez olha-la com dúvida. – Você ainda está fraca para empunhá-los. Sem contar que eles são meus. – essa ultima frase saiu de forma autoritária.

Passei a encara-la, sem reação. Ela tinha razão, não poderia lidar com tal poder neste momento. Mas como ela poderia agir comigo desta forma? Eu lhe trouxe este poder, se não fosse por mim ela ainda estaria ensinando crianças em uma Academia. Senti um ódio se apoderar de mim. Apesar de aliadas, ela me deve respeito.

 Levantei-me, encarando seus olhos profundamente. Senti as chamas azuis me rodeando. Apesar de estar no corpo de um garoto, eu ainda era mais alta que Elena. Aproximei-me dela, lentamente. A mesma me encarava, séria, porém apreensiva.

- Não – falei com o tom de voz baixo e ameaçador – eles são meus. Tudo o que você tem pertence a mim. – Seus olhos estavam arregalados, não me contive, soltei uma risada, isso era divertido. Mudei minha expressão, agora estava orgulhosa. Passei a me afastar lentamente, ainda encarando Elena. – Não haja assim....se não quiser um demônio em sua mente.

Ao dizer isso me virei. Sei que ela estava apavorada. Prezo tê-la como aliada, mas não posso ser desrespeitada. Com as chamas azuis ainda me rodeando fiz um portal. Chamei algumas dezenas dos soldados que estavam por perto. Estes atravessaram primeiro. Antes de ir embora, olhei para traz, vi Elena ainda me encarando, atônita. Passei pelo portal e antes de fecha-lo pude ouvir:

- Farei minhas obrigações!

Palavras de Elena. Sei que esta maguinha é orgulhosa demais para pedir desculpas, mas aceitarei esta frase. É bom mesmo que ela faça a parte dela no acordo, protegendo o Templo e meu exército. Subitamente lembro-me de meu cristal. Olho para ele e vejo pequenas rachaduras se formando. “Não tenho tempo a perder!”.

Observei a Ponte Infernal, já escura devido a noite. Andei até chegar ao limite da estreita passagem, que era cercada por um abismo escuro, fracamente iluminados pela Lua. A fundo vejo uma espécie de portal, parece girar constantemente. “Como pode haver em Ernas uma passagem tão próxima a Hades?”

Apenas de estar neste local percebo como se o tempo corresse de forma diferente. Posso sentir o poder obscuro se movimentando em meu corpo. O sangue Haro parece ferver, reconhecendo a energia do local. Repentinamente uma forte tristeza invade minha alma. Minhas pernas bambeiam e lagrimas escorrem de meus olhos, sem que eu pudesse contê-las. “O que está acontecendo?”

Quando vejo já estou ajoelhada. Não consigo controlar meu corpo. Fico ofegante. Começo a tremer violentamente. A dor aumenta, e posso ver as chamas azuis, mais intensas, me envolvendo. Coloco as mãos no chão para conseguir apoio. Arrepios percorrem meu corpo. “Eu estou apavorada? Por quê?”.

“Não gosto desse local” disse Lass

“Não ouse! Se quiser sair vivo daqui pare de me atrapalhar” se pudesse eu gritaria mentalmente.

Após alguns minutos a dor diminui. Os arrepios param e minha respiração quase volta ao normal. Ainda com lagrimas em meus olhos consigo retomar o controle de meu corpo. Não possuo forças para me levantar, mesmo assim abro lentamente um Portal, e com muito esforço me sento. Nele posso ver Gadosen sentado em uma sala, aparentemente sozinho. Ele já está me encarando.

- O que deseja, mortal? – sua voz é imponente.

- Sou Cazeaje. – uso todas as minhas forças para não parecer desesperada.

- Veio cobrar minha dívida, não é? – ele se aproxima do portal.

- Preciso que lidere meu exército. Venha ao meu Castelo a oeste da Ponte Infernal, meus soldados o guiarão.

- Demorarei alguns dias para chegar.

- Apenas venha. – falei já desfazendo o Portal.

A fraqueza toma conta de meu corpo e eu acabo deitando, fitando o céu. “Se continuar assim, não vou sair deste local”. Não consegui parar as lagrimas e as chamas continuam em volta de meu corpo. Não sei quanto tempo se passa, mas vejo que o dia começa a amanhecer e me lembro das palavras de Lass.

Com muito esforço consigo me sentar novamente, em direção ao horizonte. Olho fixamente o céu, me concentrando nos tons alaranjados e roxos que cortam a escuridão. Respiro profundamente buscando tranquilidade.

“Lass, me obedeça e se concentre no nascer do Sol. Se acalme”

Ele não me responde, porém após vários minutos sinto meu corpo parar de tremer. As lagrimas diminuem, assim como as chamas. Continuo desse jeito e depois de mais algum tempo sinto as forças retornando ao corpo. Lentamente consigo levantar e já me viro para sair deste local.

Comecei a lenta caminhada em direção a onde seria meu Castelo. Deixo alguns soldados na Ponte para esperar Gadosen. Também chamo mentalmente outros, do Templo do Fogo, para me acompanharem. Ando a passos pesados, ainda cambaleando. Creio que, neste ritmo, em alguns dias os soldados me alcançarão.

Conforme me afasto sinto o calor diminuir. Estranhamente vejo a paisagem se tornar arroxeada novamente. O clima quente e céu avermelhado dá lugar ao frio e escuridão. Mesmo de dia o local é fechado e sombrio. Após uma semana de viagem avistei montanhas, perfeitas para construir meu novo lar.

Paramos neste local, eu e meus soldados. Todos nós descansamos após a longa viajem. Eles ficavam parados, imóveis e inexpressivos, isso tornava o lugar mais sombrio. Percebi que alguns começaram a mudar de cor, antes vermelha, agora era roxa como as pedras. “Deve ser uma maneira de se camuflar”.

Com a pouca magia que resta no cristal fortaleci os soldados para que pudessem construir meu Castelo. Dezenas, talvez centenas, trabalhavam arduamente, sem parar nem descansar, dia e noite, e mais chegavam a cada dia. Apenas em duas semanas meu Castelo já estava pronto. Sentei-me em meu trono no último andar. Só me restava aguardar Gadosen.

Aproveitei meu tempo livre para treinar técnicas com minhas adagas. Percebi que o corpo de Lass é muito rápido. Ele consegue ser imperceptível, até mesmo, pode ficar invisível. Sua habilidade permite dar golpes únicos e precisos.

“Lass você parece um verdadeiro ninja”

“O que é isso?” disse Lass

“Quando eu morava em um Reino, li sobre os Ninjas. Um lutador habilidoso que pode se infiltrar em locais sem ser visto. Você é um deles” ele não respondeu. “Eu me lembro também que eles usavam kunais, sem contar que podemos misturar seu sangue Haro com essas habilidades”

“Vamos ver no que vai dar”

Com as pedras do local mandei meus soldados fazerem kunais para mim. Continuei treinando até conseguir utilizar totalmente as habilidades deste corpo. Acabei criando técnicas magicas com o poder obscuro de Lass, que se misturavam com seus golpes. A cada dia me tornava mais ágil e mais forte.

Após uma semana comecei a me preocupar se Gadosen realmente viria. Até que me lembrei que o tempo em Ernas passa mais rápido do que em Hades. Estava satisfeita, tudo ocorria conforme o plano. Já imaginava ansiosa o momento de enfrentar Astaroth e arrastá-lo ao Submundo como ele fez comigo.

- Cazeaje, é urgente. – falou Elena mentalmente.

- Fale, o que aconteceu? – respondi.

- A Grand Chase pode se tornar uma pedra em nosso caminho.

Rapidamente abri um Portal para que ela viesse ao meu Castelo. Elena o atravessou, apenas com seu cetro em mãos. Sentei-me em meu trono e ela ficou à minha frente. Quando vi, estava retirando a gema de seu cetro e apontando em minha direção. Esta brilhou levemente.

- Preciso que veja isto.

              Capitulo 10 - Pedras no Caminho

 

A gema que Elena segurava brilhou com uma luz fraca. Imagens começaram a ser projetadas na esfera. Arbustos, árvores, o Sol iluminando o ambiente.

- Que local é esse? Não consigo identificar. – falei estreitando os olhos para poder enxergar melhor. As imagens mostradas eram minúsculas.

Elena fez um movimento expansivo com os braços e as imagens tomaram conta de toda a sala onde estávamos. Levantei-me de meu trono, surpresa. Era como se estivéssemos naquele ambiente. Mas percebi que as projeções eram levemente falhas, os sons eram abafados e não era possível sentir o calor do Sol, ou o vento soprando, nem passar as mãos nas flores.

- Esta é a Terra de Prata – respondeu.

Ao dizer isso pude reconhecer. A ilha fica na fronteira de Vermécia. Canaban possuía muitos contatos com esse local devido aos exércitos, sempre trocando informações sobre armamentos e técnicas de combate. Tudo parecia normal, até eu ver Elena mexendo em sua gema, fazendo a paisagem “correr” para os lados.

Destruição. Pude ver partes das densas Florestas destruídas. Logo após isso foi possível ver um enorme edifício. Estava em ruinas. Varias partes destroçadas de armaduras são vistas, espalhadas ao redor desta enorme construção.

- Este era o local de treinamento dos Cavaleiros de Prata – Elena falou, sua voz era séria.

Sim, já ouvi falar destes guerreiros. Poderosos, destemidos, sempre prontos a proteger os cidadãos. Recusaram-se a apoiar Canaban na Guerra de Vermécia, uma atitude nobre e corajosa. Mas, pelo que vejo, devem estar todos mortos neste momento.

- Como isso aconteceu? – perguntei curiosa.

- Logo mostrarei, mas creio que foi no mês passado. Essas imagens que vemos são em tempo real, ou seja, este lugar permanece desabitado. Mas não era isso que eu gostaria de lhe mostrar. – assim ela novamente mexeu na gema em suas mãos e a imagem voltou a “correr”.

Voltamos para a Floresta e pude ver um grupo de jovens acampados. Estava amanhecendo e eles estavam reunidos em volta de uma pequena fogueira. Um garoto de cabelos alaranjados se aproximava com frutas em suas mãos. Uma menina loira, uma elfa? Sim, ela estava lá preparando o alimento.

Essa cena estava acontecendo e eu e Elena estávamos “dentro” dela, mas os garotos não pareciam nos ver. Essa magia é impressionante. Logo vejo uma garota ruiva sentada próxima da fogueira, conversando com um garoto, também ruivo, e uma jovem de cabelos roxos.

- Esses são os membros da Grand Chase. – a voz de Elena me tirou de meus pensamentos – Essas imagens são de algumas semanas atrás. Pude ver varias de suas batalhas e analisar cada um deles. - Ela andou para perto dos jovens e os apresentou. –Esta elfa, Lire, perita em longa distancia, usa arco e flechas para lutar. Este garoto é um elfo Druida, Ryan, tem uma transformação corporal, basicamente se torna um lobo. Esta ruiva é a Elesis, líder do grupo, espadachim. Aqui temos a Arme, maga, foi minha aluna na Academia. O garoto ruivo é o mais novo integrante do grupo, Jin, era um Cavaleiro de Prata. E este que chega ao fundo.....

Não consegui mais ouvir a voz de Elena. Sim, era ele. Andando bem na minha frente. Aproximei-me, senti o coração palpitar forte em meu peito. Ele está vivo! Vejo que cresceu desde que nos vimos. Fico parada em frente a sua imagem projetada, encarando profundamente seus olhos azulados. Ronan é você! Minha mente é invadida por perguntas. Como se juntou a este grupo? Ele veio me caçar? Não o culpo. O som de sua voz me faz despertar de meu transe.

- Então vejo que se juntou a nós, seja bem vindo Jin! – sua voz saiu abafada e entrecortada.

Repentinamente senti que tudo paralisou, como se o tempo parasse de correr. Olho em volta assustada. Vejo que o fogo não se move, as plantas estão paradas, até mesmo os jovens estão paralisados. Por fim vejo Elena parada próxima a mim.

- Você ouviu o que eu falei? – perguntou com irritação.

- Claro!

-Uh – ela fez uma careta - Por que está encarando ele desse jeito? – perguntou ainda irritada.

- Esse é Ronan Erudon, já o conheço. Só não imaginei que ele estaria aqui.

- De onde o conhece?

 - E-Eu.... – abaixei minha cabeça em pesar, não gosto de relembrar meu passado – possui o corpo dele anos atrás......Usei ele para causar a Guerra de Vermecia. Sem contar que somos parentes.

Elena ficou impressionada, porém logo desfez sua expressão de espanto, creio que lembrou-se de minha historia. Logo voltou a falar. Realmente o assunto em questão deve ser de suma importância.

- Esse é o grupo que deseja te derrotar. Há poucos dias eles batalharam contra Victor, o traidor dos Cavaleiros da Terra de Prata. Preciso que veja esta batalha.

As imagens sumiram e reapareceram. Um cenário formado de pedras escuras, e um grande edifício ao fundo. Todos os guerreiros desta Grand Chase estavam parados, encarando um enorme ser, Victor. Este possuía o dobro do tamanho de um humano, muito forte, trajava uma armadura. O jovem ruivo, Jin, conversava com o Victor, enquanto os outros observavam em formação de batalha.

- Vou passar partes luta para você analisar, mas preste muita atenção nas conversas. – alertou Elena. Assenti.

Neste momento os sons ficaram mais altos. Fortes ventos zuniam incessantemente, apesar de não ser possível senti-os. Jin estava frente a frente com Victor, encarando-o com punhos cerrados.

- Maldito! Como você pode nos trair? Eu não vou mais chama-lo de líder! – gritou Jin furioso – Esse é o motivo pelo qual você traiu os Cavaleiros de Prata e colocou a Terra de Prata em perigo? Para ser possuído por uma energia maligna? Vou puni-lo, em nome dos Verdadeiros Cavaleiros de Prata!

- Você me faz rir, criança... – zombou Victor - Venha, vou lhe dar umas boas palmadas como lição!

- Argh! Você vai se arrepender do que fez! Terei minha vingança em nome de todos os outros! – esbravejou Jin.

Neste momento Victor ficou em posição de batalha. Varias flechas iam ao seu encontro e cravavam em sua armadura. A maga pedia forças aos espíritos da natureza. A ruiva rapidamente começou a desferir golpes, que eram absorvidos pela armadura, causando arranhões quase invisíveis.

- BENÇÃO DIVINA! – Ronan exclamou.

Uma luz azulada os envolveu. Elesis recuou e, antes mesmo de Victor conseguir ataca-la, foi surpreendido pelos golpes de Ryan. A armadura começou a apresentar vários arranhões. Quando o traidor iria atacar o druida, este também recuou dando lugar a Ronan.

O mesmo empunhou firmemente seu gladio e realizou golpes certeiros. Victor estava visivelmente irritado por não ter conseguido acertar nenhum dos guerreiros. Quando Ronan recuou, rapidamente foi atacado com inúmeros socos em suas costas. O inimigo se movimentou tão rápido que não foi possível acompanhar com os olhos.

- CURAR! – Arme conjurou em Ronan.

- CORTE PROFUNDO! – rapidamente Elesis atacou Victor com toda sua força. Logo recuou e outro veio atacá-lo.

- DRAGÃO CELESTE!

- RAJADA DE FLECHAS!

- LAMINAS GÊMEAS!

Os guerreiros começaram a atacar em uma velocidade surpreendente. Esta estratégia de ataque e recuo, alternando entre si, impediu que eles fossem golpeados pelo adversário. Este já estava com sua armadura danificada e ofegante devido a forças dos ataques recebidos. Por fim Victor começou a desferir socos no ar, e destes foram gerados grandes esferas negras, que perseguiram os jovens.

Ao ter contato com a esfera, todos os guerreiros ficaram ofegantes e visivelmente esgotados. Pelo jeito esta magia sugava suas energias. Porém, antes de ser atingida a maga soltou um Relâmpago que fez o inimigo cair ao chão. O corpo de Victor ficou inerte por alguns segundos. Todos da Grand Chase ajoelharam, exaustos, haviam dado tudo de si nesta luta.

Para surpresa de todos, Victor se levanta lentamente. Começa a juntar energia, seus ferimentos se curam por completo. Uma forte luz branca começa a irradiar, cegando todos por alguns segundos. O traidor grita fortemente. Logo a luz se dissipa e é possível ver que surgiram grandes asas negras em suas costas, e agora este segura um martelo em mãos.

- Não acredito.... ele se recuperou...– fala a maga, ofegante.

- Uff... Droga... Sem perder o ritmo! Com toda a força!– Jin incentiva seus companheiros.

E a luta recomeçou. Arme ficou ao fundo, recebendo forças dos espíritos da natureza e Jin ficou próximo a ela, reunindo seu ki, ele sabia que esta seria a única forma de derrotar Victor.

- Vamos fazê-lo ficar zonzo! – gritou Elesis.

Ao ouvir isso, os guerreiros se reorganizaram. Ficaram em volta de Victor, Elesis a sua frente, Ryan a sua direita, Ronan em suas costas e Arme a sua esquerda. Eles voltaram a desferir poderosos golpes no adversário, dois de cada vez para confundi-lo. Lire, que estava próxima de Jin, ao fundo, também atacava com suas inúmeras flechas.

- ESPADA FLAMEJANTE!

- FURIA DO TITÃ!

A sequencia de golpes foi dada instantaneamente. Victor parou o ataque de Elesis com seu martelo, mas foi atingido por Ryan. A maga aproveitou que o inimigo foi levantado ao ar e desferiu um golpe, junto com a arqueira.

- ANTIGRAVIDADE!

- RAJADA DE FLECHAS!

O traidor caiu ao chão e teve o corpo atingido pelas flechas. Enquanto se levantava retirou-as de seu corpo e armadura como se não lhe causassem dor. Victor levantou voo, girou seu martelo no ar, o que gerou um forte tornado. Arme rapidamente conjura um Escudo Magico em Jin, para que este não perdesse sua concentração. Ao serem atingidos, todos da Grand Chase foram empurrados.

Todos parecem fracos e exaustos devido à força do golpe. Victor anda lentamente, com seu martelo em mãos. Aproxima-se de Ronan e gira sua arma lateralmente visando atingi-lo. Ao ver isso Ronan fala num sussurro.

- Congelar!

No mesmo momento um floco de neve sai de seu corpo e atinge a arma do adversário. Este é paralisado, a centímetros de distancia do Arcano, e uma grossa camada de gelo o encobre. Vendo a oportunidade, todos os jovens correm – ou devo dizer mancam – até Victor.

- Agora! – gritou Elesis.

Todos o atacam ao mesmo tempo. Este conflito de poder gera fortes luzes multicoloridas, que dançam como chamas enquanto suas vozes se misturam ao gritarem os nomes de suas habilidades. O único alienado a essa batalha era Jin, que ainda reunia todo o seu ki para derrotar o traidor.

Todos exaustos passam a se apoiar em suas armas, ofegantes, apenas esperando para ver se seus esforços foram bem sucedidos. Porém o inacreditável ocorre novamente. Victor se levanta com muita dificuldade diante de todos. Grita fortemente. A mesma luz branca passa a envolvê-lo curando todas as suas feridas.

- Mas que droga... Ah... Se recuperou de novo?! – Lire disse indignada - Ele é imortal?! É essa energia maligna que o fortalece assim?

- Ahhh... Não consigo... – falou Jin, frustrado - Se eu tivesse um pouco mais de poder...

- Acho que peguei sua ideia... – exclamou Elesis - Aquele poder que derrotou a Rainha Negra... Quer o resto das nossas forças para usá-lo?

- Boa ideia! – falou Arme - Jin tome o resto de todos os nossos poderes... Se os Cavaleiros de Prata sabem controlar o ki, use nossa energia!

- Ah... Obrigado... – agora com a permissão, Jin reuniu as forças restantes de seus companheiros. Todos foram para os lados, deixando o caminho livre entre ele e o oponente - Victor... Tome isso, o verdadeiro e mais forte poder dos Cavaleiros de Prata! FIM DOS DIAS!

O corpo de Victor é atingido pela poderosa esfera alaranjada. Gritos de dor ecoam pelo ambiente. Este cai exausto, com sua armadura totalmente destruída. Vários cortes percorrem seu corpo e muito sangue cobre o chão.

-Não! Senhor da Escuridão... Me dê suas forças... – Victor geme em desespero.

- Você não pode nem mesmo se aguentar de pé dessa vez... Você já não me é mais útil... – uma voz onipresente e rouca é ouvida.

- Ugh… Por favor...

- Ferramentas desnecessárias devem ser descartadas... Inútil! – Após dizer isso uma forte luz encobre o corpo de Victor, o fazendo desaparecer.

- Ahh.. Isso... Não era... Cazeaje...? – fala Elesis intrigada.

- O que? – pergunta Jin confuso - Aquela voz? Era Cazeaje?

- Quem... Não... – responde a elfa  - Aquele não era o poder de Cazeaje... Lembrava, porém não parecia ser o mesmo... Sinto que é uma força ainda maior.

As imagens congelaram, e foram desaparecendo lentamente. Um silêncio tomou conta do ambiente. Traição, batalhas, Grand Chase, “Senhor da Escuridão”. Alguns minutos foram necessários para conseguir digerir todas estas informações. Elena se aproximou de mim e me trazendo de volta a realidade.

- Acham que você causou a destruição da Terra de Prata. – fez uma breve pausa – Esses jovens são realmente poderosos.

- Sim. Você sabe quem deu forças ao Victor?

- Da forma que você fala, parece que já sabe quem foi. – disse Elena em dúvida.

- Sei. Esta voz, a forma de falar..... Só pode ser ele, Astaroth! – Elena concordou, talvez já esperasse uma resposta parecida. – Você sabe de onde ele estava falando?

- A energia era muito forte e estava camuflada. Não tenho certeza absoluta. – olhei-a esperando que continuasse a falar – Pelas minhas pesquisas, pode estar em Xênia.

- A Terra dos Deuses? – perguntei atônita.

Elena apenas assentiu. Aquele maldito! Como pode ter invadido o domínio divino? E ainda se aproveita da ignorância de humanos tolos, se escondendo atrás de meu nome. Faz com que eu seja caçada em seu lugar enquanto ele debocha dos deuses.

- Obrigado pela informação. – falei a Elena, claramente estava irritada – Gostaria que descobrisse quais são as intenções dele em Xênia.

- Mas ainda preciso que saiba de mais uma coisa – Elena estava apreensiva.

- O que? – ótimo, mais noticias ruins.

- A Grand Chase descobriu sua localização e está viajando para Ellia.

“Aqueles vermes!” Como descobriram? Um ódio imenso tomou conta de meu corpo. Senti as chamas azuis me rodearem novamente. Essas crianças não vão atrapalhar meus planos.

- Onde eles estão neste momento? – perguntei irada.

- Estão num navio. Veja. - A gema nas mãos de Elena voltou a brilhar e mostrou os guerreiros andando pelo navio.

- Preciso que afunde a embarcação e projete minha imagem para eles. Consegue fazer isso?

- Sim. – ela pensou um pouco e logo voltou a falar – Mas você sabe que a Arme conseguirá salva-los, com a proteção do espirito da agua.

Assenti. Logo voltei a encarar as imagens dos jovens. Elena murmurou algumas palavras e uma gigantesca onda se formou ao fundo. Pude ouvir suas vozes falhas e entrecortadas.

- O que é isso? – gritou a maga.

- Uma onda gigante! – exclamou Elesis.

Elena fez um sinal com a cabeça, me dirigi para a ponta do barco, encarando os jovens frente a frente.  Uma sensação estranha tomou conta de meu corpo, como uma dualidade, ao mesmo tempo em que suas imagens ainda eram falhas, eu conseguia sentir levemente a brisa e o balançar violento do barco. Ri malignamente.

- Cazeaje?! – indagou a ruiva.

- Cazeaje! – exclamou Ronan - Nunca pensei que você teria coragem de se revelar assim. Tome isso! FURIA DE CANABAN!

Logo ele parte para cima de minha ilusão e a ataca com sua lâmina. Consigo sentir levemente o vento que é dissipado junto com a enorme força do golpe, porém não me movo. Não posso ser atingida.

- Era só uma ilusão? – o jovem Erudon questiona, confuso.

- Esse será o seu túmulo. – falei de forma ameaçadora - Procurem por tudo o que quiserem no fundo do mar! – logo após dizer isso dou outra risada maligna.

Ver estes rostos confusos me acalma. Posso sentir a onda atingindo o barco. Elena desfaz a ilusão e ouço, ao fundo, o desespero e a confusão nas vozes deles. Ando novamente em direção ao trono. Sento-me nele e começo a repensar sobre meus planos.

A raiva que eu sentia desta Grand Chase diminuiu, assim as chamas em meu corpo também sumiram. Elena se aproxima, recolocando a gema em seu cetro. Ela para diante do trono, apenas esperando para que eu conseguisse colocar minha cabeça no lugar. Após vários minutos eu finalmente reorganizo minhas ideias.

- Pegue todas as informações que conseguir de Astaroth e traga para mim. Também quero saber tudo sobre esses pirralhos – falei séria – e prepare os soldados, eles não vão demorar em vir ao nosso encontro.

- Fique com isso. – Elena materializou sua pequena bolsa, retirou uma gema e entregou a mim – Nela você poderá ver tudo o que a Grand Chase fez até agora. Vou pesquisar mais sobre Astaroth.

Dito isso eu abri um Portal para o Castelo dela e esta o atravessou rapidamente. Com a gema eu poderia analisar o estilo de batalha de todos os jovens e ver o quão poderosos eles são. Comecei a movimentar levemente os dedos na esfera e pequenas imagens eram mostradas. Estranhamente eram logo após a luta contra Victor.

Com muito custo consegui expandir as imagens pelo ambiente. “Elena, por que não me ensinou a usar essa porcaria antes de ir embora?”. As projeções estavam lá, mas faltava o som. Se ao menos eu pudesse usar meus poderes não estaria passando essa vergonha. Joguei a gema na parede, estava com muita raiva. Quando fiz isso passei a ouvir os sons.

“Ótima maneira de resolver as coisas” zombou Lass.

“Shh! Preciso ver o que se passa”

Havia dois jovens batalhando, Jin e um garoto de cabelos arroxeados. Os outros membros da Grand Chase estavam ao fundo observando em uma espécie de clareira na floresta.

- Mas já caiu Jin? Eu nem me aqueci.

- Se você gosta de chutes, Azin, que tal um desses?

- DRAGÃO CRESCENTE! – Jin sobe ao ar, dá uma pirueta com o bastão junto ao seu pé. Mira o golpe um pouco para trás, tentando prever os movimentos de Azin. Este por sua vez dá dois passos para o lado e desvia facilmente.

- A luta não se resume em frente e trás Jin. Por mais que não use, os lados existem.

- Ora seu!...DRAGÃO CRESCENTE! DRAGÃO CRESCENTE! DRAGÃO CRESCENTE! – Uma série de chutes poderosos foram dados em sequência, porém Azin desviou de todos muito rapidamente. Após o termino da sequência, o monge começa a juntar energia.

- Ahh! – gritava.

- Você não pode lutar calado? – retrucou Azin irritado.

- IMPACTO – um feixe de energia canalizado foi disparado, o guerreiro tenta bloquear e voa longe com o choque. Ele cai, mas rapidamente se levanta.

“Eles estão treinando entre si?” Lass parece confuso.

“Acho que estão batalhando de verdade. Não me atrapalhe Lass, quero analisar a luta deles”

Jin começa a correr e ameaça atacar com o bastão, mas na verdade dá uma cambalhota para trás de seu oponente visando suas costas.

- IMPULSO DE ASURA!- o ruivo gira seu bastão para cima, tentando erguer Azin do chão.

- TEMPESTADE CAÓTICA!

                Uma esfera de água foi formada em volta do seu corpo, Azin saiu ileso porém Jin levou todo o dano de seu golpe.

- Suas tentativas são tão patéticas – falou com arrogância – Eu nunca dei um nome a um golpe, o que achou desse Jin, foi bom?

                O ruivo estava caído pois o impacto do golpe foi muito forte, sem contar que já estava debilitado por ter lutado antes contra Victor. Com muito esforço ele se levanta.

- Nada mal o nome, mas precisará mais do que isso pra me derrotar. – falou com ironia.

- Você fala demais.

“Este tal de Azin não parece ser membro da Grand Chase”

“Desde que Elena foi embora você não para de falar”

“Se falasse com ela aqui ela ouviria. Vi o que você falou sobre o Ronan hoje. Sente algo por ele?”

“Não seja ridículo Lass. Quando se possui o corpo de alguém, é possível sentir todas as experiências da pessoa. Os segredos e vontades mais íntimos ficam expostos. Qualquer um sentiria uma ligação especial. – fiz uma pausa para pensar melhor - Até mesmo eu e você temos esta ligação. Poderá sentir depois que eu deixar seu corpo”

“Entendo. Por que esses jovens estão se juntando, mesmo após batalhar?”

“Ótimo, perdi toda a luta.”

Pego a gema do chão e começo a mexer nela, tentando rever a batalha. As imagens somem, o som desaparece, continuo passando os dedos por ela. As imagens congelam, se expandem, voltam, a paisagem começa a “correr”. Fico com raiva, os sons voltam, as imagens ficam destorcidas, passam rapidamente, expandem, congelam, ficam mudas e nada de conseguir rever a batalha.

- Que esfera ridícula! – grito com raiva – Se não funcionar vou manda-la ao Submundo para ser devorada pelos Dragões!

“Esse vai ser um longo dia”

              Extra - Conto da Raposa e do Dragão

 

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Azin POV

                 Posso me lembrar como se fosse ontem, daquela tarde, aquele estranho homem ferido, desorientado, entrando no bambuzal. Não sei de onde ele surgiu, porém pouco antes dele aparecer ouvi gritos, barulhos estranhos e ao ir ao seu encontro avistei ao longe criaturas estranhas procurando por algo, nunca tinha visto nada assim em minha vida, essa floresta sempre foi deserta. Sem saber o que fazer o segui de longe com medo de ser avistado, não sabia se o mesmo representava alguma ameaça, mal  imaginava que ele me traria a vida de volta. Fiquei escondido atrás dos bambus, de tocaia, até descobrir o que o homem buscava, o mesmo por sua vez continuava sua busca ao desconhecido. Ele encontrou o rio que banhava a floresta e num gesto em que demonstrava tentar beber água desmaiou e caiu dentro do rio.

                Mesmo não sabendo se esse homem era bom ou mau não pude vê-lo se afogar e não fazer nada, mergulhei em seu resgate. A corrente do rio era forte, com muito custo consegui puxá-lo para a borda, ele era pesado, seu corpo possuía inúmeros cortes, provavelmente de uma batalha, em seu peito um brasão, sinceramente não sabia o que ele significava, nunca sai desta floresta, não sei o que existe além dessa pequena imensidão, que desde que me recordo chamo de lar.

                Consegui tirá-lo da água, porém o mesmo não reagia, sem saber o que fazer o levei até a minha casa, não tinha força para carregá-lo e realmente não me importava com o conforto que ele sentiria, o segurei pela perna e o arrastei pela floresta até minha casa. Ela era simples, todavia já havia sido muito mais do que o ele presenciaria, originalmente me lembro dela sendo apenas um cubo feito de bambu, facilmente quem olhasse acharia que era uma jaula, vivi por muitos anos sozinho e aos poucos fui aumentando ela com mais bambus que recolhia. Como sobrevivi quando criança? Não sei. Sobre o fato de saber falar sem nunca ter tido contato com humanos, uma pergunta mais difícil ainda. E justamente por nunca ter interagido com alguém esse homem me intrigava tanto.

                Não havia muito na minha casa além de uma pequena fogueira, um caldeirão que esta aqui desde que me recordo e bambus que eu utilizava para tudo, desde minha cama até mesas e cadeiras.

                Eu cuidei dos ferimentos do homem e o alimentei com uma sopa, que não acho que seja preciso dizer do que era feita, após cerca de quatro dias ele retomou a consciência. Quando abriu os olhos estava com uma cara patética, um homem daquele porte tão confuso chegava a ser engraçado. Após olhar para os lados e me ver ele reuniu forças e disse:

-Eu não morri?- disse com um ar de dúvida.

-Claro que não, eu tenho cara de algum dos deuses pra você estar morto?- disse repentinamente, eu não pretendia ser rude, mas aos poucos fui percebendo que não me dava muito bem em conversas.

-Quem é você? Onde estou?

                A pergunta dele ecoou pela minha cabeça, , eu sempre me perguntava isso “Quem sou eu?”, nunca tive um nome muito menos alguém que me perguntasse quem eu era, o único contato que já tive foi com uma bela raposa que vive nesta floresta. Onde estava? Não fazia a menor ideia, aquela floresta era tudo que conhecia, eu a chamava de Floresta de Bambus, nunca fui uma pessoa criativa.

                Com fogo no olhar o homem repetiu a pergunta:

- Quem é você meu jovem?

                Sem saber o que responder disse apenas:

- Não preciso me apresentar, além de ser uma ousadia de sua parte me perguntar quem sou antes mesmo de se apresentar, a única coisa que precisa saber é que salvei sua vida.

-Como ousa falar com o líder dos cavaleiros de prata nesse tom de arrogância seu moleque!- Disse ele irritado

-E o que te leva a pensar que só porque você monta cavalos por ai merece algum tipo de respeito, principalmente estando dentro da MINHA casa?

- Você não sabe quem eu sou? Você não deve viver meu garoto. - Disse ele com sarcasmo.- Meu nome é Azin Tairin, o líder dos Cavaleiros de Prata, os mais poderosos guerreiros do continente.

                Talvez fosse isso o brasão em seu peito.

- Se é tão forte por que perdeu a luta e acabou desmaiando? Quando eu te encontrei você estava pior que um peixe morto, se não fosse por mim teria morrido afogado.

                Ele não entende do que estou falando, percebendo seu questionamento eu o digo  tudo que vi. Espantado ele pergunta:

-Como alguém fraco como você conseguiu me tirar do rio e ainda me trazer até aqui? Que por sinal você ainda não disse onde é.

- Eu tenho o hábito de nadar, te tirar do rio não foi tão sério quanto te trazer pra cá, eu te arrastei pela floresta e por falar nisso, você é muito pesado, esses cavaleiros de prata devem ser os Cozinheiros de Prata isso sim.

-Como ousa se referir assim a nós, nunca perdemos uma bat... – subitamente ele para de falar, perde o semblante de confiança que carregava, e perguntou mais uma vez, agora calmo e cabisbaixo:

- Onde estamos garoto?

- Não sei lhe dizer isso cavaleiro – essas palavras doeram ao sair pela minha boca, admitir não saber algo parecia ser algo difícil pra mim- Vivo aqui desde que me lembro, nunca sai dessa floresta, a única coisa que sei é que quando você chegou algumas criaturas pareciam o perseguir.

-Então ainda estou na Terra de Prata- disse ele pensativo.

- Ah agora faz sentido o nome do seu “clube”- disse com deboche - vocês podiam ter se esforçado mais na hora de escolher um título.

- Cale-se rapaz, mesmo você não merecendo agradeço por ter cuidado de mim- Então ele na tentativa de se colocar de pé, por estar ainda muito fraco, caiu. Eu rapidamente fui o ajudar, o coloquei de volta na cama, com muito esforço, nunca fui muito forte, afinal nunca precisei.

                Deitado Tairin com um ar de brincadeira diz:

- Acho que ainda não posso deixar sua companhia meu jovem.  Por hora vou aproveitar de sua hospitalidade. – Ele riu.

                Esse homem era com certeza estranho, mas por algum motivo sua companhia me agradava, pouco tempo depois isso ele voltou a dormir. No dia seguinte ele acordou enquanto eu havia ido recolher bambus e tudo que eu escuto é um grande grito. Volto correndo para dentro de casa e quando vejo ele fala:

-Ahhhh que cama horrível, minhas costas estão doendo mais que os cortes na minha barriga!

- Seu velho irritante, você me assustou por nada, quase derrubei os bambus pelo caminho.

- Você ainda estava pegando mais dessa porcaria que fez essa cama, pra que você quer essa porcaria?

- Argh...- Nem mesmo eu sabia porque recolhia tanto bambu.

- E afinal como consegue colher isso, bambu é muito resistente, eu olhei bem nessa casa, não tem nada afiado que te ajude a cortá-los.

- E quem foi que disse que eu preciso de ferramentas, eu os quebro com chutes.

-Você? Com chutes? – disse Tairin debochando – Você não tem força nem pra me carregar, quanto mais quebrar algo com as pernas.

- Se não fosse pela batida das minhas pernas no rio você já seria ração de peixe.

-Se é tão bom assim pegue esses que você trouxe consigo e parta-os com um dos seus “chutinhos”.

                Fiquei apreensivo por que nunca havia tentado cortar mais de um bambu de uma vez, mas guardei essa insegurança comigo, por fora era um poço de confiança.

Dei um chute rápido, preciso, Tairin claramente se espantou quando viu que eu havia conseguido quebrá-los.

-Garoto, quem lhe ensinou isso? – Disse ele curioso

-Ninguém- Respondi confiante. – Aprendi sozinho.

- Por mais arrogante que você seja eu admito que você tem um dom consigo, você cominou o chute como se fosse uma foice, mesmo sem força aplicou um golpe obviamente poderoso, soube se aproveitar mais da agilidade do que força.

- Blá,blá,blá pra que você ta dizendo tudo isso, eu já sei de tudo, afinal quem aprendeu o chute não fui eu?

- Moleque seus pais não te deram educação?

                Nunca conheci meus pais, mal eu sei o que é ter um, com raiva e confuso respondi:

- Você não tem direito de falar neste assunto, afinal de contas, o que você entende sobre pais?

                Tairin ficou pensativo e quieto, não esboçou nenhuma reação a minha provocação, eu nunca havia conversado com alguém, eu me divertia com ele pois ele sempre retrucava o que eu dizia, mas dessa vez, acho que realmente o ofendi.

                Calmamente, com o olho brilhando de orgulho ele disse:

-  Eu conheci o amor, tive a melhor esposa do mundo e sei o que é ser pai, sou um, meu filho tem aparentemente a sua idade, o nome dele é Jin, na verdade , você me lembra muito ele, convencido, confiante e dois cabeças ocas.

                Jin...este e o segundo nome que eu aprendo, Tairin falou dele com um carinho tão grande, queria eu um dia ser visto assim por alguém.

-Meu filho deve achar que eu estou morto, mas essa é minha oportunidade de me vingar  de Victor, que me traiu, dominou meus antigos aliados. A sombra da morte é a melhor cobertura para o meu contra-ataque, mesmo que ele sofra tem que ser assim para conseguirmos vencer.

- E o que você acha que consegue fazer nestas condições seu tolo? Você nem mesmo aguenta o peso do seu corpo.

- Garoto você já falou demais, já passou da hora de alguém te dar uma lição. Que tal uma luta, se você ganhar eu aceito que você é tão forte quanto diz, porém se perder vai me ajudar no meu plano.

- Por que eu aceitaria isso? Não ganho nada com isso. já sei que estou certo, não preciso que você e confirme nada.

- Então por que não tira a prova disso, ou está com medo de perder pra um “velho tolo”?

                Ele já sabia o quanto isso me irritar, sem dúvidas aceitei batalhar.

- Então lutemos amanhã ao amanhecer. Darei-te um dia pra se preparar, não que vá adiantar- Disse Tairin com arrogância. Sei que na verdade ele apenas queria um dia a mais pra se recuperar, pois ainda estava muito fraco. Aceitei o prazo e como ele disse o usei para treinar, afinal nunca havia entrado em uma briga antes.

  No dia seguinte perdi pateticamente o duelo. Mesmo ele estando debilitado ele não levou ao menos um dos meus golpes, ele não me atingiu nenhuma vez ele apenas refletiu meus chutes. Agora posso acreditar que ele era líder de alguma coisa, ele era mesmo bom.

                Após a derrota estava preparado para as gozações que iria sofrer, porém muito pelo contrário, Tairin disse:

- Muito bom garoto, você luta muito bem, acho que você nunca entrou numa batalha antes, sua postura não é de lutador, muito menos seu porte, mas você tem muito potencial.

- Isso é algum tipo de sarcasmo? Está zombando de mim? – disse com raiva.

- Meu jovem, você não precisa sentir raiva de tudo, não tenho segundos significados em minhas palavras, você faz bem de desconfiar de tudo, por viver sozinho você é tão ágil e inteligente quanto uma raposa, mas não precisa duvidar de mim, eu não quero seu mal.

- E então o que você quer?

- Quero sua ajuda pra me vingar, mas além disso tenho uma dívida de honra com você garoto, você salvou minha vida e eu gostaria de retribuir-lhe , te treinando, você tem muito o que aprender mas de fato tem um talento único, eu mesmo jamais conseguiria dar chutes como os seus,  nenhum dos meus cavaleiros tem uma técnica como a sua, você tem estilos únicos, você me atacou de várias formas diferentes, eu quero treinar cada uma delas, melhorá-las e lhe ensinar tudo que eu posso, você é bom meu jovem, quero você ao meu lado para que um dia, juntos, possamos lutar contra aqueles monstros que me perseguiam...não só nós...meu filho também....

                Pela primeira vez na minha vida senti a bondade vinda de alguém, ele teve a chance de me humilhar mas me elogiou, e mesmo num momento de vitória quis me ajudar e desejou minha companhia, foi uma sensação muito boa, porém também foi a primeira vez que senti algo ruim, um sentimento estranho quando ele citou seu filho...será que só eu não era suficiente para lhe agradar?

                No dia seguinte começamos os treinos, para mim era tudo ao mesmo tempo muito simples e estranho, pois eu repetia os movimentos que sempre fiz, mas com um objetivo totalmente diferente. Adquiri posturas para lutar, acho que posso dizer que conheço vários estilos, todos eles adequados a mim, ao meu jeito de golpear. No treino aprendi a quando usar cada estilo e em que tipo de situação não usá-lo. Tairin me ensinou muito mais do que meramente lutar, ele me contou sobre a honra de um cavaleiro, todas as aventuras que ele viveu, me ensinou sobre o mundo além da Floresta de Bambus, o mundo que eu nunca tive a intenção de conhecer, sempre estive seguro em meu mundo, não via razão pela qual sair, porém com tudo que aprendi esse desejo cresceu em mim, a vontade de explorar o mundo e viver aquilo que nunca tive chance.

                Tudo era muito belo neste conto, mas um sentimento ruim foi florescendo dentro do corpo, não importa o quão bem ia nos treinos, o quanto melhorava, meu mestre nunca parou de falar do Jin, o quanto ele era bom, o quanto eu parecia com ele nos treinos, o quanto ele era forte, o quanto se destacava dos demais. Será que ele não me vê? Sou apenas uma sombra do seu filho? Um dia ele vai reconhecer que sou tão bom quanto ele? Esse se tornou meu objetivo, aquele velho virou a pessoa mais próxima de mim, posso dizer que ele foi o melhor amigo que tive em minha vida, quero ser reconhecido por ele, quero que ele saiba que eu existo, quero que ele saiba quem sou eu. Tairin disse-me que eu era um menino arrogante, queria que ele visse que um dia seria o mais forte guerreiro daquela região.

                Meses se passaram, Tairin ainda não estava completamente curado de seus ferimentos, pois haviam sido muito profundos, mas mesmo assim não agüentou ao ataque. Numa tarde como nas outras sai de casa para fazer minha colheita, mas a volta foi diferente avistei monstros saindo de minha casa, corri pra lá, derrubo tudo no chão, tudo que me importava era meu mestre. Quando entrei, tudo estava em pedaços e Tairin estava no chão muito mais ferido do que quando o encontrei a primeira vez, ensanguentado, quase sem respirar, não queria admitir mas sua morte era eminente, nada que eu pudesse fazer iria salvá-lo. O segurei com as mãos e elevei a sua coluna para que pudesse ouvir o que ele aparentemente balbuciava. Então ele disse de maneira fraca e calma:

- Você em pouco tempo mudou muito garoto... agora não vejo aquela criança de quando cheguei, você aprendeu a canalizar suas emoções e usá-las a seu favor, seu treino ainda não acabou, mas sinto que eu não possa finalizá-lo. Aprenda sobre sua energia, use-a como um fluxo, seu corpo é um rio, aprenda a controlá-lo por inteiro, não se atente só as suas pernas, use suas mãos também, elas lhe darão equilíbrio e mudaram completamente o jeito que você se porta.

- Mas como posso aprender tudo isso sem você?!- Disse chorando, não consegui controlar-me – Eu não sou capaz de fazer tudo isso sem você, eu nunca fiz nada antes te encontrar, por favor Tairin, não morra.

- Você conseguirá garoto, sei que você é capaz, um dia você será muito mais forte que eu, assim como meu filho ficará também. Saía desta floresta logo, Victor enviou seus guerreiros pra me matar, creio que mais virão pra ver se o trabalho foi concluído, fuja daqui, se junte a Jin, detenham esse mal que esta cobrindo essa terra.

- Mas como eu vou aprender sem você? Não entende? Não sou capaz disso?

- A vida lhe ensinará tudo que precisar, acalme-se....- Ele parou de falar, esforçou-se e olhou em meu olhos, após isso falou num tom acolhedor:

- Ainda não sei seu nome meu jovem.

                Ainda em pranto, pensei muito bem no que responder, não tenho mas a dúvida de quem sou, esse homem foi como um pai que eu nunca tive, mesmo que por pouco tempo. Depois de um curto silêncio respondi:

- Meu nome é Azin, assim como o seu.

                Ele sorriu, como quem aceitava aquilo de forma carinho, logo após sorrir, seus olhos se fecharam. Ele havia partido. Enterrei-lhe na floresta, com toda a dignidade que ele tinha direito, e deixei a floresta.

 Não sabia pra onde ir mas tinha objetivos: Aprender tudo que ainda me falta, me vingar deste Victor por trair meu mestre e provar definitivamente a Tairin que eu não sou uma sombra de seu filho, me provar que eu sou melhor que ele.

Muito tempo se passou, eu cresci e aprendi muito, adquiri um traje antigo muito poderoso que junto com uma espécie de manopla me permitia dominar a água, acho que talvez fosse isso que Tairin queria dizer com a comparação de meu corpo com um rio, talvez esse fosse o objetivo dele. Ele acertou, a vida me levou onde eu precisava, me fez aprender o que eu queria, me sentia capaz de concluir a vingança de meu mestre, então parti ao encontro de Victor para desafiá-lo.

Muito batalhei para chegar em sua fortaleza, porém chegando lá vi todos os guerreiros no chão, parecia que tinham sido devastados. Andei por todo o castelo até avistar de longe uma grande explosão, já havia descoberto como Victor era e claramente, ao longe vi ele desacordado no chão, ao seu lado o guerreiro que o derrotou. Com um bastão em mãos, uma faixa na testa e um cabelo vermelho como fogo reconheci a pessoa de quem o que o mestre havia tanto falado, era ele, Jin, o dragão vermelho.

Sinto um ódio muito grande em meu peito, penso:

- Até onde esse cara vai parecer melhor que eu, ele acabou de concluir minha vingança, sem saber o peso que eu carregava comigo, como ele pode parecer tão melhor do que eu.

                Acalmei-me após esse surto e pensei:

- Azin, você sabe que suas emoções são a chave de sua força, não use esse ódio para nada, ele esta na sua frente, ele destruiu seu objetivo, não fique sem fazer nada, essa é sua chance de provar de uma vez por todas que é melhor que ele.

                Ao longe, percebo que Jin não estava sozinho, cerca de 6 pessoas o acompanham, todos parecem ter minha idade, sinceramente nenhum representa ameaça. Vou em direção a eles, sorrateiro. Eles vão para uma clareira, aparentemente descansar – Perfeito

Narrador POV

                A Grand Chase aproveitava o frescor da clareira para descansar. A batalha contra Victor havia sido árdua, se não fosse por Jin, seu mais novo membro, jamais teriam saído vitoriosos. Apesar de cansados, um integrante do grupo permanecia alerta, afinal como guerreiros, sempre estavam prontos pra enfrentar um inimigo.

-Tomem posição, alguém está se aproximando – Disse Ronan.

- Ah pra que isso, você é algum tipo de general por acaso para dar ordem nos outros? – Disse Elesis.

- Quem é você? – Disse Ronan com raiva.

- Isso não interessa a você e nem a seu “grupinho”, meu assunto é com ele – Disse Azin apontando para Jin.

- Quem você pensa que é para mal chegar e já falar conosco dessa maneira? – Disse Ryan

-Não precisa me defender – Disse Jin.- Quem é você ? O que você quer comigo?

-Finalmente, alguém que sabe cooperar. Não quero nada de você, apenas vim lhe desafiar formalmente para uma batalha.

- E o que quer com isso? – Disse Jin.

- Seu pai me treinou, me falou muito de você, sempre me contou sobre sua força e poder. Ele sempre pensou que você era melhor do que eu, simplesmente quero provar que ele estava errado.

- Como ousa citar o meu pai, ele esta morto, não há como ele ter lhe treinado.

- De fato ele morreu, mas não quando você acha, ele apareceu ferido onde eu morava, eu cuidei dele e para retribuir ele me ensinou.

- MENTIRA! Se meu pai estivesse vivo ele teria me procurado - Disse Jin enfurecido

- Não fica nervosinho não. Ele teve seus motivos. Ele sabia que se voltasse mais tropas seriam enviadas para lhe eliminar e a você também, seja grato pelo que ele fez por ti.

- Argh... E por que eu deveria aceitar lutar com você? Como acabou de dizer eu sou o melhor, meu pai sabia disso, você tem que se provar algo lutando comigo, mas por outro lado eu não ganho nada o enfrentando.

- Se você se recusar, jovem monge, sentirei muito em ter que derrotar cada um e seus aliados, na sua frente, até que você se prontifique a me enfrentar. – Disse Azin.

- Como você tem coragem de achar que pode nos enfrentar?- Disse Arme num tom convencido.

-Eu não tenho apenas coragem, eu tenho certeza que posso enfrentá-los.- Respondeu Azin num tom irônico – Se você se acha tão poderosa, acho que posso começar dando uma surra em você.

- Isso não vai acontecer – disse Jin – Eu aceito o seu desafio.

                Azin sorri de uma forma maligna, parece estar contente com a luta, mais contente ainda em ter uma platéia.

- Jin não lute com ele, não sabemos o que ele quer ou se diz a verdade, não seja enganado pelas palavras dele, ele pode ser um enviado de Cazeaje – Disse Ronan preocupado

- Não tem com que se preocupar, se ele mentir ou falar a verdade não me importa, ele me irritou e mexeu com meus companheiros. Ele não ficará impune.

                Azin e Jin avançaram até uma parte isolada do gramado, Ronan concordou em ser uma espécie de juiz para escolher o vencedor, o primeiro que caísse e não levantasse por cinco segundos seria considerado derrotado.

                Ronan ergueu a mão e, ao abaixá-la, a luta começou.

 Jin portava o eu bastão e apenas observava seu adversário tentando decifrá-lo, aparentemente Azin não portava nenhuma arma apenas uma luva na mão direita. Ambos se estudavam muito, ninguém queria cometer um golpe em falso, até o momento em que Jin rapidamente avançou em direção a Azin, deu um grande salto e bateu o seu bastão mirando em Azin, que por sua vez, agilmente se esquivou para trás e contra atacou-o rapidamente com um chute na altura da cintura. Jin o interceptou com seu bastão, mas mesmo assim sofreu um impacto do golpe.

- Ele é rápido – Disse Jin assustado.

                Azin começa a se mexer de moda estranho, posiciona seu corpo de uma maneira diferente, lembrava um tigre, num piscar de olhos ele estava na frente de Jin, que apenas por reflexo tentou se esquivar, mas fracassou, a série de golpes era muito rápida,  tudo que pode fazer foi se defender com o bastão, quando subitamente Azin sumiu e reapareceu nas costa de jin, ele saltou e deu um fortíssimo chute nas costas de Jin, o impacto do golpe pode ser comparado ao poder de uma martelada de Victor. Jin cai no chão, mas rapidamente levanta-se.

- De onde veio esse chute? – pensou Jin- Eu nem mesmo vi chegando. Ele é forte. não devia tê-lo menosprezado

- Mas já caiu Jin? Eu nem me aqueci- Disse Azin ironicamente.

- Se você gosta de chutes, que tal um desses?

- DRAGÃO CRESCENTE! – Jin sobe ao ar dando uma pirueta com o bastão junto ao seu pé formando um semi-elipse crescente junto ao seu chute, Jin mirou o golpe um pouco para trás, tendo em mente que Azin já havia desviado para trás tentando prever seu movimento. Azin por sua vez dá dois passos para o lado e desvia.

-  A luta não se resume em frente e trás Jin, por mais que não use, os lados existem.

- Ora seu!...DRAGÃO CRESCENTE, DRAGÃO CRESCENTE, DRAGÃO CRESCENTE! – Jin desferiu uma série de chutes poderosos em sequência, porém Azin desviou de todos muito rapidamente. Após o termino da sequência. Jin começa a de certa forma juntar energia

- Ahhhhhhh! – gritava Jin

- Você não pode lutar calado? – Disse Azin irritado.

- IMPACTO – Jin desparou da ponta de seu bastão um feixe de energia canalizado, este por sua vez foi muito rápido, Azin sem esperar por esse golpe meramente tenta o bloquear e voa longe com o choque. Ele cai mas imediatamente se levanta.

- Droga, eu não esperava por essa, tenho que ficar mais atento, não posso perder.

                Azin novamente muda a posição em que se encontrava, agora parece estar mais defensivo, lembrava uma tartaruga se defendendo atrás de seu casco.

- Ficou assuntado? – Disse Jin – Esse é o poder de um verdadeiro guerreiro

- IMPACTO!

                Dessa vez Azin toma uma posição totalmente defensiva e com a parte de trás da mão reflete o feixe para longe.

- Você precisa narrar realmente tudo que faz? Isso irrita sabia?- Disse Azin zombando.

- Você deveria prestar menos atenção em minha voz e mais atenção em meus golpes.

- Jin começa a correr em direção a Azin, ameaça golpeá-lo com o bastão, mas na verdade dá uma cambalhota para trás do mesmo visando suas costa.

- Impulso de Asura!- disse Jin girando seu bastão para cima, tentando erguer Azin do chão.

- Tempestade caótica- disse Azin com um tom irônico.

                Azin gerou um campo de água em volta do seu corpo no formato de uma esfera, a água girava junto consigo que por sua vez controlava o fluxo de energia no campo, Azin saiu ileso porém Jin levou todo o dano de seu golpe.

- Suas tentativas são tão patéticas – disse Azin com arrogância – Eu nunca dei um nome a um golpe, o que achou desse Jin, acha que foi bom?

                Jin estava caído o impacto do golpe em seu corpo foi muito forte, ele já estava debilitado por ter lutado antes contra Victor, mas mesmo assim levanta-se e fala.

- Nada mal o nome, mas precisará mais do que isso pra me derrotar – Falou Jin convencido

- Você fala demais.- Retrucou Azin.

                Azin muda novamente sua pose. Visivelmente estava mais sério e a partir daquele momento parece mais leve e mais rápido que antes, assim como uma águia prestes a voar.

                Em uma fração de segundo ele dá um salto gigantesco e cai como um meteoro em direção de jin, que por sua vez apoiando-se em seu bastão conseguiu fazer uma esquiva perfeita. O solo ao redor do chute ficou destroçado, uma grande cortina de pó foi erguida devido ao impacto do golpe.

                Por meio desta esquiva, Jin acabou parando nas costas de Azin, que por sua vez não consegui ver Jin, rapidamente Jin avança:

- Golpe dos Cem anos !

                Jin desferiu uma sequência de golpes com seu bastão finalizando com um poderoso salto seguido de uma batida de seu bastão em direção ao chão. O pó que cobria o local foi dissipado pelo ataque, porém Azin estava intacto, quando de repente ele disse:

- Esse golpe seria realmente letal, obrigado por entregar-se – disse em tom irônico.

- Já chega de fugir, seu covarde. Tente desviar deste golpe se for capaz.

                Jin impulsiona seu bastão pra cima e salta em direção ao mesmo. Ao atingir o auge do seu vôo chuta o bastão para baixo, e ao colidir com o chão uma série de explosões acontecem ao longo de todo o campo de batalha.

- FÚRIA DA LÓTUS!

                Após a grande explosão tudo que se resta é terra deformada, Azin está caído, e aparentemente com a perna ferida.

- Acabou – disse Jin confiante.

- Ele é realmente forte como você disse mestre, mas eu não irei me render. – Pensou Azin.

                Ronan estava prestes a declarar a vitória de Jin quando com um ato de estrema força de vontade Azin consegue se levantar.

- Sua perna esta muito machucada, desista, você não tem condições de lutar mais. – disse Jin.

- E quem foi que disse que eu preciso da minha perna pra ganhar de você. Até agora lutei desarmado de igual para igual com você, que diferença me faz uma perna a mais ou a menos?

- Você fala muito confiante pra quem está quase derrotado. Mas muito bem, já que insiste em continuar, ficarei feliz em fazê-lo pagar por tudo que disse.

                Jin jogou seu bastão pra longe, visivelmente ficou ofendido com a provocação de Azin.

- Vou te mostrar que não preciso disto para ganhar de você.

                Azin sorri, finalmente será uma luta de igual para igual.

                Azin muda de posição mais uma vez, mas desta vez diferente de todas as outras não parece ter firmeza em suas pernas, suas mãos ficam em constante movimento. Ele sussurra algumas palavras, não é possível decifrá-las, seus olhos começam a brilhar.

- Agora eu entendo mestre, agora eu sou capaz de controlar o fluxo, tudo ao meu redor, não posso depender só de minhas pernas, por isso você me mandou treinar. Obrigado mestre.

                Uma chuva devastadora começou subitamente, a visão de todos ficou debilitada, ao longe só era possível apenas ver sombras de Jin e de Azin

- Existe muito energia vindo lá, nunca havia visto algo assim antes – disse Arme.

- Você não me decepcionou Jin, você é tão forte quando Tairin dizia, mas não irei perder para você – disse Azin

- Você também não é ruim. Afinal qual o seu nome? Quero saber quem eu irei derrotar. – disse Jin.

- Me chamo Azin.

- Esse é o nome do meu pai. Diga o seu verdadeiro nome.

- Esse é o nome que eu escolhi pra mim, seu pai foi muito importante para mim. Não desonrarei esse nome.

- Hmmmm, acredito em você. Não faça me arrepender,depois desta batalha defenda o nome do meu pai.

                Ambos se olham fixamente, pela primeira vez há um sinal de respeito entre os dois. Jin corre em direção de Azin que por estar impossibilitado aguarda a investida.

- Usar o poder do adversário contra si... concentração... é tudo que preciso. Agora!- disse Azin.

-  Você foi um bom adversário, mas era melhor ter ficado de fora dessa luta.

-Dragão Celeste!

- Investida do infinito!

                Uma grande explosão, o contraste entre o azul e vermelho fez a chuva parecer uma tela absorvida por essas cores. Quem será o vitorioso? Resta alguém de pé? Após alguns instantes a explosão se dissolve e ambos são avistados, caídos, um em frente ao outro. Ronan inicia a contagem, após chegar ao 5 nenhum dos dois fica em pé. Um empate é declaro, com os dois desacordados.

- Foi uma batalha digna, você realmente conseguirá defender esse nome. – pensou Jin

- Você estava certo mestre, não sou melhor que seu filho. Mas não irei parar de treinar, um dia irei superá-lo. – pensou Azin

- Obrigado pai.- ambos pensaram.

              Capítulo 11 - Ódio de Kamiki

 

- COMO ASSIM NÃO SABE?

- Eu não tenho culpa, não há motivos para ele estar em Xênia. – respondeu Elena aflita.

- Mas ele não faz nada sem ter um motivo! – respondi indignada – O que um ser maligno iria querer dos Deuses?

- Hm.... – Elena pensou um pouco – Poder?

- Talvez. Mas como os Deuses aceitariam alguém com poder tão obscuro em seus domínios?

- Não sei, mas quando eu investigava pude sentir uma aura corrompida na direção de Xênia. Será que.... – Elena arregalou os olhos em descrença – ....ele corrompeu os Deuses?

- Não! Claro que não! É impossível alguém corromper divindades..... não é? – também estava preocupada.

Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas analisando essa ideia absurda. Será que ele seria capaz disso? Os deuses poderiam ser corrompidos e enganados por um humano? Quão poderoso ele pode ser? Minha respiração ficou pesada devido à possibilidade de ele conseguir poderes divinos. Percebi que Elena apertava fortemente seu cetro, levando-o em direção ao peito, totalmente perdida em seus pensamentos. Assim como eu, ela estava atônita.

- Há um grupo se aproximando num raio de um quilômetro do Castelo de Kamiki. – um Guarda da Escuridão quebrou o silencio.

- Ah sim... – viramo-nos em sua direção, Elena ainda processava o que havia ouvido – Já estou indo averiguar. – o Guarda se retirou.

- Kamiki? – perguntei para mudar de assunto e acalmar o clima.

- Sim, gostei de ser chamada dessa forma, assim como você quer ser chamada de Cazeaje. – ela sorriu.

- Será que é a Grand Chase que está se aproximando?

- Vamos ver – neste momento Elena mexeu na gema de seu cetro e pude ver imagens sendo projetada. O grupo todo estava reunido, caminhando atentamente. – São eles mesmos. Até que saíram rápido do Mar de Patusei.

- Realmente, demoraram apenas 4 dias. Creio que já está preparada para derrotá-los, afinal, os conhece muito bem. Só não se distraia com a maga.

- Não se preocupe, quando sai da Academia, deixei tudo para traz. – ela falou confiante.

- Veja, já estão se aproximando de seu Castelo. Pode projetar minha imagem para eles?

Elena assentiu, retirou a gema do cetro e esta passou a brilhar mais forte. Me posicionei em frente aos jovens, estava no caminho entre eles e os Soldados da Escuridão. Senti novamente aquela dualidade estranha. Via a imagem dos guerreiros fraca e opaca, mas podia ouvir os barulhos de soldados ao fundo.

- Está tão escuro aqui. – reclamou a elfa.

- Então, finalmente chegaram, Grand Chase. – minha voz era baixa e sombria - Não achei que fossem demorar tanto.

- Você... É você, Cazeaje! – reconheceu o druida.

- Ainda não entendi, Cazeaje é um garoto? – questionou a maga - Tem certeza que não é "o" Cazeaje não?

- Ah... É que este não é o verdadeiro corpo dela, Arme! –respondeu Ronan - Parece que Cazeaje está controlando esse pobre rapaz...

- Cazeaje! Onde está meu pai?! – esbravejou a ruiva - Diga logo ou então... – ri diante de sua infantilidade.

-Não sei do que você está falando. – respondi - Preciso ir, divirtam-se com meus soldados.

Após isso Elena desfez minha ilusão. Pude ver os soldados atacando os jovens e estes defendendo e contra-atacando. Elena se despediu e adentrou no portal feito por mim para poder controlar melhor a situação. Esses guerreiros eram poderosos, ela deveria ficar atenta. Enquanto isso, pego a gema que está jogada no chão próxima ao trono.

“E a guerra vai começar outra vez” zombou Lass.

“Ah Não!” penso em desgosto.

Realmente esqueci-me de pedir para Elena que me ensinasse a usar esta coisa ridícula. Só de pensar no trabalho que terei fico desanimada. Depois de meia hora lutando com a gema consegui finalmente ver a projeção dos guerreiros lutando contra meus soldados. Eles são incrivelmente rápidos e bem fortes.

Pouco tempo depois eles já estavam no topo do Castelo, onde Elena fez seu trono. Todos estavam ofegantes e agitados devido à batalha.

- Quem é o próximo? Fracotes! – gritou Elesis.

- Elesis, se acalme. – falou Lire - Por que você não...

- Então, são vocês os barulhentos membros da Grand Chase que estão incomodando Cazeaje? – Elena estava com uma voz realmente ameaçadora.

- Elena? Como você? – Arme ficou atônita - O que aconteceu com os Magos Violetas? O que você está fazendo aqui?

-Bem, esse é o castelo que Cazeaje me deu.

-Então, se eu acabar com você posso continuar procurando Cazeaje. É isso? – esbravejou Elesis.

- Elesis? Calma! Elena é uma das veteranas entre os Magos Violetas! – censurou Arme.

- Calada, Arme! – respondeu Elesis - Se ela sucumbiu à influência de Cazeaje, é minha inimiga. Vou acabar com ela!

- Calma, vocês duas! – falou Lire - Arme, ela não é mais a maga honorável que você conheceu. Sinta essa aura.

- Não pode ser... É verdade, você está certa! – admitiu Arme - Elena, você está trabalhando pra Cazeaje?

- Crianças... Por isso são tão complicadas. Você não tinha notado até agora? De qualquer forma, é melhor você sair do caminho. Tanto do de Cazeaje quanto das minhas ambições!

- Ela está vindo! Cuidado com as magias dela, pessoal! – alertou Ronan.

Elena apontou o cetro na direção dos guerreiros, conjurando um poderoso Relâmpago. Todos desviaram para os lados. Arme ficou ao fundo, fitando algum ponto distante, imersa em seus pensamentos. Os outros desviavam dos ataques de Elena, analisando-a para poder criar uma estratégia.

Ao ver que os jovens desviaram de sua magia, Elena começou a se teleportar muito rapidamente. Parou atrás da ruiva e lançou-lhe uma forte bola de fogo, esta só teve tempo de dar uma cambalhota para a direita. Logo ela já estava atrás de Ronan, que se protegeu com um escudo. Em seguida apareceu atrás da elfa que conseguiu desviar com uma cambalhota. Desta forma ela conseguiu acertar Ryan e Jin marcando suas armaduras.

Elena é realmente poderosa. Logo alguns soldados vieram para auxiliá-la. Arme continuava próxima a uma parede totalmente alienada à situação.

- Ela é rápida, temos de ser mais rápidos! – a ruiva gritou para os companheiros.

- Darei suporte! – afirmou Ronan.

- Estarei na retaguarda! – alertou a elfa.

Nisso os guerreiros se movimentaram. Elesis atacava os soldados com sua lâmina. Lire segurou um tipo de bestas e ficou mais ao fundo da batalha, próxima de Arme. Ronan observava os companheiros e os protegia com seu escudo. Jin dava vários socos e chutes nos soldados. Ryan pegou uma espécie de lâmina dupla e auxiliou Jin.

O grupo destruiu todos os soldados que Elena tinha invocado e foram ataca-la. Esta começou novamente a se teleportar para os vários guerreiros, lançando-lhes poderosas bolas de fogo. Alguns desviavam, mas a maioria queimava as armaduras dos jovens.

Elena aparecia e desaparecia, deixando um rastro de bolas de fogo. Os garotos começaram a se movimentar. Quando percebi não acreditei no que meus olhos viam. Ela estava usando a mesma estratégia dos Dragões de Hades. Juntou a Grand Chase rapidamente no centro da sala escura, apenas iluminada pelas armas deles e pelas bolas de fogo.

Por fim, riu malignamente e flutuou por alguns segundos no ar. Antes mesmo de qualquer coisa ser feita, um forte clarão avermelhado surge junto de um estrondo ecoando pela grande sala. Ela jogou um meteoro flamejante nos jovens que estavam reunidos. Após a fumaça se dissipar é possível ver todos envoltos numa luz clara e azulada, intactos.

“Maldito Ronan e seus escudos”. Vejo que Elena também ficou impressionada, mas não se deixou distrair. Logo invocou mais de seus soldados. Enquanto os guerreiros atacavam os Guardas da Escuridão, Elena observava, recuperando as energias.

- ESPADA FLAMEJANTE! – Após este ataque todos os soldados foram derrotados.

Os guerreiros se voltaram para Elena. Varias flechas voaram em sua direção, ela rapidamente se teleportou para trás dos guerreiros. Neste momento foi surpreendida por um forte ataque.

- DESTRUIDOR DE ALMAS! – o grito ecoou forte no local, o brilho azulado emanando da enorme criatura iluminou fortemente o ambiente.

Elena foi atingida na altura do estomago arqueando com o golpe e logo sendo levantada ao ar pela aura da criatura.

- FLECHA PERFURANTE! – Ainda no ar, uma flecha de energia atingiu seu corpo.

Gritos de dor e o barulho da carne sendo atingida ecoavam pelo local escuro. Os jovens se aproximaram rapidamente do corpo caído de Elena. Esta ao ver as posições de batalha de seus adversários e sabendo que não perderiam a oportunidade, se teleportou para outro lado da sala. Os gritos dos ataques sendo jogados ao vento podiam ser ouvidos.

- CORTE INVERTIDO!

- DRAGÃO CELESTE!

- CORTE PROFUNDO!

Do outro lado da sala a maga ofegante se levantou com dificuldade, juntou suas forças e, aproveitando a distração do oponente, conjurou um poderoso Meteoro. Estes foram atingidos pelo impacto, seus gritos se misturando ao forte som de rochas se chocando. Após o clarão diminuir e a poeira se espalhar, os jovens se viram envolta de um pequeno totem de brilho avermelhado.

Elena se enfureceu ao ver os jovens sendo curados tão rapidamente de seu ataque. Invocou os soldados próximos, cercando o adversário, e conjurou um forte Relâmpago. Mesmo tentando se esquivar os jovens foram atingidos pelos raios. Elena só parou o ataque quando viu flechas vindo em sua direção.

Se teleportou para o lado, percebeu que os jovens ignoravam os soldados, logo correndo para poderem ataca-la. O Druida se aproximou rapidamente enquanto gritava.

- ASSALTO SELVAGEM! – Elena foi atingida pelos golpes caindo de costas no chão.

Neste momento os guerreiros já estavam em volta da Maga, que se viu encurralada com a parede ao fundo. Antecipando os ataques de seu adversário, seu reflexo foi se teleportar, porém se viu presa em uma pesada camada de rocha. Seus olhos exibiam pânico, certamente ela não havia percebido o ataque que Arme conjurara em si.

- CRÍTICO X!

- FIM DOS DIAS!

O som da energia fluindo das armas da Grand Chase abafou os gritos de dor e desespero de Elena. Estes dois ataques foram o suficiente para tirar a chama da vida desta Maga já fraca pelos golpes anteriores. Meu coração se apertou, senti lagrimas em meus olhos, mas não poderia demonstrar fraqueza. Sabia que ainda havia esperança.

Não pensei duas vezes. Criei um portal para ficar do lado totalmente oposto ao que os jovens estavam. Enquanto eles se reuniam e conversavam com Arme, que ainda estava impressionada com a situação, resolvi “reviver” minha querida aliada.

- Não é uma pena que isso termine aqui? – gritei chamando a atenção de todos - Vou usar o presentinho que dei a Elena. Desperte, poder da escuridão. Acorde e lute, Kamiki! – Nisto os Chakrans apareceram ao seu lado, criando um forte brilho no lugar. - Com sua nova forma, seja o espírito de ódio que vai destruir tudo ao seu redor!

Sem demora adentrei no portal e o desfiz. Continuei a ver a cena, o brilho esbranquiçado envolvendo todo o ambiente, fazendo com que os jovens se afastassem rapidamente. Logo o som de uma risada maligna ecoou e a luz se dissipou. Kamiki podia ser vista em sua plena forma. A cor negra de suas roupas e pele a deixavam furtiva, se misturando às paredes do local. Apenas suas asas brancas eram refletiam no ambiente sombrio.

Lire e Ronan se juntaram à maga, lhe dizendo rapidamente que aquele ser não era mais Elena, e que precisavam de sua ajuda. Elesis mudou de arma, assim como Lire e Jin. A ruiva empunhou uma enorme espada, observando bem vejo que lembra a Soluna sagrada usada por Sieghart. Já a Arqueira empunhou um grande arco, que tinha o tamanho da elfa. Já o Lutador pegou um bastão para lutar.

Todos suspiraram uma ultima fez e apertaram a empunhadura de suas armas, talvez se preparando para a batalha iminente. Kamiki os encarava com fúria, os olhos cintilando ao observar os jovens ofegantes, com armaduras cheias de marcas de queimaduras à sua frente.

Se teleportou rapidamente para o grupo, fez um movimento vertical com os Chackrans e uma forte nuvem esbranquiçada os cobriu. Aproveitando a distração, vários soldados foram invocados, porém logo que a nuvem se dissipou foi possível ver todos protegidos pelo Escudo Mágico da Maga.

Os soldados estavam sendo ignorados outra vez pelos guerreiros. Kamiki os atacou girando seus Chackrans em volta de seu corpo. Ronan e Ryan foram atingidos pelas armas negras, caindo ao chão à alguns passos de distancia. Enquanto se levantavam a Espadachim tentou atacar sua adversária pelas costas.

- ONDA DE CHAMAS!

- IMPACTO PODEROSO! – do outro lado Jin aproveitou para atacar também.

Ronan e Ryan se levantaram enquanto Kamiki se teleportou para longe deles, deixando os golpes dos dois se cruzarem. Ao longe Kamiki fez novamente um movimento vertical com seus Chackrans. Enquanto isso Arme conjurou um Antigravidade para destruir os soldados que os atacavam. Uma bola de fogo do tamanho de um ser humano se arrastou pela sala, indo em direção à Grand Chase.

- CICLONE! – os fortes ventos puxados pela Arqueira se misturaram ao fogo, engolindo o ataque anterior.

Os jovens não foram atingidos pelo fogo e logo avançaram em direção à adversária. Elesis e Jin corriam com suas espadas em punho, já sabendo que o inimigo iria se teleportar. E assim Kamiki fez, parando atrás de Ryan. Varias flechas voavam em sua direção, enquanto todos eram cobertos pela nevoa branca novamente.

Ryan e Arme que estavam próximos foram congelados. Kamiki logo se teleportou novamente, Elesis que estava próxima a ela aproveitou a chance.

- IMPACTO! – Atingiu as armas da oponente derrubando-a ao chão.

- FLECHA DE LUZ!

- DEUS DA GUERRA!

Os fortes sons dos golpes inundavam o ambiente. Enquanto isso, Ronan se certificou de dar uma Poção aos seus companheiros congelados, para que não levassem mais danos. Kamiki conseguiu se teleportar para o outro lado da sala, se apoiando em suas armas, ofegante e com feridas pelo corpo.

- GOLEM DA TEMPESTADE!

Ela foi surpreendida com um golpe em seu estomago. A enorme lança perfurou-a, elevando seu corpo através da lança, imobilizando-a e manchando o chão com seu negro sangue.

- IMPACTO DAS ALMAS!

A luz alaranjada da forte explosão se misturou com a luz esbranquiçada do feitiço se esvaindo. Senti minhas entranhas sendo espremidas e retorcidas. “Então é esse o preço pelo fim da união?”. Em meus ouvidos somente ecoavam aquela grossa voz.

- Ca... Cazeaje...– o grito desesperado de Kamiki ecoava, ecoava, ecoava pela minha mente sem parar.

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Mesmo após tantas vezes esse grito ainda revira meu estômago. Não consigo dizer há quantos dias eu assisto à mesma cena. Sempre a mesma coisa acontece, gritos, sangue cobrindo o chão, o ritual se quebrando e mais uma alma que volta aos domínios de Nemophila.

O sentimento de fracasso e a dor tomara conta de me corpo. Nem mesmo Lass se atreveu a falar qualquer coisa esses dias. Apenas fico revendo esta batalha, revendo a morte de minha companheira inúmeras vezes sem parar.

Como pude deixar isso acontecer? Por acaso zombei dos Deuses, os profanei de alguma forma? Não há explicações para tudo o que ocorreu em minha vida. Devo estar amaldiçoada. Devo ser odiada pelas Moiras. Mas se é assim, por que Átropos não usa de seu poder e dá fim à minha existência? Por que o fio de meu destino não foi interrompido quando me encontrei com Astaroth pela primeira vez?

Como pude passar por todas estas ruindades? Após tudo o que realizei nestes últimos anos sei que mereço a morte. Mas se é assim, por que os Deuses me permitiram sair de Hades? Por que minha existência não foi apagada no Submundo? Deixar-me viva apenas para sofrer. Dor, tristeza, mortes, minha vida se resume a isto?

Se a morte não é o suficiente, se preciso sofrer em vida para pagar tudo o que fiz, que seja! Como os Deuses me permitiram retornar dos mortos e as Moiras não cortaram o fio de meu destino quando minha essência seria extinta, pois que eu realize meu destino. Que me vingue do verdadeiro mau, aquele que me amaldiçoou. Todos os que me prejudicaram e ficaram em meu caminho sofrerão minha vingança. Sua punição será a morte.

- Senhora... – A voz do Guarda da Escuridão me assusta.

- Ah, diga.

- Gadosen está vindo.

              Capítulo 12 - A Batalha Final

 

Um forte sentimento de derrota toma conta de meu corpo. A mínima esperança provém do fato de que Gadosen já se aproxima. Alguns soldados o esperam na Ponte Infernal, creio que esta tarde ele já chegue ao meu Castelo. Mas como pude perder uma aliada tão poderosa? Como enfrentarei Astaroth sozinha?

Repentinamente lembro-me dos aliados que já fiz. O Gorgos Vermelho é uma criatura poderosa. Ele possui um exército próprio de Gons e Gorgons, criaturas pequenas e extremamente rápidas. Por muitos séculos elas protegem o Calabouço em que vivem.

Há também Gaicoz, O Guerreiro Lendário. Lembro-me de suas palavras “Nunca fui derrubado durante uma batalha”. Não posso chamar aquilo de vitória, porém saber que consegui derrubá-lo em nossa disputa me traz orgulho. Ele também possui um exercito pessoal. Espadachins, atiradores e até mesmo magos fantasmas rondam seu território. Estes dois seriam muito uteis neste momento.

“E por que você não os chama?” perguntou Lass.

“Quer saber, você tem razão.”

Como pude ser tão burra. Toda ajuda é bem vinda, ainda mais de fortes guerreiros que possuem exércitos muito bem treinados. Um novo ânimo me atinge e fico mais focada em minha missão. Rapidamente abro um Portal para o Calabouço a fim de recrutar novamente o Gorgos.

Ao atravessá-lo posso sentir a brisa quente e pesada atingindo minha pele. O forte cheiro de enxofre no ar. O chão negro contrastando com as várias rachaduras incandescentes se misturam com o vulcão. Olho em volta para a paisagem avermelhada. Está todo quieto. Quieto demais.

Adentro na enorme caverna. A escuridão sendo levemente cortada pela vermelhidão das rachaduras que cobrem as paredes e chão. Calor. O local continua estranhamente calmo. O único som presente é de minha respiração e dos leves passos que dou. Mais calor. Procuro em volta, onde estão os Gons e Gorgons deste lugar? Muito calor.

Mas que calor insuportável! Como esses dragões conseguem viver neste local? Tudo ainda está muito quieto. Ando cada vez mais fundo pelo Calabouço e ainda não cruzei com nenhuma alma viva. A escuridão aumenta junto com o calor. Sinto os pingos de suor escorrerem e uma leve tontura me atinge. Por que não há ninguém aqui?

Finalmente chego ao local mais quente dessa caverna. Um fedor pútrido invade o ar. Num reflexo tampo minhas narinas. Isto é pior do que o cheiro daquele Circo Maldito do Inferno. O calor parece piorar o cheiro e neste momento me sinto totalmente zonza. Vejo um vulto no canto do lugar. Um amontoado de coisas que não consigo identificar.

Rapidamente me aproximo. Cada vez o cheiro piora mais e meu corpo se esforça para não cambalear. Muito calor. O ar quente e pesado junto com este cheiro horrível parece me impedir de pensar. Me aproximo o máximo que o cheiro permite, porém ainda estou há cerca de um metro de distancia. Tento focar meu olhar na coisa à minha frente. Isto são escamas?

Definitivamente são enormes escamas, porém estão num tom marrom escuro e se decompondo. Eu ando para a direita lentamente. Calor, meu cérebro só me diz isso. Posso ver um aglomerado de escamas menores envolvendo algo. Espere, isso são dentes?

- Oh não... – sussurro.

Como...O que...Ahn? Não pode ser. Não há como. Nenhuma pessoa saiu viva do Calabouço. Nem eu mesma consegui atingir fatalmente o Gorgos. Como ele pode estar agora neste estado? Morto, sua cabeça pendendo ao chão, quase totalmente separada do corpo? Devo dizer metade do que um dia foi um corpo. Um crânio sem olhos, sangue já negro formando sua sepultura, a barriga aberta mostrando sua carcaça.

Sinto que vou desmaiar se continuar neste local. O calor aumenta a cada segundo, piorando cada vez mais o cheiro. “Como?” meu cérebro só ecoa estas palavras. O suor molha minha armadura e escorre pelo meu rosto, o cabelo encharcado tampa minha visão e tudo gira ao meu redor.

Quando me dou conta estou em meu Castelo respirando fundo o ar que ainda parece ter o cheiro da morte. O portal atrás de mim se desfaz rapidamente enquanto a brisa gelada do local bate forte contra meu corpo. “Como?” Quem poderia ter matado o Gorgos, criatura temida em toda a Vermécia, que possui séculos de reputação medonha?

Não sei quanto tempo se passa, mas consigo recobrar meus sentidos. Minha pele voltou à temperatura fria de sempre e o cabelo já está seco. Mesmo assim ainda consigo sentir o cheiro pútrido impregnado em mim. Balanço a cabeça negativamente tentando voltar a raciocinar. “Ok, foco. Gaicoz, sim, vou chamá-lo”.

Outro portal é formado, desta vez para um local mais frio do que o anterior. Posso ver os enormes portões escancarados que cercam o Castelo em estilo oriental. Lembro-me da ultima vez que vim aqui, o mesmo céu negro, os mesmos portões abertos como que desafiando quem for louco o suficiente para entrar. Mas algo está errado.

Não sinto a aura pesada, negra, cheia de dor, ódio e sede de vingança. Dou passos inaudíveis em direção à enorme entrada. Onde estão os vultos de guerreiros que antes transitavam aqui? Algo está muito errado.

Atravesso rapidamente os portões, apertando o passo em direção à entrada do Castelo. Estou tensa, apenas esperando quando alguma criatura me surpreenderá e ficará em meu caminho. O pátio vazio tem um tom mórbido. A construção parece ruir cada vez mais, como se estivesse abandonada há séculos. E nenhum guerreiro me impediu de entrar.

Eu até penso em arrastar a porta esbranquiçada para adentrar, porém, sinto que no momento em que tocar o Castelo ele vai desmoronar. Com certeza Gaicoz não está aqui. Ele carrega uma forte aura de vingança e dor, e definitivamente eu não a sinto. Nunca seria permitido que alguém invadisse sua propriedade desta forma. Em respeito pelo Lendário Guerreiro eu me retiro através de um portal.

Tudo está muito estranho. Primeiro o Gorgos está morto em seu próprio Calabouço. Depois o castelo de Gaicoz que é um local temido por séculos, talvez milênios, desde a existência do Samurai Fantasma está abandonado. O que aconteceu lá?

“Use a gema” aconselhou Lass.

“Você é um gênio”

Lass está certo, com a gema que Elena me deu posso ver o que aconteceu com meus antigos aliados. Ando poucos passos até meu trono, pego o objeto que está jogado no chão ao lado dele. Passo os dedos rapidamente pela esfera e foco no Calabouço. Volto as projeções até o momento em que o local parece ter vida novamente.

A sala é tomada pelo reflexo alaranjado do vulcão. É possível ver a entrada da caverna com vários Gons e Gorgons transitando normalmente. Avanço as imagens, creio que alguns dias. Tudo normal. Mais alguns dias. Pessoas? O que elas estão pensando ao se aproximar desta forma do Calabouço?

O pior de tudo, não são pessoas quaisquer, são três adolescentes. Espere, eu conheço esses humanos. Elesis, Lire e Arme. Elas devem ser loucas de se aproximar deste local. Que ousadia! Como elas começam a atacar os filhotes de forma tão violenta? Sigo o caminho percorrido por elas através da caverna.

Cada vez mais dragões são atingidos impiedosamente por suas armas. Cortes e mais cortes, o sangue sendo espalhado, ganidos de dor preenchem o ambiente. O Gorgos ruge ferozmente dentro da caverna. E as garotas adentram cada vez mais deixando um rastro de destruição.

Como elas podem fazer algo assim? Esta criatura é feroz e possui uma reputação violenta, porém ela nunca atacou fora de seu Calabouço. Somente os tolos inconsequentes que invadiam aquele local eram erradicados. Qual o motivo de tamanha brutalidade?

Passo rapidamente a luta das garotas contra o Gorgos. Não estou com cabeça para assistir mais mortes e derramamento de sangue sem sentido. Mesmo a imagem estando acelerada pude ver perfeitamente quando a espada atingiu o pescoço do Dragão que tentava defender seu território.

Em um baque surdo pude ver seu corpo despencar ao chão. Sangue denso cobrindo o chão e as garotas se aproximando da criatura agora indefesa que não tinha forças nem para se debater. Algumas palavras foram trocadas e pude ver o golpe de misericórdia da ruiva. Elas se viraram e continuaram seu caminho, como se não houvessem acabado de matar centenas, milhares de criaturas inocentes, que não apresentaram ameaça alguma.

A gema se apagou e as projeções sumiram enquanto eu era atingida por uma terrível dor de cabeça. Como elas ousam? Matar criaturas a troco de nada? Sei que já fiz coisas terríveis em minha vida, mas elas parecem querer imitar meu exemplo.

Mudei as imagens que apareciam na gema, desta vez esta mostrou-me o Castelo de Gaicoz. Imponente e sombrio como sempre, rodeado de criaturas fantasmas. Avancei as cenas e tudo estava normal, sem alterações. Até que em algum momento vejo Ronan adentrando o pátio de forma imponente.

Não poderia imaginar outra coisa, ele foi brutalmente atacado pelos soldados e magos até que não conseguia mais se defender. “Pobre Ronan, foi enfrentar o Guerreiro errado”. E logo ao fundo vejo um grupo de crianças se aproximando dos portões.

A ousadia deles é tanta a ponto de enfrentar o Guerreiro Lendário? Eles buscam a morte? Quando percebo, eles já estão dizimando os soldados fantasmas e a maga proferindo um encantamento para que a alma deles volte ao Hades. Um por um os soldados vão caindo.

Estes jovens anseiam a batalha, mesmo que para isso tenham de enfrentar aqueles que estão quietos em seus cantos. Gaicoz raramente sai de seus domínios e quando o faz é para se vingar de alguém que o desafiou. Agora ele está tendo o território invadido por jovens que só querem batalhar.

Avanço as imagens. Aquele druida ataca sem piedade junto das três garotas. Ronan está mais à frente, talvez querendo enfrentar a própria lenda. E isso acaba por acontecer. O Samurai Fantasma batalha contra estes jovens.

A luta é intensa. Vários golpes são desferidos e a maioria acaba por acertar o ar. As defesas de ambos os lados são poderosas, fazendo com que ninguém seja atingido. Faço as imagens avançarem mais rápido. Esta batalha foi longa, creio que durou horas. Os jovens possuíam partes de sua armadura quase inteiras, mas todos com cortes de lâmina. Gaicoz também parecia cansado.

Por fim a batalha acaba. Em um golpe covarde, nas costas do inimigo, Ronan o atinge no ombro, fazendo-o largar a katana. Sem nenhum respeito com o adversário, os jovens o atingem, derrubando-o e mandando sua alma novamente ao Submundo.

A noite chega e eu ainda estou repassando os fatos. Então esses jovens realmente mataram meus aliados? Sinto uma enorme fúria tomando conta de meu corpo. Estou sentada em meu trono ainda segurando esta gema ridícula. Estes pivetes vão pagar caro por se meter em meu caminho. Como eles ousam interferir em meus planos?

Mandarei a alma deles ao Submundo junto com Astaroth. Serão torturados e punidos assim como estou sendo agora. Eles não sabem a dor que sinto, o ódio e sede de vingança que tenho. Se eles me impedirem de acertar as contas com Astaroth, pois então eles sentirão a minha vingança. Eles se arrependerão de terem cruzado meu caminho.

- Senhora... – um guarda da escuridão me tira de meus pensamentos.

- Diga.

- Gadosen retornou ao Submundo.

- O QUE?!

- A Grand Chase o enfrentou na Ponte Infernal e ele foi derrotado. – disse mecanicamente.

- Argh! – grito em fúria enquanto jogo a gema na parede.

O barulho de vidro se estilhaçando ecoa pela sala escura. Esta foi a gota d’água. Como ousam enfrentar meus aliados? Como ousam batalhar contra o General do Submundo? Essas crianças querem batalhas, matar inocentes e causar o caos. Eles não escaparão de minha fúria.

-------

Maldita gema. Por que você quebrou logo agora? Estou há dias sentada nesse Castelo apenas aguardando a chegada de meus adversários. Eu juro que os exterminarei, nem que tenha de sair de Hades novamente para isso.

- Senhora... – falou o Guarda da Escuridão adentrando na sala.

- Diga.

- A Grand Chase se aproxima a um raio de 500 metros.

- Reposicione todos os Guardas. Quero que cansem eles, porém não os mate. Eu mesma farei isso.

Nisto o guarda saiu da sala. Ouvi ao fundo o som de centenas de soldados se movimentando. Essas crianças demorarão bastante para atravessar as dezenas de andares de meu Castelo. Sento em meu trono, já com as adagas em mãos e as kunais preparadas.

“Eu vi suas memórias, não quero sentir esta tristeza”

“Entendo Lass, mas eles se meteram com a pessoa errada. Não se preocupe, não farei uma criança carregar este meu fardo tão pesado.”

Após vários, infindáveis, horas, vejo o grupo adentrar pela imponente passajem que leva à sala de meu trono. Posso ouvir suas respirações pesadas e suas armas empunhadas. Está escuro e não consigo ver as expressões em seus rostos. Cerca de 30 metros nos separam.

- Finalmente... Nos encontramos, Cazeaje! – gritou a ruiva ofegante.

- O que foi? – respondi ainda sentada em meu trono - Você tem problemas comigo? Algum ressentimento? – não me aguentei, ri malignamente. Aquela garota que me culpa pelo sumiço do pai, deixe-a sofrer, isso me alegra.

- Por que você está tentando começar uma guerra em Vermécia? – Perguntou a elfa. Quem ouvisse seu tom de voz não imaginaria que esta matou impiedosamente centenas de filhotes inocentes.

- Guerra, eu? Não, não... – respondi em um tom sínico - Não são vocês os responsáveis por ela?

- Do que você está falando? – continue se fingindo de inocente, maga, isso só aumenta meu ódio.

- A guerra acontece porque os humanos a desejam e a realizam. Não sei porque vocês vem me culpar por ela.

- Não! Nós queremos paz! – retrucou.

- Humanos... Vocês não acham que a paz que vocês desejam é algo egoísta?

- Como querer paz pode ser algo egoísta? – questionou Lire.

- A paz para os humanos é o extermínio de outras raças, dos monstros... – respondi irritada e logo mudei meu tom para sarcástica - Vocês nunca pensaram nisso? Sério mesmo?

- Nós... Bem... Não, se as outras raças também buscarem a paz...

- E quanto a todas as criaturas inocentes de Vermécia? Acha que elas não buscavam a paz? A única língua que vocês entendem é a guerra. – ri sadicamente - Se vocês querem tanto a paz, lutem por ela!

- Bom, isso agora é uma batalha certo? Ao combate, então! – bradou Ronan.

Todos andam rapidamente em direção ao centro da sala, empunhando suas armas. Levanto-me de meu trono e dou lentos passos. A ruiva corre em minha direção, vejo em seu olhar que ela está determinada. A menos de um metro sua espada gira verticalmente no ar.

- CORTE PROFUNDO! – O grito preenche o ambiente sombrio e luzes avermelhadas emanam de sua lâmina. Desvio rapidamente para a direita, sentindo em meus cabelos o ar se movimentando. Corro poucos metros onde os guerreiros estão reunidos e pulos acima deles, jogando kunais. Aterrisso olhando para os rostos da Grand Chase. 

- CORTE IMPACTANTE! – Uma forte onda azulada foi em direção ao grupo e é dissipada ao se encontrar com algumas flechas da elfa. Ao olhar para os jovens vejo que algumas kunais arranharam os braços de Jin e de Ryan.

Todos apontam suas armas ofensivamente em minha direção e algumas flechas entram em meu campo de visão. No momento em que seria atingida me movo para as costas dos guerreiros. Sou surpreendida com a arma de Elesis se chocando contra minha armadura. Me viro e aparo seus golpes com minhas adagas.

- ESTACAS DE GELO! – Senti as pontas afiadas me levantarem do solo e jogarem para trás, a única coisa que me alegrou foi que Elesis também foi atingida. Cai de costas ao chão.

- Foi de propósito, sua maguinha de araque. – gritou a Espadachim enquanto se levantava do chão e andava furiosa em direção à companheira. Aproveito a distração para usar a Penumbra.

- Achei que a Líder conseguiria desviar de um gelinho. – respondeu Arme zombeteira.

- Não me provoque sua...

- Caladas! – cortou Ronan – Onde está Cazeaje?

Maldito Ronan, por que você presta tanta atenção em mim? Mas já é tarde, já espalhei armadilhas ao redor de todos vocês. Ando silenciosamente até a elfa, que me irrita com suas flechas. Apareço em sua frente.

- FÚRIA FATAL! – Uso meu punho direito para acertá-la no abdômen, fazendo-a cambalear para trás. Ela fica presa em uma armadilha. Os outros dão um passo em minha direção, assustados pelo meu golpe repentino e também acabam presos.

Esta é a situação planejada. Olhando-os assim, com essa expressão assustada e presos como ratos, dá até um pouco de pena. Eu teria pena se não tivesse visto com meus próprios olhos as atrocidades que eles fizeram com o Gorgos, Gaicoz, Elena e Gadosen. Francamente eles já me atrapalharam demais.

- GOLPE FINAL! – eu pulo e jogo fortes ondas de energia com as adagas. Todos foram atingidos em cheio, arranhando as armaduras e fazendo-os ajoelhar com dores.

Quando meus pés encostam-se ao chão sou surpreendida por um lobo me atacando. Tento desviar para os lados, porém sinto suas garras arranhando minha armadura. Caio de costas ao chão tentando sair dali, porém a força do animal é muito grande. Jogo kunais em seu pescoço e uso golpes das adagas porém ele parece não sentir.

- RAJADA DE VENTO! - Finalmente a criatura sai de cima de mim. No mesmo momento sinto uma energia muito forte vindo em minha direção e iluminando todo o salão escuro. Num reflexo eu pulo por cima do raio e sou recebida por flechas da Arqueira.

Ao sentir o chão sob meus pés vejo o Lutador me atacar com socos e chutes. Aparo a maioria com minhas adagas, conseguindo feri-lo nos braços. Ele grita alguma técnica que eu não consigo entender, somente sinto uma dor lancinante em meu queixo. Cambaleio para trás enquanto escuto a voz de Ronan próxima a mim.

- PERFURAR LUMINOSO! – Sinto a ponta da lâmina atingindo minhas costas, sinto o sangue quente escorrendo. O ar me falta e minha mente se desconcentra da batalha.

Logo pude ver as imagens como flashes mudos passando rapidamente. A lâmina da ruiva me perfurando, flechas, sangue, magias, lâminas, dor. No momento eu não consegui pensar em nada, somente a voz de Lass ecoou em minha mente. Mesmo assim eu não entendi o que ele me disse, mas não estava preocupada. Cazeaje não seria derrotada tão facilmente.

“Lass, não quero que carregue meu fardo, levarei comigo suas memórias, seja feliz”

Ao falar isso me desprendi do corpo dele. Senti-me livre novamente, leve como o ar. O meu poder, que estava bloqueado pelo sangue Haro, voltou a correr pelo meu espírito. Pude sentir a criatura que havia sido forjado em armadura por Elena. Consegui ver seu grande poder e fúria e, neste momento, tive uma ideia.

Usei minha energia mágica para me juntar à esta criatura poderosa. Durante o processo vi os guerreiros de costas, olhando o corpo inconsciente de Lass. Senti o corpo sendo formado, como se estivesse crescendo. O chão rochoso e frio apoiava minhas enormes patas, enquanto eu me fundia à criatura.

Ao terminar este processo, que durou instantes, rugi ferozmente expondo toda minha raiva e frustração àquelas crianças. Todas se viraram assustadas em minha direção.

- Fiquem diante da minha verdadeira forma e poder, e se desesperem! – minha voz gutural preencheu todo o ambiente causando um temor nos jovens.

Que maravilha vê-los confusos beirando ao desespero. Meu objetivo agora é derrota-los um por um. Nesta batalha alguém será levado ao Submundo. É isso, não há como voltar atrás. Agora eu, Cazeaje, enfreitarei o meu Destino, seja ele qual for.

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              Capítulo 13.1 - O Destino....Recomeço

 

Vejo todos os guerreiros da Grand Chase me encarando, olhos arregalados, ofegantes devido à batalha anterior. Não os culpo, afinal, se eu lutasse contra alguém e ele se tornasse uma criatura vinte vezes maior do que eu me sentiria da mesma forma.

A maga está mais ao fundo tremendo, com uma expressão de pavor, os elfos me encaram descrentes, claro, meu novo corpo deve ser um insulto à natureza, Jin está reunindo seu ki junto de Ronan que me encara com um olhar frio. Já Elesis parece determinada.

- Eu quero perguntar uma última coisa antes de terminarmos isso. – ela fala enquanto eu uso uma magia que aprendi no Submundo. - Mas... O que?!

- Não acredito nisso. – exclama a elfa espantada - O chão... Sumiu! Eu não vejo mais o chão!

- Isso é impossível! Cazeaje não pode ser assim tão forte! – nega a Maga.

- Incrível não? – falo em minha voz gutural - Vocês poderiam ter se curvado diante do meu poder! Agora serão destruídos!

- Força, pessoal, mais uma vez! Ela está avançando! – exclama Elesis.

Todos me cercam e começam a atacar. Em um instante posso sentir o aço frio de espadas e lâminas rasparem em minha grossa pele, pontas afiadas das flechas causam latência e posso sentir a magia da Maga e energia do Lutador indo ao meu encontro. Essas crianças são fortes, devo admitir.

Solto um rugido e giro meu corpo, o vento forte se desloca e posso ouvir os sons metálicos de armaduras e armas indo de encontro ao chão invisível. O som parece ecoar infinitamente, algo característico de frestas dimensionais. Mas logo os vejo levantar e voltar para perto de mim, tentando me atingir.

Após alguns segundos começo a bater as patas com todas as minhas forças. Isso causa fortes tremores e vejo os jovens se desequilibrando e caindo ao chão novamente. Eles se levantam e posso sentir as flechas da elfa em minha grossa pele. Ela já está me irritando.

Viro para a sua direção, ficando de costas para os outros guerreiros. Dou alguns passos e ela se afasta rapidamente ainda atirando em mim. Por fim dou um forte rugido em sua direção, ouço ele ecoar pelo local enquanto o corpo da garota é envolvido por uma energia escura. Ela é sugada por uma falha na fresta dimensional e volta parecendo zonza. Isso dará um jeito nestas flechas.

Ronan corre em direção à garota e eu volto a encarar os outros guerreiros, que estão novamente com os rostos abismados. Aproveito a chance e bato novamente meus pés ao chão com força, porém logo sou parada por uma energia muito forte e um clarão que ilumina o local frio.

- GÊNESIS! – Essa luz parece me sugar para seu centro, me forçando a encravar as patas no chão e tencionar meus músculos.

Olho em volta e vejo todos se afastando de mim. Sinto que algo muito ruim vai acontecer, mas não posso fazer nada com essa energia me puxando para trás. Me surpreendo ao ver a Maga andando temerosa em minha direção, empunhando trêmula seu cajado arroxeado. Ela me olha no fundo dos olhos e logo flutua, ficando da altura de meu rosto, e no instante seguinte desaparece.

- TEMPESTADE DE FOGO! – A voz parece vir de todos os lados e ecoa infinitamente naquele local.

Instantes depois sinto a energia do elfo parar de me puxar, mas nem tenho tempo de pensar em fazer nada pois ouço o barulho de fogo estralando por todos os lados. Minha visão é preenchida pelos tons vermelhos e laranjas. Minhas grossas escamas são invadidas pela sensação de rochas imensas se chocando e atravessando meu corpo, deixando um ardor de temperatura insuportável.

Quando a tortura acaba sinto minha pele pegando fogo e os guerreiros avançam se preparando para voltar a atacar. As laminas e a energia mágica batem contra minha pele ferida e causam uma dor insuportável. Giro meu corpo para afastá-los. Todos andam alguns passos para longe.

- LÂMINA ILUSÓRIA! – Sinto Ronan atrás de mim com suas lâminas rasgando minha pele. O sangue quente escorre por minhas escamas causando mais ardor.

- IMPACTO ESPIRAL! – Os ventos fortes me rodeiam, parecendo lâminas, a sensação de pele rasgada e a dor me atingem profundamente. Também vejo Jin ao fundo lançando grandes esferas de energia que explodem contra meu corpo.

- PORTAL DO DISPARO! – Minha visão fica negra devido as flechas disparadas contra meu rosto.

Sinto os fortes golpes que os guerreiros dão em minha pele que já está entorpecida, devido os ferimentos profundos. Eu giro meu corpo varias vezes e bato as patas ao chão, mas minhas forças estão se esvaindo.

- ESTACAS DE GELO! – Sinto pontas firmes atravessando meu corpo numa temperatura extremamente fria, de certa forma é até bom, considerando que tenho a constante sensação de ardor, como se minha pele pegasse fogo.

Sou paralisada em uma parte do local e vejo os guerreiros ofegantes, cansados e suados, com partes das armaduras faltando. Eles se aproximam cautelosamente. Minha respiração é pesada e faz meu corpo doer, sei que meu fim está próximo.

- Quero perguntar uma coisa. – Elesis grita de uma distancia segura - Onde está meu... Digo, onde está Elscud? – esse nome me é familiar.

- Elscud? – falo me lembrando da batalha contra os Cavaleiros Vermelhos. Sim, o líder deles, este era o nome - Aquele cavaleiro arrogante... Então, era Elscud o seu nome?

- Nos diga agora! – ela berra irritada. Esse jeito, o uniforme, os cabelos ruivos, que interessante!

- É isso, não sei como não vi antes – respondo após analisa-la - Você é a filha dele. Engraçado. Muito engraçado. – acabo gargalhando da situação, quem diria, derrotar o pai e depois encontrar a filha esquentadinha - Elscud não está mais entre nós. Digo, não neste mundo. Ele passou por um portal dimensional. – falo enquanto me lembro da batalha - O arrogante veio até mim, querendo deter todo o mal. Ele agora está provavelmente perdido entre as dimensões.

- Como nós podemos chegar a essa fresta entre as dimensões?

- Você nunca vai chegar lá. – falo confiante apesar de usar minhas ultimas forças - Meu corpo se vai, mas minha essência retornará algum dia.

Fecho os olhos e as sensações de todos os tipos deixam meu corpo. Sinto a energia fluir para longe e minha mente está limpa, sem pensamentos. Nenhuma emoção me toma no momento a não ser o alivio de deixar minha vida, no mínimo complicada, para trás. Sei que perdi a batalha, mas não sinto o gosto amargo disso, na verdade sinto orgulho de ter sido derrotada por jovens tão poderosos quanto estes.

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Abro meus olhos. Vejo um céu negro, uma enorme Lua solitária e densas nuvens. Sinto meu corpo leve, como se estivesse flutuando. Não consigo me mover, porém não me desespero. Há somente um lugar onde eu poderia estar neste momento e sei exatamente onde é.

- Bem vinda de volta. – a voz rouca e fria quebrou o silencio.

- Lupus. – disse de forma calma, mostrando que o reconheci – Agora eu realmente pertenço ao Hades.

- Vim aqui para lhe julgar.

- Entendo. Antes eu preciso lhe dizer uma coisa. – aguardei um momento e ele me permitiu falar, abri um pequeno sorriso de satisfação – Quando eu estava no corpo de Lass, vi as memórias dele, senti as dores de todo o sofrimento que ele passou injustamente. Posso lhe garantir que o motivo de ele ter permanecido no Circo por tanto tempo foi pela sua promessa. O objetivo dele agora é se tornar digno de levar o nome de sua família.

- Eu nunca quebro minhas promessas.

- Garoto de palavra. – disse de forma brincalhona

- Cazeaje – falou de forma séria – Minha ocupação não é julgar as pessoas, porém, o que lhe aconteceu aqui nunca ocorreu em Hades.

- Creio que já ouvi essas palavras antes – falei ao me lembrar de minha primeira vez neste local – parece que sempre serei algo único aqui no Submundo.

- Eu estou aqui pois Gadosen tem uma dívida contigo que ele não conseguiu sanar.

- E então, senhor Wild, qual o veredicto?

- Quando você está assim, sua alma fica totalmente visível para mim. Vejo suas memórias, tudo o que você fez, disse, sentiu ou pensou algum dia. – falava com sua indiferença natural - E você carrega um fardo grande, pois vejo também Ronan Erudon e Lass Isolet em sua alma.

Ele fez uma longa pausa. Comecei a olhar a enorme lua a fim de me acalmar. Apesar de não estar preocupada, ouvir o julgamento final é algo que causa nervosismo. É a primeira vez em anos que me sinto como uma humana comum, sem poderes. Isso na verdade é meio assustador.

 - Você o amava, não é? – perguntou

- Quando se passa tanto tempo no corpo de alguém, sentindo todas as emoções e dores que a pessoa teve, a gente acaba se apegando.

- Como forma de pagar a dívida de Gadosen, você tem um último pedido a fazer. – sua voz saiu fria como de costume.

- Você consegue ver através de minha alma, não é? – ele assentiu – Então já sabe o que desejo.

Neste momento voltei a fechar os olhos. Apesar de não ver, tenho certeza de que Lupus sorriu. Pensei em um “adeus” e sei que ele conseguiu vê-lo. Lupus pode ter essa indiferença e amargura, porém não é uma pessoa ruim. Ele evitou minha morte meses atrás, mas no fim, acabei voltando. Mesmo assim ele está aqui me ajudando até depois da morte.

Senti meu corpo sendo abraçado pelo meu destino, uma calmaria me envolveu. Dei um longo e tranquilo suspiro. Estava em paz. Uma paz que não sentia há muito tempo. Uma paz tão grande que duvido que já a tenha sentido alguma vez na vida.

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Eu acordo, mas não abro os olhos. Estou deitada na grama. Posso senti-la fresca e levemente molhada embaixo de meu corpo. Não há nenhum ruído à minha volta. Após alguns minutos abro lentamente meus olhos. Ainda está escuro. Os primeiros raios de sol se atrevem a cortar a escuridão da noite. Algumas estrelas são visíveis, tímidas no céu. 

Levanto-me. Sinto que estou mais baixa do que o normal. “Tem algo errado”. Vou até um pequeno lago e olho meu reflexo na água. Não acredito no que vejo. Eu pareço uma espécie de cão! Quando analiso melhor, percebo que esta forma se parece muito com a Jun Cazeaje que eu me transformei.

“Lupus, até mesmo fazendo o bem você tem um toque de maldade” penso.

Sinto uma presença por perto. Fico atenta. Ao longe consigo ver um garoto de cabelos brancos. Ele está subindo em uma grande árvore. Meu coração se enche de alegria. Eu o sigo. Ele senta em um galho alto e grosso na arvore e começa a olhar o horizonte.

Mesmo enfrentando alguma dificuldade, consigo chegar ao galho que ele se encontra sem fazer barulho. Aproximo-me lentamente. Após alguns instantes, ele nota minha presença. Num reflexo ele se vira em minha direção e me aponta uma adaga.

- Quem está ai? – diz assustado.

Apenas o encaro. Quando ele vê que não desejo machuca-lo, seu corpo relaxa. Ele guarda a arma e estende o braço para que me aproxime dele.

- Você conseguiu se aproximar sem eu perceber. Deve ser muito forte. – disse com um pequeno sorriso nos lábios.

Eu me encosto à lateral de seu corpo. Ele me abraça. Consigo ouvir as batidas lentas de seu coração, sua respiração calma e tranquila, o calor de seu corpo. Como senti saudades desse corpo.

- Eu gosto de ver o sol nascer – disse Lass ainda olhando para o horizonte – Essa mistura de cores alaranjadas, o sol aparecendo e iluminando lentamente céu, tudo isso me traz uma sensação de paz.

Concordo. Sempre amei o nascer do sol. Lembro-me de olharmos o amanhecer juntos. “Velhos hábitos nunca morrem”. Permanecemos deste jeito, imóveis, ate o Sol aparecer totalmente no horizonte. Por fim ele desceu da arvore e eu o segui. Lass me pegou no colo.

- Vou te mostrar aos meus amigos – havia carinho e sua voz.

Não posso negar que ser pega no colo é uma sensação estranha. Nunca me senti tão estranha. Pensando bem, eu também nunca morri. Mas mesmo assim uma enorme paz invade meu corpo. Não sinto a sede de vingança que antes sentia.

Andamos tranquilamente pela floresta. Após alguns minutos chegamos a um acampamento. Varias barracas se estendiam pelo solo. Vi alguns jovens ao longe, reunidos em uma fogueira. “Eu disse que você encontraria amigos, Lass”. Aproximamo-nos de todos.

- Ah! Que garotinho fofo – disse Arme se referindo a mim.

Rosnei de raiva. “Como ela podia achar que eu era um garoto?”. A maga se assustou um pouco e evitou se aproximar. Até que Lass me acalmou.

- Acho que é uma menina. – “Isso mesmo!”

- Onde você a encontrou? – falou a lenda, Sieghart.

- Na floresta. Na verdade, ela veio até mim. – Lass falava de forma calma, porém feliz.

- É igualzinha a Jun Cazeaje. – falou a ruiva com certo espanto.

Neste momento todos ficaram apreensivos. Começaram a me olhar de forma estranha. Até mesmo alguns que eu não conhecia começaram a me encarar curiosos. O jovem Erudon se levantou e ficou ao lado de Lass.

- E se for Cazeaje? Será que é sábio deixa-la tão próxima de nós? – a preocupação era visível em sua voz.

Lass me pagou nos braços, segurou em frente ao seu rosto e me encarou profundamente nos olhos. Seus orbes azuis possuíam um brilho especial. Elas me analisavam, sinto que ele conseguiu ler claramente minha alma, assim como seu irmão Lupus. Após alguns segundos fazendo isso ele respondeu confiante:

- Não vejo maldade nela. Ela vai ser minha mascote. – nesse momento pude ver um pequeno sorriso surgir em seus lábios e rapidamente sumir.

A felicidade me preencheu por completo. Estou tão animada que comecei a abanar meu rabo....Rabo? Ainda preciso me acostumar com meu novo corpo. Lass entrou em uma barraca. Era pequena, possuía apenas uma mochila, um colchão com um cobertor. Ele me colocou no chão, ao lado de sua bolsa. Vasculhou-a e por fim retirou um medalhão dourado e uma fita. Com sua adaga ele riscou o medalhão.

- Olha – disse me mostrando o objeto – vou te chamar de Cazeaje Jr.

Ele passou a fita num furo do medalhão e o colocou em meu pescoço, como uma espécie de colar. Fiquei tão feliz. Poderia passar minha nova vida junto de Lass.

- Venha, vamos treinar! – disse saindo da barraca.

Saio também e vejo que o ninja já está longe, porém percebo alguém se aproximando. Olho para o lado e ele está lá, parado, me olhando. Nem acredito no que meus olhos veem. O que ele estaria fazendo aqui? Será que é pela promessa? Ando alguns passos em sua direção.

- Demorou hein! – Lupus diz e dá um pequeno sorriso, que some tão rápido quanto apareceu.

Fico feliz em vê-lo. O encaro por alguns instantes. Por fim ele faz um gesto, me mandando acompanhar o ninja. Obedeço, afinal, quero ficar ao lado de Lass. Acompanhá-lo em todas as suas aventuras. Protegê-lo. Pois, agora sou sua mascote e não é todo dia que temos a chance de um Recomeço.

              Capítulo 13.2 - O Destino....Extinção

Vejo as crianças me encarando com olhares arregalados, com medo. Isso é tão interessante, tão delicioso. Bom, se eu estivesse lutando contra uma criatura vinte vezes maior do que eu e inúmeras vezes mais forte, também sentiria medo.

Dou um rugido baixo e ameaçador em direção aos guerreiros. Posso ver a maga tremendo de pavor, os elfos paralisados, que sensação boa. Elesis e Ronan são mais espertos do que os outros, foram logo trocar de armas, gritando para que todos fizessem o mesmo. Aproveito a distração deles pra surpreendê-los ainda mais.

Esse local não é digno desta batalha. Talvez devesse usar uma técnica que aprendi com os Haros. Discretamente utilizo meu poder para nos levar a outro lugar, se eu não me engano é conhecido como fresta dimensional. Veremos como eles lutarão aqui.

- Vamos deixar as coisas mais interessantes. – eu ameaço e todos me encaram temerosos.

- Não acredito! – gritou Lire chamando a atenção de todos – O chão sumiu! Eu não vejo mais o chão.

- Isso é impossível! – repetia a Maga, beirando ao desespero - Cazeaje não pode ser assim tão forte!

- Crianças tolas! – berrei com minha voz gutural – Vocês compraram briga com quem não conhecem. Poderiam ter se curvado diante do meu poder! Agora serão destruídos!

Com o comando de Elesis todos me cercam e começam a atacar. Em um instante posso sentir o aço frio de espadas e lâminas rasparem em minha grossa pele, pontas afiadas das flechas causam latência e posso sentir a magia da Maga e energia do Lutador indo ao meu encontro, muito mais fracos do que eu esperava.

Soltando um rugido giro meu corpo e minha cauda, sinto-a batendo em todos os guerreiros e o vento se deslocando fortemente ao meu redor. Quando olho todos foram espalhados pelo local, apesar da escuridão vejo que os atingi com força.

Mais flechas foram ao meu encontro. Os guerreiros se levantam e voltam a me atacar. A mesma cena se repete, energias magicas explodindo em minha pele, flechas e a sensação fria e áspera do metal me atingindo.

Sem pensar duas vezes bato minhas patas com força no chão. Todos são levantados e caem ao mesmo tempo. O som metálico das armaduras colidindo com o “chão” invisível preenche o ambiente frio e logo some. Fenômeno típico de uma fenda dimensional.

Vejo os jovens levantarem com cerca dificuldade e só consigo rir de sua fraqueza. Novamente se juntam em volta de meu corpo. Tolos. Acham que conseguirão me derrotar fazendo a mesma coisa a todo momento?

- TEMPESTADE SANGRENTA! – neste momento senti flechas de todos os lados me atingindo. Aquilo começou a me irritar, odeio essas flechas, odeio esta Arqueira. Quando estava pronta para pisoteá-la sinto minha pata dianteira paralisada.

Grunhi em irritação. Maldita maga, você e suas magias de congelamento. Bati fortemente minha pata no chão fazendo todo o gelo se estilhaçar. Vi os guerreiros se desequilibrando, mas em nenhum momento deixaram de me atacar com suas armas. Isso estava muito estranho.

Girei meu enorme corpo novamente e pude sentir o forte vento gerado. Os guerreiros se afastaram rapidamente, impedindo o golpe. Logo voltaram a me atacar. Rugi de raiva, o som ecoou pelo ambiente escuro e logo vi a Maga sendo sugada por uma falha na fresta dimensional, porém em poucos instantes ela retornou zonza.

- Agora! – gritou Elesis impaciente.

- Ainda não! – rebateu Ronan. – Espere mais um pouco.

- Até quando Ronan? Precisamos acabar com isso agora. – falou Elesis frustrada.

Crianças insolentes, pensam que podem brincar comigo desta forma? Vocês não sabem com quem estão lidando. Começo a bater minhas patas furiosamente no chão, causando tremores. Faço isso repetidas vezes até que todos estejam caídos ao chão, se esforçando para ficar de pé. Porém não adianta, os tremores aumentam cada vez mais.

- IMPACTO ESPIRAL! – Vários golpes me atingiram por toda a pele. Após alguns segundos elas rasgaram minhas duras escamas e eu podia sentir o ardor dos golpes. Mesmo assim continuei atingindo-os com minhas patas e eles continuaram me atacando.

- GÊNESIS! – Vi um clarão amarelado e uma enorme fonte de energia alterando a gravidade do local. Me senti fortemente arrastada para trás e meus músculos ficaram tensos, cravei as garras no chão invisível tentando me segurar.

Logo a habilidade de Elesis acabou mas o ardor dos arranhões profundos ainda me incomodava. Estava paralisada devido à forte energia tentando me puxar e causando grande dano em mim.

- LÂMINA ILUSÓRIA! – Senti os fortes arranhões do lado esquerdo de meu corpo atravessarem a grossa pele. Logo as feridas estavam encharcadas com o sangue arroxeado de meu novo corpo. Rugi de dor e de frustração.

 Finalmente a energia parou de me puxar e eu girei o corpo para afastar os guerreiros que me atacavam. Todos se afastaram, menos Ronan que ainda estava com aquelas lâminas envolta do corpo me arranhando. Logo senti varias explosões em minha pele ferida. Era Jin que ficava lançando continuamente esferas de energia. Ao lado dele estava Lire que não parava de me atacar com suas flechas. Me virei de frente para ataca-la.

- PORTAL DO DISPARO! – minha visão se escureceu e senti inúmeras explosões e pontadas de flechas em meu rosto. Aquilo me deixou furiosa, estava pronta para bater minhas patas no chão causando tremores quando senti algo me prendendo.

- FLOCO DE NEVE! – Minhas patas ficaram congeladas e presas ao chão.

- CIRCULO DA MORTE! – a sensação da pele rasgada me deixou mais furiosa, o sangue escorrendo pelo meu corpo parecia me arrancar as forças.

Minha visão voltou e pude analisar minha situação. Muito sangue escorrendo pelas laterais de meu corpo, patas congeladas, oponentes atacando sem piedade. Minhas forças iam embora mas minha fúria só aumentava.

Poucos segundos depois pude vê-los se reunindo à minha frente. Não pensei duas vezes e fui correndo para atingi-los com todo o peso de meu corpo. Neste momento vejo a Maga flutuar com seu cajado em mãos e no instante seguinte desaparecer. Fechei os olhos me preparando para o impacto contra as crianças.

- TEMPESTADE DE FOGO! – ouvi o grito da garota atrás de mim.

A única coisa que pude sentir foi o impacto contra as armaduras dos guerreiros e logo meus sentidos foram preenchidos pelo som do fogo estralando por todos os lados. Uma temperatura absurda atingiu minhas escamas e eu tive certeza de senti-las derretendo. Minhas energias sumiram totalmente minha pele foi rodeada por sensações de fortes batidas, como se fossem pedras me atingindo de todos os lados e atravessando meu corpo.

-----------------------------

Abro meus olhos. Vejo um céu negro, uma enorme Lua solitária e densas nuvens. Sinto meu corpo leve, como se estivesse flutuando. Não consigo me mover, porém não me desespero. Há somente um lugar onde eu poderia estar neste momento, e sei exatamente onde é.

- Bem vinda de volta. – a voz rouca e fria quebrou o silencio.

- Lupus. – disse de forma calma, mostrando que o reconheci – Agora eu realmente pertenço ao Hades.

- Vim aqui para lhe julgar.

- Entendo. Antes eu preciso lhe dizer uma coisa. – aguardei um momento e ele me permitiu falar, abri um pequeno sorriso de satisfação – Quando eu estava no corpo de Lass, vi as memórias dele. Posso lhe garantir que o motivo de ele ter permanecido no Circo por tanto tempo foi pela sua promessa. O objetivo dele agora é se tornar digno de levar o nome de sua família.

- Eu nunca quebro minhas promessas.

- Garoto de palavra. – disse de forma brincalhona

- Cazeaje – falou de forma séria – Minha tarefa não é julgar as pessoas, porém, eu estou aqui pela dívida pendente de Gadosen.- Ele fez uma longa pausa - Quando você está assim, sua alma fica totalmente visível para mim. Vejo suas memórias, tudo o que você fez, disse, sentiu ou pensou algum dia. E você carrega um fardo grande, pois vejo também Ronan Erudon e Lass Isolet em sua alma.

- E então, senhor Wild, qual o veredicto?

- Você o amava, não é? – perguntou

- Quando se passa tanto tempo no corpo de alguém, sentindo todas as emoções e dores que a pessoa teve, a gente acaba se apegando.

- Como forma de pagar a dívida de Gadosen, você tem um último pedido a fazer. – sua voz soou fria como de costume.

 - Você consegue ver através de minha alma, não é? – ele assentiu – Então já sabe o que desejo.

- Vejo que sua alma arde, clama pedindo isso. Está pronta? – ele fez uma pequena pausa, porém não respondi – Está pronta para enfrentá-lo?

- Nenhum tipo de apego atrapalhará meus planos. Se for preciso, sim, estou pronta.  – minha voz estava carregada de orgulho, eu sabia que o que eu desejava não tinha volta – Pode reservar meu lugar na Fornalha Infernal.

Neste momento voltei a fechar os olhos. Uma tensão incomum tomou conta do ambiente. Senti meu corpo sendo abraçado pelo meu destino, um único desejo preencheu minha alma. Sim, podia sentir meu poder crescer juntamente com minha fúria.

----------

Eu acordo, porém não abro os olhos. Posso sentir o chão frio e rochoso embaixo de meu corpo. Tudo à minha volta é frio, sombrio, escuro, solitário. É o lugar perfeito. Levanto-me lentamente.

Posso sentir a energia magica fluindo em mim. Há tempos atrás eu tinha medo dela, tinha raiva. Agora não mais. Posso vislumbrar tudo o que sou capaz de fazer, tudo o que posso ter por causa desse poder. Cada vez mais o sinto em meu corpo.

Meu corpo, sim, somente meu. Não terei de dividi-lo com mais ninguém. Ele agora não me atrapalha de utilizar plenamente meus poderes. Pelo contrário, agora ele, eu mesma, sou a personificação de minha força mágica. Posso senti-lo fluindo. Nunca imaginei ter tanto poder a ponto de conseguir materializar um corpo, mas neste momento, isso parece até uma piada de mau gosto.

Olho em volta, através da escuridão profunda. Ela me cobre, me abraça. O ar é pesado. Não é possível ver o céu, não há estrelas e sei que o Sol não irá nascer de manhã. Lembro-me de meu Castelo em Ellia. A mesma sensação obscura que parece querer roubar as energias de qualquer um que estiver aqui. Porém esta é mais forte, mais presente.

- Uma Rainha precisa de um Castelo. – digo e logo rio malignamente.

Não me demoro em colocar o plano em prática. Ergo cada pedra, levanto cada parede com todo o cuidado, enquanto tenho essa maravilhosa sensação de poder. O local deve me acompanhar nesta dança, invisto todo meu poder nisto, afinal, agora ele é quase ilimitado. Tudo tem de estar perfeito.

Quanto tempo faz que estou construindo minha Torre? Bom, não importa. Eu já morri mesmo, não tenho muito mais o que temer. Agora terei a chance de terminar o que me faltou em vida. Minha vingança será executada, de uma forma pouco convencional. Afinal, eu já sou uma raridade ambulante.

Vivia minha vida normalmente, auxiliei reinos, fui amaldiçoada. Iniciei guerras, participei de guerras, criaram guerras para me derrotar. Lutei contra inúmeros soldados, cavaleiros de elite, contra Sieghart o Imortal, contra crianças, demônios, Dragões. Matei pessoas, feri pessoas. Fui para Hades sem ter morrido, retornei dos mortos. Fiz aliados e os vi morrer em meu nome. E por fim, eu mesma morri.

O que mais me falta nesta vida? Pensando bem eu estou morta mesmo. Presa apenas por certas alianças com seres superiores à própria morte, que detém minha alma, se é que eu ainda possuo uma. Afinal, neste momento o que me resta é poder e autoridade, pois de resto já vi de tudo e já tive de tudo.

Olho a grande sala no último andar da Torre. Solto um suspiro de satisfação. Tudo conforme planejado. Sento-me lentamente em meu trono apenas apreciando minha mais recente criação. A demonstração final de meu poder. Por fim ela está pronta.

Dez andares preenchidos pelas almas dos mais poderosos guerreiros. Selados em um pacto de sangue para acabarem com qualquer um que entrar neste local. E para os loucos que derem a sorte de chegar ao último andar, estarei esperando junto ao meu mais novo aliado.

- Está na hora de se divertir um pouco. – a voz onipresente ecoou.

- Traga-os a mim. – respondi.

Finalmente terei minha vingança contra aquelas crianças intrometidas. Eles sentirão novamente toda a minha fúria, meu poder e, principalmente, minha dor. Nunca mais se atreverão a pisar em meus domínios novamente, isso se conseguirem me enfrentar desta vez. Prepare-se Grand Chase, pois eu trarei sua Extinção.

Edited by YuuNoDesu
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IgMth    23

Adorei, tente colocar algumas imagens, como os personagens assim facilita a leitura. Teve momentos em que me perdi por tantas linhas tendo que voltar para reler  #35

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Eadryiel    74

Obg a todos que respondera, fico feliz q gostaram da historia.

Estou terminando o segundo capitulo, ele vai ter mais emocao doq esse. Espero q gostem tbm.

Em 20/01/2017 at 8:48 PM, IgMth disse:

Adorei, tente colocar algumas imagens, como os personagens assim facilita a leitura. Teve momentos em que me perdi por tantas linhas tendo que voltar para reler  #35

Nao sou mt fã de colocar imagens no meio do texto, mas vc me deu uma ideia pra proxima batalha q vou escrever. (sim vai ter imagens nela, talvez nao como vc mencionou, mas vou colocar).

Agradeça especialmente ao @InazumaLord que me deu mta força pra escrever esta historia :heart:.

Bjinhos, ate o proximo capitulo.

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Zedh    92

Sensacional, até onde você pretende ir com a história (capítulos) ?

Tenho que dizer, uma história na visão da cazeaje é algo incomum, acho que isso foi o que mais me chamou atenção.

Escrever e inventar assim é muito bom, quando me de coragem eu escrevo uma história com a qual sonhei e não sai da minha cabeça até hoje.

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Eadryiel    74
Em 22/01/2017 at 4:14 PM, Zedh disse:

Sensacional, até onde você pretende ir com a história (capítulos) ?

Sinceramente tenho a historia toda em mente e sei q dará varios capitulos, cerca de 10 eu acho. 

 

Em 22/01/2017 at 4:14 PM, Zedh disse:

Escrever e inventar assim é muito bom, quando me de coragem eu escrevo uma história com a qual sonhei e não sai da minha cabeça até hoje.

Escreve sim, e depois posta aki. Ate fiquei curiosa pra conhecer essa historia que vc tem em mente kkkkkkkkkkkkk

 

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 2 postado, espero que gostem. #46

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Eadryiel    74

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 3 postado, espero que gostem. Pf me digam o que estao achando e o que pode melhorar.

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Crys    1,017

Uau. Uma fanfic que finalmente agrade os meus olhos, quando tiver mais tempo, pararei para ler melhor ♥

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Eadryiel    74
Em 08/02/2017 at 3:02 PM, Crys disse:

Uau. Uma fanfic que finalmente agrade os meus olhos, quando tiver mais tempo, pararei para ler melhor ♥

Fico muito feliz ao ler isso. Obg ♥

Em 08/02/2017 at 11:36 PM, kiniathy disse:

Amei <3

Muito Obg.

 

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 4 postado, espero que gostem apesar de eu msm achar ele meio enrolação. Os proximos capitulos terão mais emoçao, prometo. !01

Edited by MiRo
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Zedh    92

Ufa terminei de ler, tava meio atrasado e precisa colocar a história em dia kkkk

Adorei essas referências do jogo que você tá fazendo no meio da história, eu não achei o quarto capitulo enrolação porque mostrou mais como a cazeaje era em relação de si próprio e dos outros. Não pare o/

Uma dica, nas fala dos personagens você pode colocar uma cor pra melhor identificar quem fala, as vezes tive que me afastar do computador e me esquecia a fala de quem eu estava. Se faltar cor você em cada capitulo pode colocar uma legenda indicando de quem é a cor e assim pode repeti-las ;3 claro que é uma opção você não precisa necessariamente fazer isso, escrever as vezes da muito trabalho e se torna cansativo.

Sobre minha fic eu ainda não desisti, só me falta coragem mesmo kk

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Eadryiel    74
Em 16/02/2017 at 8:36 PM, Zedh disse:

Adorei essas referências do jogo que você tá fazendo no meio da história, eu não achei o quarto capitulo enrolação porque mostrou mais como a cazeaje era em relação de si próprio e dos outros. Não pare o/

Mt obrigado, vou tentar seguir a historia do jogo mesmo, mas vou fazer muitas coisas originais.

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 5 postado, essa é a parte da historia q eu mais gosto. Espero q gostem tanto quanto eu. Preparem-se pra uma reviravolta na historia. 

Muito obrigado pelos comentario, eles me incentivam a escrever essa historia. :D

 

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  • 2 weeks later...
Eadryiel    74

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 6 postado. Esse acho q é o capitulo com mais ação até agora. Espero q gostem. Leiam e comentem pf, deixa a autora feliz. #44

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Must4ng    10

                                                                  Omg *---*

                                                                     Amei!

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LeRoss    35

Está muito bom, li todos em pouquíssimo tempo (do 1 ao 6 em 1h, talvez), sua escrita é agradável, pouco cansativa e rica em detalhes, e segue uma boa linha narrativa, mostrando a evolução da melhor vilã do grand chase.

Por favor, continue com seu trabalho, está realmente incrível, de 1 a 10, eu daria 9.

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Zedh    92

Muito bom ! Adorei a forma que você fez a cazeaje encontrar o lass e na situação em que ela se meteu ao longo do caminho.

Como sempre você tá mandando muito bem, continue assim o/

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Eadryiel    74
Em 02/03/2017 at 3:31 PM, Must4ng disse:

                                                                  Omg *---*

                                                                     Amei!

Muito obg, fico muito feliz.

Em 08/03/2017 at 11:13 AM, LeRoss disse:

Está muito bom, li todos em pouquíssimo tempo (do 1 ao 6 em 1h, talvez), sua escrita é agradável, pouco cansativa e rica em detalhes, e segue uma boa linha narrativa, mostrando a evolução da melhor vilã do grand chase.

Por favor, continue com seu trabalho, está realmente incrível, de 1 a 10, eu daria 9.

Nao tenho palavras para agradecer. Fico muito feliz por ter gostado da minha escrita, eu me esforço bastante escrevendo. "Rica em detalhes" isso me deixa muito agradecida, mas na verdade me intriga um pouco, por que eu sempre acho que nao consigo descrever detalhes suficientes, mas se vc gostou quer dizer que estou me saindo bem :D. Voce nao sabe o quanto este "9" me alegrou, vou até postar dois capitulos hoje. hehe

13 horas atrás, Zedh disse:

Muito bom ! Adorei a forma que você fez a cazeaje encontrar o lass e na situação em que ela se meteu ao longo do caminho.

Como sempre você tá mandando muito bem, continue assim o/

Que bom que voce gostou, espero continuar agradando. Obg pelo elogio. Vejo que voce está acompanhando a fic e comentando bastante, isso me alegra muito, de verdade. 

Obrigado de coração a todos que leem e comentam, voces nao fazem ideia do quanto isso me anima. Continuem assim :gc13:

 

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 7 postado. Desculpe se a batalha nao for o que vcs esperam, mas lembrem-se que a cazeaje e o Lass estao muito fracos quase morrendo.

Capitulo 8 postado. Nao vou mentir, tive uma crise de falta de inspiração nele, vou o primeiro capitulo q eu tive que reescrever, mas agora eu acho que ficou bom.

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LeRoss    35
2 minutos atrás, MiRo disse:

Nao tenho palavras para agradecer. Fico muito feliz por ter gostado da minha escrita, eu me esforço bastante escrevendo. "Rica em detalhes" isso me deixa muito agradecida, mas na verdade me intriga um pouco, por que eu sempre acho que nao consigo descrever detalhes suficientes, mas se vc gostou quer dizer que estou me saindo bem :D. Voce nao sabe o quanto este "9" me alegrou, vou até postar dois capitulos hoje. hehe

Eu só não te dei 10, por 2 motivos simples (e isso não é demérito seu de forma alguma).

1- você está reescrevendo uma história, ou seja, os personagens já existem e você está lhes dando uma nova cara (uma cara tão boa que eu pretendo considerar sua história como oficial na minha cabeça kk).

2- Eu já li dezenas, talvez mais de uma centena, de livros... então seria injusto querer comparar você com gênios como Dostoievski, Turgueniev, Maquiavel, Montesquieu...na verdade, é como comparar laranjas com maçãs, coisas distintas.

Mas, a nível de surpresa e curiosidade para saber como vai se desenrolar essa história, estou muito excitado.

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Eadryiel    74
5 minutos atrás, LeRoss disse:

1- você está reescrevendo uma história, ou seja, os personagens já existem e você está lhes dando uma nova cara (uma cara tão boa que eu pretendo considerar sua história como oficial na minha cabeça kk).

OMG! Acho que vou chorar    *Seca rapidamente as lágimas*  Serio, voce nao sabe o quanto isso me deixa feliz. Eu acho q to tremendo de emoçao. Eu nao tenho palavras pra agradecer.  #27

8 minutos atrás, LeRoss disse:

2- Eu já li dezenas, talvez mais de uma centena, de livros... então seria injusto querer comparar você com gênios como Dostoievski, Turgueniev, Maquiavel, Montesquieu...na verdade, é como comparar laranjas com maçãs, coisas distintas.

De forma alguma eu gostaria de ser comparada a esses escritores. Eu perderia feio kkkkk. Mas so pelo elogio eu ja fico lisonjeada, nem precisava se explicar por nao ter dado o 10, na verdade eu ficaria feliz com um 4 kkkkkkkkkk

Vou continuar me esforçando e fazendo a historia com todo meu amor. Meu objetivo é fazer todos se surpreenderem mesmo. Muito obrigada do fundo do meu coração. #44

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  • 3 weeks later...
Eadryiel    74

Yo people o/

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 9 postado. Sei que demorei, mas poucos dias depois de eu upar os capitulos o forum ficou em manutenção, ai quando voltou resolvi esperar pra vcs lerem os capitulos antes de eu postar mais um.

A fic na acabando, so mais uns 2 ou 3 capitulos e ja acaba. Isso na verdade me deixa bem triste pq eu amei escrever essa historia e fiquei muito feliz com os comentários de vcs. Espero que gostem desse capitulo. #01

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Krueg    107

Bem legal, suas fics são muito boas.

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Eadryiel    74
Em 01/04/2017 at 6:44 PM, DragonAge disse:

Bem legal, suas fics são muito boas.

Mt obg por ler e fico mt feliz que gostou. Espero continuar agradando.

*ATUALIZAÇÃO*

Capitulo 10 postado. Nele já começam algumas batalhas e vai se aproximando ao plot do jogo. Se vc é o tipo de player que lê toda a historia no modo missao (alguem faz isso?? O.O) vc vai reler tudo q ja viu. Se vc simplesmente joga um belo X na cara da histórinha, nao vai ter como fugir dessa vez. kkkkkk

Capitulo Extra postado. Ele é um Filler que fala da historia do Azin e tem uma batalha muito boa entre Azin Vs Jin. Eu li e amei, uma parte da batalha que aparece no Capitulo 10 foi recortada desse Extra. Foi escrita pelo meu amigo @InazumaLord especiamente pra minha Fanfic, entao eu o invoco para dar seus comentários como autor.

Edited by MiRo
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